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VOA News: África

quarta-feira, 18 de julho de 2012

É preciso tirar a Frelimo e o MPLA do pode

 Grande Entrevista ao Canalmoz e Canal de Moçambique  
– defende David Mendes, o “advogado dos pobres” em Angola, em Grande Entrevista ao Canalmoz/Canal de Moçambique. Ficou célebre ao processar criminalmente o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, acusando-o de crime de peculato, isto é, de se aproveitar do cargo e do Estado em proveito próprio

Moçambique e Angola são governados por ditaduras comunistas

“Durante o tempo colonial nunca tinha ouvido falar de fuzilamentos, mas o primeiro impacto depois da independência foi o fuzilamento em praça pública. Foi assim em Angola e em Moçambique também. A vida não tem valor para o MPLA e a Frelimo.”

“Não estou preocupado que da próxima vez, quando chegar ao aeroporto de Maputo, digam-me: não pode entrar. Nós temos de afastar a Frelimo e o MPLA do poder. Os indivíduos do partido comunista angolano, o MPLA, e os indivíduos do partido comunista de Moçambique, a Frelimo, devem ser afastados, para os nossos países se desenvolverem de uma forma mais democrática e equitativa.”

“Vocês aqui (em Moçambique) têm os serviços de segurança e nós também os temos, como havia a PIDE-DGS. Andam a perseguir pessoas. Não dão liberdade às pessoas. Estes têm um comportamento pior do que os colonos.”

Maputo (Canalmoz) - Manuel David Mendes, ou simplesmente David Mendes, advogado e político, presidente do Partido Popular de Angola, é conhecido como “advogado dos pobres”, mas ficou célebre ao processar criminalmente o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, acusando-o de crime de peculato.
Encontrámo-lo numa estância hoteleira da capital moçambicana e depois de muita negociação, aceitou abrir a boca e falar… e falou mesmo. Descreveu o regime de medo e exclusão social e económica, implantado em Angola pelo Governo do MPLA. Disse que Portugal está a ser colonizado por Angola, e agora é a 19ª província angolana. Criticou a comunidade internacional que está a ser silenciada pelos recursos naturais, convivendo e legitimando – e por vezes até financiando – regimes ditatoriais e corruptos em África. Quando convidado a falar de Moçambique, sem rodeios, afirmou que Angola e Moçambique são governados por regimes ditatoriais comunistas, que devem ser afastados do poder, seja nas urnas ou na rua, para permitir que os dois povos se desenvolvam. Melhor mesmo é ler a entrevista, que passamos a transcrever na íntegra em discurso directo:

Canalmoz/Canal de Moçambique (Canal): É político, advogado e activista dos direitos humanos, angolano. É também tratado por “advogado dos pobres”. Quem é David Mendes, numa auto-descrição?

David Mendes: Eu acho que sou um cidadão comprometido com o meu país, comprometido com as mudanças no meu país e particularmente comprometido com as pessoas pobres. Venho de uma família pobre, nasci num bairro pobre, cresci num ambiente de pobreza. Cheguei onde cheguei, conquistei espaço da forma que conquistei, então acho que tenho, no mínimo, a obrigação de retribuir aos meus irmãos, aquelas pessoas que sofrem, que não têm como sobreviver, que não têm acesso à justiça. Sinto a minha obrigação moral de retribuir todo o apoio que a sociedade me deu, para chegar onde eu cheguei. Numa só palavra, eu sou um cidadão comprometido com a cidadania.

Canal: Entre várias acções de notoriedade nacional e internacional que tem desencadeado em Angola, David Mendes ficou célebre ao apresentar queixa à Procuradoria-Geral da República contra o presidente José Eduardo dos Santos, acusando-o de crime de peculato, ou seja, desvio de fundos do Estado angolano para o exterior… Tem provas contra o Presidente?

