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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Renamo reafirma exigências para permitir realização de eleições

O secretário-geral da Renamo reafirmou hoje, em Chimoio, Manica, que o partido não permitirá a realização de eleições enquanto não for garantido consenso quanto ao processo de arbitragem e controlo das eleições previstas para novembro (autárquicas) e 2014 (gerais).
"Desta vez não podem acontecer eleições sem que ao nível do STAE (Secretariado Técnico da Administração Eleitoral), CNE (Comissão Nacional de Eleições), defesa e segurança e da polícia, entre várias questões que afligem os moçambicanos, sejam resolvidos, porque democracia é isso tudo, não é a Frelimo (no poder) armar-se até aos dentes para reprimir os que não concordam com a sua ideologia", disse Manuel Bissopo.
A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição moçambicana, reuniu hoje, em Chimoio, os seus quadros, incluindo delegados distritais, ligas da juventude e da mulher, para "planificar os próximos dias", no sentido de que as eleições, autárquicas e gerais, "não aconteçam", enquanto "não houver consenso" sobre o processo de arbitragem e controle.
A reunião decorre sob um cordão de segurança dos ex-guerrilheiros armados da Renamo, separados apenas por uma rua de elementos da Força da Intervenção Rápida (FIR), que vigiam fortemente o encontro.
Para a próxima quinta-feira [hoje], está agendado um encontro entre o Governo e a Renamo, que já foi adiado por duas vezes por divergências deste partido quanto ao local da reunião.
No encontro de hoje, o secretário-geral da Renamo garantiu que o partido não teve qualquer prejuízo com os assaltos feitos pela polícia às suas sedes em Gondola (Manica) e Muxúnguè (Sofala), centro de Moçambique, considerando que o que aconteceu "foi uma vitória".

"A Renamo não teve nenhum prejuízo (com gastos de viagens e alimentação dos seus membros 'aquartelados' durante semanas), porque quando aceitamos fazer um projeto temos um conjunto de custos, e esses custos, em política, resulta no que aconteceu (dispersão e ataques) e para nós foi uma vitória", disse Manuel Bissopo.
A polícia antimotim "expulsou e ocupou" as sedes do maior partido da oposição, no início do mês, no distrito de Gondola (Manica) e em Muxúnguè (Sofala), expulsando cerca de 350 homens ali "aquartelados".
Os homens expulsos pela polícia, a maioria ex-guerrilheiros vindos de vários distritos distantes, aguardavam uma "capacitação", cuja agenda a Renamo nunca chegou a anunciar, no âmbito das manifestações à escala nacional que o partido pretende que confluam no boicote às eleições autárquicas de 20 de novembro e às gerais de 2014.
Em retaliação à invasão e ocupação da sua sede, os ex-guerrilheiros da Renamo atacaram o comando da polícia de Muxúnguè, provocando a morte a quatro agentes. Um ex-guerrilheiro foi abatido na ocasião, a 04 de abril.
"Se a Frelimo (no poder) quiser insistir na força, vamos generalizar o que aconteceu em Muxúnguè, no mesmo dia e na mesma hora, do Rovuma ao Maputo e vamos ver se a Frelimo vai fazer eleições ou não", afirmou Manuel Bissopo, que assegurou estarem criadas condições humanas e materiais para a "revolução".
AYAC/MLL // VM
Lusa – 30.04.2013

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