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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Há uma gritante falta de médicos

- Estatísticas indicam que, actualmente, um médico está para 30 mil doentes contra um rácio da OMS de 1/1000Moçambique continua a enfrentar uma crise aguda de falta de pessoal médico, segundo dados fornecidos na Sessão do Conselho de Ministros, pelo titular da pasta de saúde, Paulo Ivo Garrido.De acordo com os números, o País conta actualmente com apenas 889 médicos para mais de 20 milhões de habitantes o que equivale dizer que, em média, 1 médico está para 30 mil doentes.
O rácio recomendado como razoável pela Organização Mundial da Saúde é de 1 médico para 1000 habitantes, exigência que Moçambique está ainda muito longe de conseguir alcançar se tivermos em conta a actual situação da disponibilidade do pessoal médico em Moçambique.É neste contexto que, segundo informação facultada pelo Vice-Ministro da Educação e Cultura e porta voz do Governo, Luís Covane, existe já um programa concreto no sentido de ultrapassar a actual situação da falta de médicos.De acordo com o Governo e citando planos das Universidades Eduardo Mondlane e Católica de Moçambique, a partir deste ano, estes dois estabelecimentos educacionais irão formar cerca de 100 médicos/ano que serão encaminhados directamente aos distritos.
“O que falta, muitas vezes, não é o médico como tal, mas a falta de condições de habitabilidade dos médicos nos distritos. Assim, temos planos para construir casas e criarmos outras condições que irão garantir que os nossos médicos se sintam bem nos distritos” – apontou Covane.Os mesmos números indicam que, dos 889 médicos existentes, um total de 197 são estrangeiros, facto que, para o Governo, mostra que o número de médicos moçambicanos comparativamente aos estrangeiros está a subir anualmente.“No próximo ano, a nossa aposta é que cada distrito tenha um médico. Isso iremos, sim, conseguir” – garantiu.Dos 692 moçambicanos a trabalhar no País, os números indicam que cerca de 50 por cento estão a trabalhar na cidade de Maputo. (F. Mbanze) - MEDIA FAX

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Carta Aberta ao Ministro da Saúde

Por Custódio Duma - Jurista da LDH

Esta é a primeira vez que directamente me dirijo a si, por meio de uma carta aberta, pois creio que o senhor tirará tempo para analisar o que aqui pretendo fazer chegar. Escrevo-lhe porque acredito na sua capacidade pessoal e técnica no Ministério que dirige. Para mim, o senhor é um dos poucos ministros que está no lugar certo. Escrevo-lhe também para parabeniza-lo, sabendo que o senhor está incansavelmente empenhado a reformar o ministério que dirige dada a importância que tem para o desenvolvimento deste país. O que quero dizer não é sobre o Ministério entanto que tal, mas sobre o Hospital Central de Maputo, que ao mesmo tempo é um espelho bem claro do vosso trabalho e das vossas intenções. Vou começar por colocar duas situações:

Primeiro: Na última semana de Janeiro tive que levar um amigo ao hospital central, concretamente ao Posto de Socorros, já que ele tinha sofrido uma agressão física e estava a sangrar na testa. Ao entrarmos, depois de abrir a ficha e antes de chegarmos a caixa, onde devíamos fazer um pagamento de 150 Meticais, fomos interceptados por um enfermeiro que segurou o braço do meu amigo e fez-me parar. Insisti com ele que ainda não tínhamos feito o pagamento, mas ele pediu que me calasse e ficasse a espera. Parei e o meu amigo continuou com o tal enfermeiro. Percebi o que eventualmente estava a acontecer, então mandei um sms ao meu amigo informando que estava a suspeitar tratar-se de um truque para cobrança ilícita e, que se disso se tratasse ele não pagasse, ao menos que dessem recibo. Na verdade era disso que se tratava e o enfermeiro insistiu que ele deveria fazer o pagamentor senão teria que ficar a espera e não receberia o tratamento mais apropriado. O meu amigo fez o pagamento e cerca de 20 minutos depois ele estava despachado. Lamentei o facto, mas naquele momento nada podia fazer, conduzi o meu amigo a casa, pensando comigo porquê as reformas que o Senhor Ministro pretende dinamizar apresentam esse tipo de falhas.