David Mendes: Em África é muito arriscado questionar um chefe de Estado, e em Angola é igual. Você põe em causa a sua vida, põe em causa tudo o que projectou para si mesmo, porque estes regimes não são tolerantes. Tudo que para eles cheire à ameaça, respondem com violência e esta violência chega ao ponto de matar as pessoas.
Portanto, é um compromisso que eu assumi comigo mesmo de moralizar a sociedade. Foi o próprio presidente José Eduardo dos Santos que desafiou a sociedade. Foi ele que veio a público dizer que quem soubesse, que denunciasse, que apresentasse queixa. É óbvio que como eu sabia, como tinha provas, tomei a iniciativa. E para que não pensassem que era uma mera especulação, avancei com uma queixa-crime, e dando todos os elementos de facto para que a sociedade soubesse o que se está a passar.

Canal: O Procurador respondeu que não podia proceder à investigação, visto que a constituição angolana confere imunidade ao presidente. Ficou satisfeito com esta resposta? Não há quem julgue o cidadão José Eduardo dos Santos?

David Mendes: Na nossa qualidade de advogados, achamos a resposta do procurador inconcebível, na medida em que quem tem a capacidade de impulsionar um processo, é a procuradoria. O que a procuradoria podia ter feiro, seria pegar os factos e investigar. E confirmados os factos, remetia-os à Assembleia Nacional, pedindo a esta autorização para agir. Não se recusar. Porque quem deve investigar os factos é a procuradoria. Havendo uma denúncia de um cidadão, a PGR não pode dizer que não pode investigar.
No caso do peculato, este é um dos poucos crimes, à semelhança da traição, em que o presidente da República pode ser destituído. Não é o Procurador que destitui o presidente. Mas o Procurador, perante os factos, remete-os à Assembleia Nacional e esta deveria requerer que o presidente fosse destituído. Portanto, nós reclamamos à procuradoria.
E mais, para além de José Eduardo dos Santos, há outras pessoas que nós apresentámos como tendo cometido crimes. E se ele não investiga José Eduardo dos Santos, que investigue os outros. Depois se houver a tal conexão objectiva (com José Eduardo dos Santos), a Procuradoria remeteria o processo a quem com competência. Portanto, esta negação do procurador, para nós, é infundada.

Canal: Quer isso dizer que não desistiu do processo? Quais são os passos a seguir. O que vai fazer agora?

David Mendes: Não vou desistir. Como disse, nós apresentámos uma reclamação à PGR e se esta não responder à nossa reclamação, vamos apresentar directamente à comissão de reclamações e petições de cidadãos, onde vamos colocar a questão e, por outro lado, também, não nos inibe de irmos, quer ao Provedor da Justiça, quer directamente ao Tribunal Constitucional, por denegação da justiça. Porque sentimos que está a ser denegada justiça. A PGR ao recusar a nossa queixa, estaria a denegar a nossa queixa, por isso nós vamos continuar. Esgotados todos os mecanismos internos, é óbvio que não nos vão restar outros mecanismos que não seja recorrer à justiça internacional.

Canal: Num regime onde o presidente controla quase todas as instituições, quer seja pelo poder constitucional, quer seja pelo poder económico que detém, ao apresentar esta queixa-crime, tinha fé que pudesse avançar ou fê-lo por uma mera formalidade?

David Mendes: É preciso que ganhemos consciência de que estamos em época de mudança e ter a coragem de enfrentar um ditador. É um exemplo de mudança. Não é fácil, mas precisamos de dar exemplo à sociedade que temos que enfrentar os ditadores. Os ditadores não podem continuar a reinar sem que as pessoas façam alguma coisa. Eu me sinto nessa obrigação de fazer alguma coisa.

Canal: David Mendes é dirigente da ONG “Associação Mãos Livres”, que se bate pela defesa dos Direitos Humanos… como avalia a situação dos Direitos Humanos em Angola?

