Breves comentários:
Qual é a leitura que se pode fazer desta nova vaga de demissões? Uma primeira observação atenta a situação, somos compelidos à graduar o gabinete que compoe o Governo de Guebuza como sendo fraco, com algumas excepções raríssimas do caso dos Ministros da Saúde, Ivo Garido, e da Educação e Cultura, Aires Ali.
Falando precisamente da Virgínia Matabele, já se tinha visto que a sua posição estava em risco. Um primeiro factor é o facto de ser produto da administração do Presidente Chissano. Mas o pode ter ditado o seu afastamento são o seu desempenho e as relações de trabalho no ministério que dirigiu. A par disso, notou-se um transitar de dossiers sobre a acção social para as mãos da Primeira Dama, chegando mesmo a constituir um ministério paralelo. Não se sabe se com a nomeação da senhora Paulina Mateus esta tendência não poderá se manifestar com certo ímpeto uma vez que esta é uma estreante de cargos ministeriais.
Ao Vice-Ministro João Candiane Cândido, pouco se pode referenciar senão o tão curto tempo que ficou a batuta do pelouro na história dos Vice-Ministros, a seguir ao que seria indicado Vice-Ministro da Cultura, na era Chissânica, num período de 24 horas, por se terem constatado irregularidades legais. Para o substituir, Guebuza não indicou ninguém até aqui. Puro esquecimento?
No que respeita ao MINT, José Pacheco foi demitido por até aqui não ter contornado a curva primeiro, entre o crime e a segurança social. Multiplicaram-se no país crimes atípicos do tipo linchamentos, trafico de pessoas e drogas. Houve, só em 2007, um ascendente de crimes de roubo de viaturas e envolvimento de moçambicanos em crimes violentos dentro e em países vizinhos [RSA] cujo tratamento deixou pouco a desejar. Pacheco herdou um ministério debatendo-se de uma grande desorganização gerencial e finaceira (200 mil sumidos com o seu ex) e problemas de corrupção de agentes, quer na PIC, quer entre os Cinzentinhos, quer entre os Trânsitos, quer ainda nos registos civis, para não falar o caso da Migração onde agentes são destacados a trabalhar. Tudo isto vitimou Pacheco.
Não podemos nos esquecer que durante as manifestações de 5/2 a voz mais vocal contra os populares foi a de João Maranda que a o Pacheco. Ora isto fazia adivinhar, para um observador atento, o prelúdio de uma mudança. Pode-se dizer que o que Maranda fez foi ‘colocar cascas de banana’ para o chefe passar por elas, enquanto fortificava a sua aliança com Guebuza, no que respeita a informação mais classificada o sector. O novo Ministro da Interior, Joao Maranda, não novidade em si. O que é novidade é a tendência que Guebuza tem de investir na segurança, indicando ‘homens da sua confiança’ e que, oxalá, lhe tirem a má reputação de que o seu governo é alvo neste momento.
Vamos dar benefício a dúvida que Guebuza esta fazer um trabalho depurador de fileiras, com vista a encontrar um ‘elenco’ a altura para os desafios de governação. Só que, …só de si…só o tempo pode não estar nas mãos de Guebuza neste momento, a medir pelo movimento e ganhos que, a Oposição Renamo-UE, tem tido quer nos contactos com os populares e passagem de mensagem, quer na opinião sobre o desempenho, quer ainda no cumprimento da sua agenda rumo as próximas contendas eleitorais. (Imagem encontrada
aqui)