Segundo: Uma semana depois, tive que levar uma colega à Clinica Especial, ela torceu a perna no batelão vindo da Catembe onde tínhamos um encontro sobre Direitos Humanos. A minha colega é europeia e tinha um seguro de saúde, fomos a clínica e em uma hora estava tudo pronto. Só que foi necessário receber uma vacina contra tétano, eu tive que dirigir-me a farmácia para comprar tal vacina. Coincidentemente, estava na farmácia o jovem que havia feito o Raio X da minha colega na Clínica Especial, ele acabava de largar e pretendia comprar Pó (lauriderme penso eu) para seu filho recém-nascido. Tal pó custava cerca de 170 Meticais e na hora o jovem só tinha 130 Meticais. O jovem implorava ao farmacêutico que lhe fizesse um favor e aceitasse receber o remanescente no dia seguinte. Dizia ele que havia trabalhado o dia todo e que não teve possibilidades de sair para procurar dinheiro ou ir comprar o mesmo medicamento em lugares mais baratos. Fiquei escutando a conversa por cerca de 15 minutos, mas o farmacêutico foi forte e disse que nada podia fazer. Perguntei-lhe porque é que era assim? Trabalhadores não terem algum beneficio, mesmo que isso significasse descontos no salário? A resposta foi: “olha senhor, eu também trabalho aqui na Clínica Especial, mas quando estou doente ou quando meu filho está doente não conseguimos vir até aqui. Nunca fui tratado aqui.” Olhei para a cara do jovem técnico, percebi seu desespero e ofereci-lhe duzentos Meticais. Ele comprou o Pó para o seu filho e reteve os trocos. Peguei na minha colega e conduzi-a ao hotel. Durante o percurso e até a minha casa, pensei nos dois episódios que aconteceram no mesmo hospital e em dias diferentes, todos com trabalhadores da saúde e coloquei algumas hipóteses. Pareceu-me que algumas cobranças ilícitas têm em vista satisfazer necessidades básicas dos enfermeiros, como por exemplo, comprar medicamentos para si.

Senhor Ministro, Não quero justificar práticas ilícitas dos trabalhadores de saúde, mas quero dizer que elas existem e que as suas causas devem ser muito bem estudadas para solucioná-las. Já imaginou o que é fazer cobranças ilícitas a um doente? Isso é aproveitar-se do estado de necessidade das pessoas e até certo ponto ameaçá-las ou chantagea-las pois se não faz tal pagamento pode correr riscos. Mas também, já imaginou Senhor Ministro, um enfermeiro trabalhar num hospital e não ter condições de levar seu filho para lá? Vender medicamentos e não poder ter medicamentos para si e sua família. Imagina a situação daquele jovem técnico de Raio X que queria Pó para seu filho e simplesmente não conseguiu, nem pelos seus meios nem pelo apoio do hospital e teve que se beneficiar da boa vontade dos utentes.

Senhor Ministro, Não posso continuar a fazer perguntas, pois sei que V.Excia já percebeu o cerne da questão que apresento. Gostaria somente de afirmar em jeito de fecho que, mais do que criar boas condições para os doentes, é preciso criar excelentes condições para os funcionários da saúde, para que estes, consequentemente, tratem bem aos utentes do hospital. Muito obrigado Senhor Ministro, por tirar tempo e ler esta carta! Sempre.
(Custódio Duma)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Garrido em Tete para estimular o SNS

Ivo Garrido trabalha no distrito do Zumbu
O Ministro da Saúde, Dr. Ivo Garrido, escalou ontem o distrito do Zumbu, um dos distritos mais recônditos da província de Tete, junto à fronteira com a Zâmbia, numa missão que o levará a inspeccionar no terreno o trabalho do sector que dirige. Zumbu dista da capital de Tete a 600 quilómetros, distância que por si só dá para se perceber os prováveis problemas que poderá estar a enfrentar aquele ponto de Tete.


Com efeito, informações disponíveis indicam que parte dos problemas que preocupam Zumbu derivam da sua distante localização. Por exemplo, as estradas só são transitáveis na época seca, porque no tempo chuvoso é simplesmente impossível empreender viagem para aquelas zonas.
É assim que a directora provincial da Saúde, Luísa Cumbe, descreve a visita do ministro de tutela como sendo também um momento para estimular aqueles funcionários que trabalham em pontos como Zumbu para que não se sintam abandonados.