David Mendes: A situação dos direitos humanos em Angola, diria que está em dois pólos: um de desenvolvimento positivo e outro de desenvolvimento negativo. No pólo de desenvolvimento positivo há uma melhoria substancial das condições de vida das pessoas. Mas em contrapartida, há cada vez mais a limitação do exercício dos direitos políticos: São reprimidas as manifestações; Há perseguições políticas; O acesso à economia está limitado a duas famílias: a família Dos Santos e a família Vandunen. O resto é periferia. Então, quando falamos de direitos económicos e sociais, temos esses dois pólos. O acesso à economia está vedado à maioria dos angolanos e o acesso à política está vedado à oposição. 

Canal: Acha que Angola é uma democracia? 

David Mendes: Não, Angola não é um Estado democrático. Angola é um Estado de direito, porque tem normas jurídicas. Mas não é Estado democrático. É um estado de ditadura, sob capa de uma democracia multipartidária. Temos um presidente com 33 anos de poder, vai conquistar mais 5 e depois mais 5, pelo que pensa estar, no mínimo, 43 anos no poder. Você não diz que tem uma democracia quando, para ter um emprego, tem que ter um cartão do partido no poder. Quando você, para ter acesso ao crédito, tem que ter acesso ao cartão do partido no poder. Quando você não tem televisão privada, rádios privadas, quando jornais privados são todos ligados ao regime, não pode dizer que tem democracia. Você não pode dizer que tem democracia quando não tem poder de escolha. Em Angola não tem poder de escolha. Ou MPLA ou mais ninguém. Ou está com o MPLA ou é contra o MPLA. Esta é a teoria. Então quando está num país com esses limites, não pode dizer que está na democracia. A democracia não é só a pluralidade dos partidos políticos, mas sobretudo a alternância política. 

Canal: Angola é descrita como uma potência emergente regional, muito pela produção e exportação do petróleo. Até a sua cidade capital, Luanda, tem sido classificada em vários rankings como uma das cidades mais caras do mundo. Os angolanos gozam desse poder económico nas suas famílias, nos seus pratos, nas suas vidas?

David Mendes: Não existe. Existe uma promiscuidade entre o poder político e o poder económico. O poder económico e o poder político estão nas mãos da família Dos Santos e da família Vandunen. O resto é periferia. Angola é uma farsa de ponto de vista visual. Angola não tem um crescimento económico, tem crescimento de infra-estruturas. Luanda tem prédios, tem estradas em que o número de carros nem cabe, mas a periferia é uma miséria absoluta. É pior do que os países mais pobres da região. Angola tem um índice de pobreza extremamente alto. Luanda não tem água, não tem saneamento de meio base. As pessoas vendem uma falsa imagem de Angola. Aquilo que as pessoas vêm na televisão, é uma falsa imagem. Angola de verdade é uma Angola de miséria, onde a maioria das pessoas vive numa situação de miséria. O índice de crescimento económico do país, não é o índice de crescimento do bem-estar da população. Porque é grande a disparidade entre os burgueses, entre os detentores do dinheiro, os endinheirados e não ricos, porque Angola não tem ricos, mas tem endinheirados, que roubam dinheiro público e agora estão a comprar Portugal. Portugal se transformou na 19ª província de Angola. Porque há um grupo de endinheirados, dirigidos pelas famílias Dos Santos e Vandunen, que usam dinheiro público como se fosse sua lavra e fazem do dinheiro do Estado aquilo que lhes apetece.

Canal: Já disse que a “pobreza extrema é pior que no período colonial”, como explica isto agora que os angolanos aparentemente têm mais acesso à saúde, à educação, ao emprego, a infraestruturas sociais melhoradas?

