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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Crise no MDM (Palavras de Fundo 2)

O tribalismo

Voltemos a reflexão. Não foram poucos os momentos e espaços de convergência para um repensar sobre como agir por Moçambique de Todos. Mas a verdade manda dizer que entre a reflexão e a prática há nuances obscuras que teimam a persistir. Olhemos por exemplo a questão bastante badalada quer no informal quer nos foros apropriados do MDM: O tribalismo.
Reza “o passa palavra” e mais que o Eng. Davis provincializou o MDM e por via disso optou por se ancorar nos filhos mais esclarecidos da sua terra para ocuparem lugares cimeiros e estratégicos da organização e no Município que dirige como edil. Perante pronunciamentos destes a direcção do MDM foi perdulária em si distanciar e re-acertar aquilo que de facto é seu posicionamento oficial. Isto atirou mais combustível a fornalha e precipitou a fuga de muitos quadros e/ou a sua timidez na contribuição ao Partido. Talvez a isto se junta a problemática da cultura de estado que falaremos mais tarde.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Iluminar as mentes, uma necessidade urgente!




"Perguntava na minha última parte da postagem anterior desta série, se perguntar não ofendesse, a quem ameaçaria a candidatura de Daviz Simango? A minhas conclusões são, com muita pena, chocantes.Valha-nos sermos iluminados nas mentes para conjecturar que Daviz Simango é uma ameaça à cultura ou suposta cultura política moçambicana, em que o povo não é importante. Nessa cultura, as bases dos partidos não residem no povo, mas sim nas estruturas políticas, nos órgãos, sobretudo, repousando nas mãos dos presidentes dos partidos. Foi um desafio sério que Simango lançou ao aceitar que sejam as verdadeiras bases o escolher, contrariamente aos cerca de oitenta e seis candidatos, cujas candidaturas sairam dos gabinetes à ilharga dos cidadãos com direito ao voto.

Valha-nos sermos ainda iluminados nas mentes para deduzir que Daviz Simango ameaça a Frelimo que se julga dona de Moçambique. Daviz Simango está ameaçar a hegemonia política da Frelimo e, sobretudo, dos donos da Frelimo. A ser assim, o próximo "rebelde" virá da própria Frelimo. A ser assim, nascerá em Moçambique uma oposição credível, que nos próximos anos tirará sono o Frelimo no poder. Por esta razão, Daviz Simango não merece admiração da parte conservadora das várias alas que fazem o mapa da Frelimo de hoje.

Valha-nos sermos bem iluminados nas mentes para denotar que, de facto, Daviz Simango é ameaça ao grupelho da Renamo. Digamos que, alguns dos actores clandestinos, durante a guerra civil, que se julgam donos da Renamo, que querem ditar ordens como Daviz Simango deve/devia governar a Beira.

Por último, valeria sermos melhor iluminados nas mentes para compreender que Daviz Simango ameaça à certos sectores dos dois lados das águas partidárias. Nesses grupos estão indivíduos menos cidadãos, menos conformados pelo alinhamento democrático-constitucional. Tais sectores que vêem nas regras autocráticas (diga-o Mswati III), seu móbil com o fito último de arrastar Moçambique ao estágio de chefaturas ou regulados, de que confissões dos seus actores/autores já andam devidamente documentadas."

domingo, 28 de outubro de 2007

CONVERSA NACIONAL

- urgente para olhar nas eleições, constitucionalidade e governo.

A cena politica da semana que ora termina foi dominada por três assuntos da lead, se os leitores estão bem recordados. O primeiro, prende-se com o facto de ter se experimentado um ambiente de convulsão na maior presidiária de Moçambique, a BO. Atinente ao assunto foi a revelação da LDH, dirigida pela Sra. Alice Mabote que cerca de 60 pessoas foram sumariamente eliminadas, ou seja, mortas quer por forças antimotim, a FIR quer pela PRM vulgo "cinzentinhos". Estas situações foram apontadas como sendo preocupantes e alguns comentaristas políticos da praça assinalam que estes actos fazem regredir os ganhos já conquistas democráticas na legislatura "chissaneana" que era de tentar reduzir mortes gratuitas e extrajudiciárias.


O outro assunto que, se dúvida, mereceu destaque nesta semana foi precisamente a questão dos pronunciamentos sobre que a Frelimo pode ser um bando de "criminosos" pelo Deputado da AR pela bancada da Renamo - União Eleitoral ter, aparentemente, ditado que o seus filho que estuda na Comercial - Industrial de Nampula ter sido molestado e enxovalhado por uma forca conjunta da FIR e PRM sob conivência de guardas do lar. Estes fizeram-se ao lar armados ate' aos dentes perguntando "onde esta' Samora, digo, se aquele a quem encontrassem fosse filho de Boavida onde está?