“É, pois, uma visita que vai também transmitir novas energias ao pessoal da Saúde que não só trabalha em pontos de distantes, como também enfrenta outros tantos problemas, como seja o do alojamento, entre outros”, disse a directora da Saúde, reconhecendo depois que estes constrangimentos são, por outro lado, a grande limitante para aquilo que gostariam de fazer na prestação de saúde às comunidades. Apesar desta realidade a aposta da Direcção Provincial da Saúde de Tete para o distrito de Zumbu é melhorar a sua cobertura sanitária.


Segundo soubemos, o titular da pasta da Saúde nesta sua presença em Tete irá igualmente percorrer os distritos do planalto de Marávia e Angónia na faixa fronteiriça com ma Zâmbia e o Malawi, nomeadamente Marávia, Chifunde, Macanga e Angónia. Tete com cerca de 1800 habitantes conta com uma rede sanitária constituida por 98 unidades sanitárias distribuidas pelos 13 distritos, sendo a maior a o Hospital Provincial de Tete, agora em reabilitação para responder às actuais exigências de momento. A malária, SIDA e doenças diarreicas continuam a ser as endemias que afligem a província.


Fonte: Noticias

PS: Garrido e' um ministro comprometido com saude do povo e exemplo de 'estar' num pelouro de governacao. Mas tenho estado com muito medo que ele esteja a sofrer das mais 'abominaveis' sabotagens nos hospitais, desde o roubo de meios de trabalho e ao trabalho de mesma natureza que as clinicas privadas tem amiude e continuamente levado a cabo atraves do medicos do estado que desenvolvem actividade nessas clinicas. Ha' que atacar este problema!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Instituições públicas aguardam por dignidade: Maternidades sem energia eléctrica


Ministro da Saúde, Paulo Ivo Garrido reconhece que "mais de noventa porcento das crianças que nascem em Moçambique, nascem numa maternidade sem energia eléctrica, em condições complicadas, tanto para as mães como para as parteiras"
Em entrevista exclusiva ao «Canal de Moçambique» o Ministro da Saúde reconheceu os graves constrangimentos causados pela falta de corrente eléctrica nas unidades sanitárias no País. No entanto, Paulo Ivo Garrido preferiu concentrar as suas preocupações nas maternidades. Para ele é aí que está o «Calcanhar de Aquiles». Para elucidar o drama que se vive nas maternidades, o ministro referiu que "mais de noventa porcento das maternidades no país não possuem energia eléctrica".
Como um mal nunca vem só, para além das dificuldades de acesso às maternidades impostas por si só pelas longas distâncias que as parturientes têm de percorrer principalmente nas zonas rurais, quando as mulheres conseguem finalmente chegar a elas têm de se confrontar com um outro dilema: falta energia eléctrica para um parto seguro e de qualidade. Não são situações que o titular da Saúde não conheça. Garrido reconhece até que as crianças moçambicanas nascem em condições complicadas. Politicamente o ministro diz que o cenário deve continuar a merecer a maior atenção, mas ao mesmo tempo e curiosamente Garrido sacode a água do capote. Recorda que está em curso no País uma estratégia governamental que consiste na descentralização dos poderes, e com base nisso vai dizendo que "cabe aos directores provinciais de Saúde resolverem o problema".
O Dr. Paulo Ivo Garrido frisa: "Eu como ministro não posso estar a ver tudo o que acontece no País e resolver, pese embora eu reconheça a sua pertinência". Acrescenta entretanto que "aquele director que for incapaz de resolver o problema ai já pode expor o problema ao ministro da Saúde", sublinhou Garrido.
Quando questionado se já teria havido por parte do «MISAU» e da «Electricidade de Moçambique» algum encontro de trabalho visando tratar com profissionalismo e responsabilidade a questão de fornecimento de energia eléctrica às unidades hospitalares no País tendo em conta que um corte brusco no fornecimento de energia eléctrica pode custar a vida a alguém, Garrido foi simples e peremptório na resposta: "Nunca houve esse trabalho".
Observou contudo que esta questão não obstante o preocupar sobremaneira é necessário que seja tratada primeiro ao nível das direcções provinciais e só depois é que poderá ser encaminhada ao «MISAU – Ministério da Saúde» e só caso haja alguma dificuldade na sua resolução.
Um elevado número de unidades sanitárias que não são alimentadas pela energia eléctrica da Electricidade de Moçambique, nem sequer gerador possuem. Assim a alternativa usada para assistência aos partos durante à noite é a vela o que por outras palavras significa que o perigo de morte está sempre eminente.
Recentemente e sensivelmente uma semana depois da visita do ministro Garrido ao Centro de Saúde 1.º de Maio no bairro de Maxaquene, arredores da Cidade de Maputo, houve um corte prolongado no fornecimento de energia eléctrica. Tudo isto se passa em plena capital do país onde estão concentrados os melhores meios de que o país dispõe e onde as hierarquias do Estado continuam a expor o mais escandaloso fausto às custas do erário público e em nome da dignidade das instituições. Mas as maternidades são também instituições públicas e o que se percebe é que o governo continua a não estar preocupado nem com a sua dignidade, nem com a dignidade dos seus utentes. Alega-se falta de verba para explicar porque razão nas unidades onde nasce a moçambicanidade continua a não haver energia alternativa que possa salvar vidas. As dificuldades na prestação de cuidados de saúde aos pacientes continuam a ser remetidas para segundo plano.
Nesse dia em a maternidade do Centro de Saúde da Maxaquene funcionou com extremas dificuldades durante toda a noite que permaneceu sem energia eléctrica o cenário foi igual ao que diariamente aflige tantos outros onde o mesmo é o pão nosso do quotidiano a toda a escala nacional. Submetido o caso da Maxaquene a Garrido o ministro com a aparente calma que o caracteriza comentou que "não se pode olhar para a situação das maternidades no País tendo como ponto de partida um e outro caso". Aconselhou que se olhe para o país como um todo: "Deve-se olhar para o País como um todo. O que eu estou a dizer é que mais de 90% das maternidades no País tem problemas sérios de luz artificial". Assim, acrescenta Paulo Ivo Garrido, "mais de noventa por cento das crianças que nascem em Moçambique, nascem numa maternidade sem energia eléctrica, em condições complicadas, tanto para as mães, bem como para as parteiras".