David Mendes: Você sabe quantos chineses estão a trabalhar em Angola? Você sabia que quem ocupa a construção em Angola são chineses? Os angolanos não têm acesso à construção civil… até trabalhos básicos são tomados pelos chineses. Sabia que os portugueses retomaram todos os restaurantes e hotéis? Mais de 120 mil portugueses estão em Angola. Qual é o acesso que o angolano tem ao emprego. Não há uma estatística real para que se possa dizer que o angolano tem acesso ao emprego. É tudo mentira, tudo uma fantasia. O angolano não tem emprego. Antes se dizia que o problema do angolano era o fraco nível de escolaridade. Hoje Angola tem mais de 8 universidade privadas. Hoje tem centenas de jovens com licenciaturas em Angola e fora do País, mas não tem emprego. Mas o chinês e o português e o brasileiro chegam e têm o seu emprego e futuro garantido, que o angolano não tem.
Quando falamos que o angolano vive mal, dizem: “mas tem telemóvel”. Não há retrocesso no espaço e no tempo. Nós falamos é da comparação do nível de vida entre os governantes e os governados. No tempo colonial, o governado tinha um nível de vida não muito abaixo do governante, hoje, o governado está numa situação de milhares de quilómetros do governado. E mais, no período colonial, o governado tinha acesso ao governante. Entre nós, o governado não tem acesso ao governante. Há uma barreira. José Eduardo dos Santos sai à rua com uma segurança de mil homens. A cidade fica sitiada. Vê-se que não há uma relação entre o governante e o governado. No tempo colonial, não havia isso. No tempo colonial podia não comer a carne, mas tinha acesso ao peixe. Hoje você nem tem acesso ao peixe. Por isso, não pense que ter um telemóvel é sinal de estar a viver melhor do que no período colonial. Não! Os padrões de comparação são diferentes.

Canal: Isso não é saudosismo?

David Mendes: Não, não pode ser saudosismo porque quando Angola se torna independente eu tinha apenas 15 anos. Não posso ter saudades de coisas da infância. Não se diferencia muito a forma, por exemplo, de ter acesso ao ensino. Eu tive acesso à faculdade de direito porque tive o aval da JMPLA (Juventude da MPLA). Então, a discriminação é igual.

Canal: Esta discriminação continua hoje?

David Mendes: Hoje a discriminação é económica. Você para ter acesso à faculdade de direito é quase impossível. Na faculdade pública há mais de 10 mil concorrentes para 100 vagas. E nas universidades privadas você tem que pagar 250 a 350 dólares por mês. Só tem acesso aquelas pessoas cujos pais têm poder económico. Os que os pais não têm poder económico, não têm acesso à educação. Por isso está aí a discriminação. É visível…
Hoje em Angola ainda se estuda debaixo das árvores. Não vai dizer que no tempo colonial também estudavam debaixo das árvores. Era diferente. As condições económicas são diferentes. Angola é o segundo maior produtor de petróleo em Africa. O que nós fazemos com o dinheiro do petróleo? Para melhor controlar o petróleo, José Eduardo criou um fundo de petróleo, onde pôs um dos seus filhos como gestor? O que você está à espera? De um regime que não tem outro parâmetro de comparação senão a ditadura colonial, e ditadura muito extrema.
Se a PIDE-DGS andava atrás das pessoas, os nossos serviços de inteligência fazem a mesma coisa. Hoje todo o mundo tem medo de falar ao telefone, tem medo de andar em grupo… vivemos sob um regime de terror. Isso é pior do que o colonialismo. Eu era criança até aos meus 15 anos quando chegou a independência, e não se vivia sob terror. Hoje qualquer criança tem medo. Se o presidente estiver a sair, todos têm medo de vir à rua porque podem levar um tiro. O que é isso? É uma ditadura absoluta!

Canal: Em batalhas democráticas, a opinião da maioria é que conta. Estará a maioria dos angolanos farta do regime do MPLA? O que acha? E se realmente as pessoas estão cansadas do MPLA, porquê não retiram o MPLA do poder, por mecanismos constitucionais: o voto? 