Bastou a anuência do rapaz, para logo de seguida ser regado pelas cacetadas por corpo todo e levado aos calabouços com hematomas sem precedentes, conforme as imagens tristes que se podem conferir no blogue 'Meu ser Original', editado a partir de Maputo e confirmadas pelas autoridades de saúde. Agora, nos resta saber se o poder do dia chamou os agentes da PIR e PRM ao juízo. Resta saber se um rapaz que só peca por ser filho de um deputado vai recuperar a ponto de ter um bom desempenha escolar este ano. Resta ainda saber se o Ministério da Educação apesar do seu silêncio comprometedor tem em marcha algum programa de apoio ao rapaz. Porque bem vistas a coisas ele precisa de aconselhamento e orientação para evitar traumas resultantes deste chocante caso se mostram urgentes que nunca. Vamos exigir que estas autoridades reparem estes erros.

Não muito longe das acções dos 'foras-da-lei', são as eleições províncias. Este foi assunto que fez notícia. Aliás, O Jornal Noticias de Maputo reportou fazendo cobertura de quantos anda o processo de recenseamento precisamente o caso de Nampula, onde os "bosses do software eleitoral" visitaram constataram problemas de toda ordem; desde a indisponibilidade de recursos aos problemas organizacionais básicos, manchando o processo já de si controverso. Pode-se ainda dizer que um pouco por todo o país se registam problemas que ameaçam a validade deste escrutínio. Comentei há dias que percebo muito pouco de gestão de processo eleitorais. Mas na minha curta visão, acho que os quatro pontos de Renamo sobre estas deviam ser apreciados e respondidos pelos adversários políticos, pois não devemos caminhar para uma outra cabala eleitoral que só vai criar um favoritismo a Frelimo.

O PR, Armando Guebuza, parece estar em frente no escangalhamento dos ganhos da anterior legislatura de equidistância e secularidade que caracteriza a nossa constituição ao permitir que religiosos venham lhe pedir para adiar eleições. Note que não estou contra sugestões de religiosos ou de quem quer que seja. Mas ele deve ser Presidente de Moçambique quando toma decisão sobre um assunto de interesse nacional. Na verdade porém, a oposição é quem está a cogitar neste momento, com responsabilidades de colocar a visão do povo, com uma compaixão a pátria, pois veio a publico colocar os quatro pontos certos para a viabilização deste problema.


Quero ainda frisar que ja la' vão horas senão dias que só sentimos o ar passar e nada ouvimos da ponta vermelha [a Frelimo] apenas uma voz dissonante do sr Macuacua, o Chefe da Mobilização e Propaganda, ao falar de "sede própria" para discussão dum assunto sério como este, num aparente alerta de medo e falacioso ao discurso directo e claro do Presidente da Resistência Nacional de Moçambique.


Há, outrossim, uma amnésia e espírito de vassalagem colectivas aos mesmos princípios anacrónicos sob o envolto de chavões bem conhecidos para desviar a atenção dos menos atentos que a Frelimo apostou seguir, que levam a que Macuácua fale de sedes próprias, ao invés de ouvir a voz da razão e sentar-se para a uma Conversa Nacional que o Presidente da Renamo pediu ao senhor Guebuza, PR. Esta Conversa Nacional com ou sem a Frelimo está tomar corpo pelos pontos já avançados pelo líder da oposição e na sociedade em geral. Tenho pena que a Frelimo esteja ausente dele. Conversa nacional não se pode cingir ou resumir as paredes do antigo cinema São-Miguel [AR] onde a Frelimo sabe que vai usar sua ditadura de voto para inviabilizar um assunto que toca a cada um de nós. Repito, esta Conversa Nacional não inclui apenas a Frelimo e a Renamo mas sim todos.


Aliando-se ao acima dito, esta a questão de que o governo é um governo fraco, perdulário por assim dizer e a viver momentos de estagnação sem igual que não se calibra aos avanços na actividade governativa que se impoem. Para ja', há nepotismo na escolha dos ocupantes dos cargos públicos e ministeriais sem que Guebuza apostou na indicação de indivíduos da sua própria família e amigos (casos do Ministro da defesa, da autoridade Nacional, da acção social. Nos CFM, da Açucareira de Xinavane e do recente recrutamento da filha do Governador do Banco para lugar de Investigadora no Banco Emissor corporizam este manto na grande avalancha delapidadora da coisa publica) e clientelismo que se caracteriza no alistamento de pessoas nos locais de trabalho para ver se são ou não membros do partido Frelimo bem desmascarada pela imprensa.


