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VOA News: África

terça-feira, 7 de maio de 2013

“Moçambique continua como um dos países mais pobre do mundo”

  Fundo Monetário Internacional sem rodeios  


- diz o director-geral adjunto do FMI, David Liton

David Liton aconselha o Governo de Moçambique a apostar na agricultura como forma de impulsionar a economia nacional, porque os efeitos positivos da abundância dos recursos naturais no País vão começar a fazer-se sentir, no mínimo só daqui a 18 anos.

“…a experiência que tenho da maioria dos países com tantos recursos minerais, tem sido uma espécie de “bênção mista” porque quando não são bem geridos provocam revoltas e perpetuam a corrupção, daí que considero que não são uma garantia para o desenvolvimento de um País aliado ao facto de a sua exploração ser limitada”

Maputo (Canalmoz) – O Fundo Monetário Internacional (FMI), um dos principais financiadores do Estado moçambicano não cai nas justificações do Governo de que a pobreza está a reduzir em Moçambique. O director-geral adjunto da instituição financeira internacional, David Liton, que proferiu uma palestra ontem em Maputo disse e demonstrou que “Moçambique continua como um dos países mais pobre do mundo, apesar de estar a registar um grande crescimento económico nos últimos anos”.
Falando na universidade Politécnica sob o tema “Novos Riscos e Novas Oportunidades e Perspectivas para África Subsaariana e Moçambique”, o director-geral adjunto do FMI disse que apesar de nos últimos anos Moçambique se ter tornado principal destino de investimentos estrangeiros como resultado das constantes descobertas dos recursos naturais tais como gás natural, carvão mineral, petróleo e outros hidrocarbonetos abundantes em quase todo o território nacional, aliado ao facto de estar a viver uma boa  estabilidade política, continua a fazer parte do grupo de países mais pobres do mundo.

Aliás, só o Governo nega esta realidade, mesmo contra dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
A tese do director-geral adjunto do FMI, segundo ele, é baseada no facto de a maior parte de indicadores de acesso aos  serviços básicos sociais tais como a saúde, educação, energia eléctrica, água potável e outros continuarem muito baixos, tal como a realidade no terreno.
“O que eu sei é que 80% da população moçambicana vive nas zonas rurais onde faltam quase todos os serviços básicos”, disse David Liton, para depois acrescentar: “Sei também que em Moçambique as taxas de mortalidade infantil continuam bem altas devido à exiguidade de unidades sanitárias, também que as Pequenas e Médias Empresas não têm acesso aos créditos bancários por alegada falta de garantias”, sublinhou o director-geral adjunto do FMI.
“São estes e outros constrangimentos que fazem com que Moçambique continue a fazer parte do grupo de países mais pobres do mundo”, disse o director do FMI.
David Liton aconselha o Governo a apostar na agricultura como forma de impulsionar a economia nacional, porque os efeitos positivos da abundância dos recursos naturais no País só vão começar a se fazer sentir no mínimo daqui a 18 anos.
O Governo moçambicano já definiu a agricultura como base de desenvolvimento económico no País, mas a falta de políticas capazes de mudar os actuais moldes em que é praticada a agricultura em Moçambique, baseada apenas na agricultura de subsistência, está a perpetuar a pobreza no território nacional.
“Na minha opinião, acho que a agricultura é uma aposta certa para o desenvolvimento de um País como Moçambique porque os recursos naturais, segundo a experiência que tenho da maioria dos países com tantos recursos minerais, tem sido uma espécie de “bênção mista” porque quando não são bem geridos provocam revoltas e perpetuam a corrupção, daí que considero que não são uma garantia para o desenvolvimento de um País aliado ao facto de a sua exploração ser limitado”, explicou Liton.
Por outro lado, o director-geral adjunto do FMI defende que a solução deste problema passa ainda pelo desenvolvimento de infraestruturas sociais e económicas para unir o País.
Defendeu que são as infraestruturas como pontes, linhas-férreas e estradas que ligam todo o País de modo a impulsionar as trocas comerciais entre a população das três regiões que compõem o território nacional e facilitar a circulação de pessoas e bem.
Apesar destes desafios, o director-geral adjunto do FMI perspectiva um bom futuro para Moçambique em termos de crescimento económico nos próximos anos, tendo em conta, por outro lado, os grandes investimentos que se registam neste momento no País e, por outro lado, pelo facto de progressivamente o Governo estar a expandir as redes de educação, saúde, água potável, energia eléctrica, apesar da fraca qualidade.
“É nesta perspectiva que o FMI vai continuar a apoiar técnica e financeiramente o Governo moçambicano no sentido de fortalecer o crescimento da sua economia visando o combate à pobreza no País”, frisou o director-geral adjunto do FMI.
“Segundo as nossas expectativas, o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano situar-se-á entre os 7 e 7,7%, o que é um bom indicador para afirmarmos que a economia moçambicana está a registar um crescimento rápido, apesar da crise financeira mundial”, finalizou David Liton.
Refira-se que David Liton encontra-se no País em visita de trabalho, para além de ter proferido uma palestre e ter-se reunido com o ministro das Finanças, Manuel Chang, para fortalecimento das relações entre aquela instituição financeira internacional e o Governo moçambicano. (Raimundo Moiane)

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