David Mendes: A vontade popular pode ser manipulada. Estas são maiorias absolutas como as de Mubarak, ex-presidente do Egipto que ganhou as últimas eleições com mais de 90% dos votos, mas não terminou o mesmo mandato porque foi deposto pela população.
Quando você em época de campanha distribui dinheiro pelas pessoas, sem justificar de onde esse dinheiro sai. Quando em época de campanha força as autoridades tradicionais a vir ao seu comício, dando bicicletas, para lhes comprar a consciência, isso é manipulação, não é vontade da maioria. A maioria é impedida de exprimir a sua vontade. E se virmos, por exemplo, os próprios intelectuais têm medo de se exprimir. E se os intelectuais têm medo de se exprimir, o que espera de um vendedor da rua, de um cidadão simples?
Então, são vontades manipuladas. Há dias o MPLA disse que faria uma festa de milhões. Obrigaram as pessoas a ir ao comício. Obrigaram os alunos a ir ao comício, fecharam escolas, fecharam mercados, obrigaram as pessoas a irem para o estádio com as camisolas de José Eduardo e do MPLA. É uma maioria forçada, não é uma maioria de consciência.
Abra a televisão pública, a TPA, para ver o que há-de assistir. “O MPLA é que fez, o MPLA é que fez”. É tudo manipulação. O Estado não existe, não é o Estado que fez, é o MPLA. O Estado foi capturado pelo MPLA.
  
Canal: Existem estudos que mostram que em Moçambique e em Angola os partidos no poder, a Frelimo e o MPLA, respectivamente, capturaram o Estado. Por exemplo, as cerimónias do partido, aqui, são mais organizadas do que as do Estado. Nota-se isso em Angola? 

David Mendes: Nós estamos num Partido-Estado. O Estado é o MPLA. Não podemos ter receio de dizer isso. O MPLA tem primazia em tudo. Uma actividade do MPLA pára o país. Por exemplo, o dia 10 de Dezembro do MPLA é superior ao dia 17 de Setembro, dia do herói nacional. O aniversário de José Eduardo dos Santos é superior mais do que as festas do dia da independência. Está aí essa promiscuidade entre o partido e o Estado. 

Canal: David Mendes é político, inclusive já foi ministro no Governo do MPLA, mas decidiu sair do governo, agora age em defesa dos Direitos Humanos, é advogado bem-sucedido. Porque decidiu sair do Governo para a oposição? Há também quem o acuse de estar a usar a política para ganhar influência como advogado privado, é o caso de Bento Kangamba…

David Mendes: Bento Kangamba é um indivíduo que não tem nível. Bento Kangamba é uma das pessoas que não pode justificar o dinheiro que tem. Onde encontrou o dinheiro que tem? Não tem nenhuma fábrica, não tem indústria, não tem nada.
Eu vivo como advogado. A minha actividade remuneratória é de advogado. É de lá onde tiro o meu ganha-pão. Como activista dos direitos humanos, presto parte do meu tempo, senão mesmo a maior parte do meu tempo, nesta causa. Porque é um problema de uma causa. E nós os intelectuais não podemos nos abster das causas. O que eles querem é que eu me abstenha das causas. Eu não recebo do Estado. Vivo do meu dinheiro, dinheiro que eu ganho com muito sacrifício. O nível de vida que eu tenho, é graças ao meu empenho, graças à minha dedicação.

Canal: E então porque saiu do MPLA para militar na oposição?

David Mendes: É a minha forma de poder manifestar o meu descontentamento, de poder demonstrar que devemos mudar. Não é todos nos emprenhar no MPLA à espera duma benesse, à espera dum cargo, à espera de não sei o quê… É isso que Bento Kangamba não interpreta. Porque ele fora do MPLA não sobreviveria, então ele pensa que todos nós temos que estar no MPLA, como forma de transformar este Partido-Estado num partido que perdure por todo o sempre. Mas nós não estamos para servir um regime caduco. Nós estamos para derrubar este regime. E vamos derrubar este regime nas urnas ou na rua. De alguma forma nós vamos derrubar este regime.

Canal: É público que David Mendes tem sofrido ameaças e perseguições, e numa dessas entrevistas foi citado a dizer que isso resulta do “facto de continuar a resistir a negociar o silêncio”. O que é negociar o silêncio?

David Mendes: Negociar o silêncio é a prática de regimes corruptos como o nosso. Dão-te um valor económico elevado e você deixa de falar. É assim que calam jornalistas. É assim que calam activistas. Oferecem-te um bem material e tu largas a causa. Eu não estou a negociar o meu silêncio. Eu estou para lutar pela causa. Sejam quais forem as consequências.