O prior que se verifica, se ficarem atento, é falta de compreensão de cultura de estado ou seja como um estado e governo funcionam. Vai daí que foi a extinta Autoridade Nacional de Função Publica que em seu lugar nasceu um ministério numa aparente 'fuga para frente' do chefe do estado para evitar o acórdão do Conselho Constitucional quanto a inconstitucionalidade daquela autoridade. As recentes mexidas nas direcções dos governos provinciais são sintomáticas de que as coisas não andam bem [deixa-andar] e há uma tentativa, preocupante e tardia, de Guebuza corrigir a crescente paralisia que afecta o seu executivo aos altos níveis. Uma Conversa Nacional olhará, entre outros assuntos, este último que penso que o Presidente da Resistência teve o mérito de pedir.


PS: Quero prestar a minha homenagem a Sra. Ivone Soares do Blogue 'Meu Ser Original' por ter trazido ao foro público esta questão do rapaz que foi vitima dos agentes das PRM e FIR do regime do dia.

Dede Moquivalaka

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sábado, 1 de setembro de 2007

Neste Domingo quero reflectir sobre a alfabetização e educação de adultos

Não com estas linhas que vou esgotar o tema que quero por a atenção do leitor. Deste Domingo a pouco mais de sete dias, celebramos o dia Internacional da Alfabetização. Moçambique é dos países onde mais 60% da sua população não sabe ler e nem escrever, segundo dados da INE e mesmo das instituições das nações unidas.

Sabe-se que o analfabetismo bate-se sobre a população sobretudo na zona rural e, e' mais notório ainda constatar entre as populações do norte e centro. Mas a população do sul não fica atrás nesta estatística pouco encorajadora. Razão principal para esse fenómeno gira a volta da falta de escolas, professores e capacidade de absorver os quanto tantos precisam de educação neste pai's.

Logo após a independência, a alfabetização de adultos e jovens era uma tarefa obrigatória. Não sei porque com o mesmo Governo temos a mandar preferiu mudar de estratégia neste campo, desnecessariamente. Muitos de nós, nossos pais e mães beneficiaram e de que maneira desta política de massificar o ensino, sob o adágio “quem sabe, ensina o outro”.

Lembro-me que nos tempos do 8 de Março, a juventude foi chamada a participar activamente neste desafio, as empresas e companhias foram chamadas a contribuir com o seu tempo e outros recursos a campanha nacional. E deu frutos! Frutos que hoje se podem invejar se contarmos a quantidade e alguma qualidade do trabalho realizado. Foi dos melhores momentos para o país – disse um dia a escritora Lina Magaia.

Hoje fala-se da alfabetização, mas com um pé atrás. Não se percebe porque? A alfabetização já não sabe a prato do dia. As estratégias nacionais saem a conta gotas para o terreno. Está-se a espera de donativos para fazer a dita alfabetização solidária que cheira senão a fonte de consultorias intermináveis mas com pouco impacto nas populações com sede do saber.

Para mim, temos que deixar de ser mais funcionais primeiro, ou seja, a maneira como traçamos as nossas políticas e as implementamos, para depois sabermos avaliar o que já fizemos até aqui. Vai começar a ser feio ver gente que não domine o mínimo da sua própria língua; ou seja ler e escrever, e fazer de alguma aritmética.

Por isso, o dia 8 de Setembro deste ano devia ser para reflectir com a profundeza que se impõe fazer com tenacidade que manda ser urgente nesse fito elevar os níveis de gente literata em Moçambique, sem promessas vãs, por favor!


Dede Moquivalaka
Miradouro – Expresso do domingo

domingo, 19 de agosto de 2007

ENERGIA: URGE REPENSAR ESTRATEGIAS

O MONOPÓLIO DA EDM CUSTA BOLSO E PRANTO AO CIDADÃO
Temos amiúde testemunhado um crescendo de preocupações a volta da produção, gestão e venda da energia na Cidade de Maputo, em particular, e em toda extensão territorial. Ao que leva observar e crer é também a correlação existente entre o quase monopólio total da nossa companhia pública, Electricidade de Moçambique (EDM-EP) e a (in) satisfação da maioria da sua clientela que não tem outra hipótese senão continuar a ser mal servida por ela. Vamos a reflexão, se me permitem.