Causas e soluções

Instado a avançar as razões e possíveis soluções práticas e imediatas para se ultrapassar este cenário verdadeiramente desolador, o ministro disse: "As razões são evidentes e todos nós conhecemos: é simplesmente a pobreza que nos coloca nesta situação". Avançando depois para as possíveis soluções acrescenta: "só trabalhando. Temos que trabalhar bastante para inverter este quadro negro. Só trabalhando é que iremos vencer", pois "nada cai do céu senão a chuva", conclui Garrido.

(Jorge Matavel e Borges Nhamirre) 

Fonte: CANAL DE MOÇAMBIQUE  / M I R A D O U R O - ACTUALIDADE NOTICIOSA - MOÇAMBIQUE - MMVII



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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Ivo Garrido defende aposta nos sistemas de saúde


Ivo Garrido
Dr. Ivo Garrido, Ministro da Saúde de Moçambique
O ministro moçambicano da saúde, Ivo Garrido, defende a aposta nas infraestruturas do sector da saúde como o factor fundamental para a melhoria dos serviços em África.

As declarações foram efectuadas em Londres onde acaba de ser lançada uma nova iniciativa denominada Parceria Internacional para a Saúde.

O objectivo é a melhoria da coordenação entre os doadores internacionais e os governos dos países abrangidos pela iniciativa.

O problema é que as iniciativas se concentram em doenças e não nos sistemas de saúde.
Dr. Ivo Garrido

Moçambique é um dos países incluídos nesta iniciativa que faz parte da Campanha Global para os Objectivos do Milénio na área da Saúde, uma área que está atrasada relativamente a outras áreas em termos do cumprimento dos Objectivos do Milénio.

Falando à BBC, Ivo Garrido afirma que esta iniciativa compromete-se a concentrar o auxílio dos vários governos e agências no reforço dos sistemas de saúde em África.

Vai fazer com que a ajuda tenha mais em conta os interesses dos países e não tanto os interesses de cada doador.
Dr. Ivo Garrido

Outra vantagem, segundo o Governante, é a concretização da coordenação entre os vários intervenientes, algo que vai ajudar a evitar desperdícios e a concentrar recursos nas áreas em que são mais necessários.

No caso de Moçambique, a nova Parceria Internacional para a Saúde vai ser um elemento fundamental para o cumprimento das metas constantes do PARPA II, o plano de acção e redução da pobreza absoluta. Fonte:BBC/Miradouro -Actualidade Noticiosa



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