Canal: Já lhe foi proposto algum bem em troca do seu silêncio, alguma vez?

David Mendes: Eu já denunciei isso, as tentativas de corrupção.

Canal: Há casos concretos que tem e pode mencionar?

David Mendes: Temos… e estamos a dizer que nos próximos dias vamos publicar um relatório onde tudo isso virá. Nomes e o que fizeram, incluindo jornalistas.

Canal: Não aceita mencionar em primeira-mão alguns nomes e casos concretos aqui?

David Mendes: Não, eu quero deixar. Eu vim aqui para repousar por causa de muito stress. Felizmente tenho muitas amizades aqui que me podem proporcionar algum conforto, aqui em Moçambique, longe de Angola. Vim para ganhar fôlego, sair daqui um pouco mais sereno e preparar o nosso próximo passo. Mas nós vamos publicar o nosso relatório sobre os escândalos em Angola, desde financeiros até narcotráficos e outros.
Os recursos tornam arrogantes os governos corruptos e vocês vão sentir isso
Canal: “Faz parte dos genes do regime ganhar com fraude e perpetuar-se no poder a qualquer custo nem que para isso tenha de hipotecar todo o petróleo para calar a comunidade internacional…”, são suas palavras numa entrevista ao “Folha 8”. Qual acha que é o papel da comunidade internacional em Angola?

David Mendes: Fui muito claro na minha carta ao presidente Obama, onde dizia que o petróleo não pode falar mais alto que a liberdade das pessoas, que a democracia. Angola usa o petróleo como meio de chantagem e as nações calam-se diante de petróleo.
No encontro que tive também com a chanceler alemã (Angela Merkel), em Angola, transmiti isso, que o petróleo não pode calar as grandes nações. No mínimo, ela garantiu que tudo faria para que a força do petróleo não calasse a Alemanha, mas países como Portugal, por exemplo, Brasil, e outros, a força do petróleo, cala essas nações. A União Europeia está a vergar perante o poder do petróleo de Angola.

Canal: O que pensa dos estados ocidentais que nos seus países não toleram dirigentes corruptos, ditadores e arrogantes, mas em África, e Angola especificamente, se aliam a um regime com evidências suficientes de ser antidemocrático?

David Mendes: É a tal política de petróleo, política de recursos. E acredito que actualmente Moçambique vive como vive porque depende muito da comunidade internacional, mas vocês hão-de sentir os efeitos de petróleo. Vocês hão-de sentir os efeitos dos recursos; Como o petróleo torna os governos arrogantes. É o caso de Angola. Os outros países como querem os benefícios dos recursos, deixam-se calar.

A “Princesa Isabel” (dos Santos) está a comprar tudo em Portugal… Angola está a colonizar Portugal

 
Canal: Como descreve a relação entre Angola e Portugal?

David Mendes: Hoje eu diria que Angola está a colonizar Portugal. Portugal para Angola é a nossa 19ª província. Porque a “Princesa Isabel (filha de José Eduardo dos Santos) está a comprar tudo em Portugal e Portugal está de joelhos para Angola. Portugal tem em Angola a sua subsistência. O futuro de Portugal passa por Angola. Por isso Portugal é agora a 19ª província de Angola.

Canal: Desde 25 de Abril de 1974, com o fim da monarquia em Portugal, já houve mudança de regimes inúmeras vezes. Em Angola são sempre os mesmos a governar. Acha que o povo angolano é especial, não gosta de mudar os seus políticos como faz o povo português, por exemplo?