FACTORES CONCORRENTES
Indicaria nesta primeira parte desta reflexão aquilo que chamaria de ‘factores’ que fazem com que a EDM-EP esteja hoje servindo mal senão pior aos seus clientes. A produção e gestão da energia* *não satisfazem a ninguém. Quase que a totalidade da produção e distribuição em Moçambique está nas mãos da EDM, levantando as pestanas de todos das razoes disso continuar assim. Ora isto não permite uma boa gestão, sabido que o país é vasto, EDM queixasse de exiguidade de fundos para estender a rede para mais zonas do país, recorrendo bastas vezes ao financiamento exterior.

Ligado a esta situação é um regime de gestão deficitário e de falta de controlo* que leva a roubos de cabos e sucessivos ‘blackouts’ nas cidades como por exemplo Beira por oportunistas.

A par desta anacrónica situação de roubos nota-se uma disfunção no dirigismo da empresa a todos os níveis. Sob pano do poder do dia, o saque e descaminho de fundos para fins próprios ou privados caracteriza a empresa. Viu-se, por exemplo, no mandato do último PCA, o dr. Veloso, aquela sua ligação clandestina a sua quinta muito propalada nas medias para o choro de quem a coisa pública é bem público e não mais que isso. Com a pasta da energia aos seus ombros, vimos um ministro a fazer a extensão de cabo eléctrico só para iluminar a casa dos pais enquanto olha a miséria a sua volta algures em Gaza. Portanto, tudo isto e mais outros factores latentes estão por detrás do que desembocou na situação actual e todos estamos a sentir na flor da pele.

RADIOGRAFIA ACTUAL
Digo que sentimos na flor da pele porque se olharmos como a nossa energia chega a nossas casas notaremos que ao longo das vinte quatro horas, da segunda-feira a domingo se registam flutuações e corte constantes. Não falo aqui de serviços de cuja dependência energética lhes custa rios de dinheiro e vidas. Muitas zonas suburbanas e rurais experimentam aquilo que chamaria ‘olhos pachorrentos dum leão doente’ para caracterizar que a qualidade baixa* que com que ela se fornece para, ocasionalmente, uma voltagem arrasadora teimar desafiar sistemas de protecção dos bens electrodomésticos e mais. Contactada a EDM, ela sempre confirmou que está na lei compensar os clientes lesados.

Na verdade, porém, põe subterfúgios desnecessários* para a devida reposição dum haver danificado (por exemplo por alteração de voltagem). A outra questão liga-se ao facto do sistema de registo, facturação e pagamento ser dos mais onerosos ao cliente. Chego a esta conclusão porque para já por ausência de capacidade de intervenção à horas* as facturas são produto de uma aritmética de cujo valor se demorar uma manha senão dia para o pagar. Não falaria também de facturas mal processadas que podia consumir o espaço que aqui me reserva. Esta situação candente merece reflexão. Se a caminharmos assim, será a EDM satisfará seus clientes? Penso que não.

Ora bem, o actual ministro a batuta do ministério da energia afirma, de tempos a tempos, e a bom som que Moçambique tem grandes recursos energéticos tanto para o uso interno bem como para vender aos outros países; no caso aos vizinhos Malawi, Zimbabué e Africa do Sul. Entao, porque não iniciar mudanças de fundo na estrutura de funcionamento desde a produção, distribuição e gestão da energia? Temos capacidade com este monopólio ir cumprindo com o desiderato de bem servir e iluminar Moçambique? Eu sinceramente julgo que não. Por mim, a EDM devia ser repartida em outras empresas*, com a parceria do sector privado, sob fito de uma capacidade de cobertura no território de seus contratos.

O FUTURO QUE SE NOS ESPERA
Falei de capacidade de cobertura no território de seu contrato para aqui ilustrar que trazendo pequenas e médias empresas traria mais-valia e o tratamento das questões da energia a um nível de gestão exequível. Aborrece ouvir duma outra empresa publica, RM, os avisos constantes sobre cortes e trabalhos a certos espaços do dia, que até fazem adivinhar que sob pano de avisar a clientela um ‘cache’ cai na bolsa de dúzia de gatos pingados lá nas rádios. A outra proposta que trago aqui seria uma chamada para a descentralização da questão da produção, distribuição e gestão da energia para as províncias. Assim podemos, a passos cadentes e calculados, iluminar e fazer sorrir Moçambique.
*Fonte referida, incluindo imagens.

MIRADOURO -19-08-2007

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