David Mendes: Não. O povo angolano não é povo especial. Isso é o que eles dizem, a ditadura. Mas se os angolanos fossem um povo especial, José Eduardo dos Santos não precisava de sair à rua com mil homens. Tem medo de quê? Faz o que faz porque ele sabe que não é querido. O povo é obrigado pela ditadura.
Se somos um povo especial, é porque somos um povo que estamos a ser corrompidos pela música e pelo álcool.
Sabe quanto se paga em concertos musicais em Angola? Muito dinheiro… e sabe porquê se paga isso? Para entreter o povo e evitar que se revolte. Vocês se assistem podem ver que a televisão angolana começa e fecha com Kuduro, que é musica e dança. Isso é para alienar os jovens. Música e álcool é o que se faz em Angola. Não é porque somos um povo especial, é porque somos um povo que estamos a ser corrompidos pela música e pelo álcool. Isso faz com que esqueçamos, por um momento, dos nossos problemas, mas não porque o povo seja especial. Nós queremos a mudança e um dia vamos mudar.
Quando começaram as manifestações, primeiro foram três pessoas, depois 10 e depois 50 e hoje até indivíduos das forças de segurança, se manifestam. Porque não somos um povo especial.
Se ler os jornais oficiais, o meu nome aparece sempre como pessoa que está agitando, mas eu não agito. Eu sou apenas o exemplo de uma pessoa livre e estou preparado para por esta liberdade pagar com a própria vida, porque estamos a lidar com um regime que quando não compra a sua consciência, elimina-te fisicamente.

Luanda é um contentor de lixo
 
Canal: Angola tem mais de meia centena de ministros e vice-ministos. Sabendo o grande fardo que um ministro representa para o Estado, julga isso necessário num país onde há mulheres e crianças que morrem em partos caseiros por falta de maternidades?

David Mendes: Não é com a existência de meia centena de ministros que se pode demonstrar que há competência. Há compadrio. O nepotismo. É tudo no seio da família. Vão ocupando todos os ministérios para ocupar todos os espaços.
Mas o aberrante nem é isso. Você tem uma pediatria onde põe três crianças na mesma cama, mas estás a construir um monstro que é a futura Assembleia Nacional. Não há dinheiro para construir hospitais, mas há dinheiro para construir Assembleia da República, que é um monstro igual ao Capitólio americano. Você não teve dinheiro para construir uma universidade, mas por causa do CAN construiu 4 estádios que agora estão aí a adormecer sem nenhum valor. No Afrobásquete construiu 5 pavilhões, que estão aí a adormecer sem nenhum valor. Quer dizer, não se investe nas áreas prioritárias como educação e saúde.
Com tanto espaço que tem Luanda e Angola, você está a afastar o mar porque quer construir na Marginal. Quer fazer da Marginal algo moderno, enquanto não tem saneamento básico a menos de 5 quilómetros da cidade. Enquanto a própria cidade de Luanda não tem iluminação. Quer dizer, você tem hábitos ocidentais, quer mostrar uma cidade ocidental, quando na verdade você vive numa miséria absoluta. Luanda é um contentor de lixo.
Não fomos capazes de resolver problemas de saneamento de base, problemas de lixo, mas vê prédios de luxo a levantar, para acomodar o mesmo grupo de famílias e agora também, infelizmente, a alguns portugueses.

Canal: A sua vida política, como vai? O Tribunal Constitucional angolano rejeitou  centenas de assinaturas apresentadas pelo Partido Popular liderado por si. As eleições são já em Agosto…

David Mendes: Até ao momento que eu lhe falo, tive o último contacto com Luanda hoje e até aqui ainda não decidiram o futuro do meu partido. Quase todos os partidos já se decidiram qual é o futuro, uns participam, outros não. Mas seja qual for o resultado que vier, nós vamos continuar na política. Porque até hoje nós fizemos a política fora do Parlamento. Por isso nada nos vai prejudicar continuar a fazer política fora do parlamento. Concorrendo como não, entrando como não no parlamento, nós vamos continuar a fazer política.

Canal: Já disse “todos nós que nos assumimos publicamente que não somos do MPLA e que lutamos com todo o nosso esforço e inteligência para implantar em Angola um verdadeiro Estado Democrático e de Direito… somos tratados como angolanos de segunda”. Como explica isto, com factos?

David Mendes: Nós os que não fazemos parte do regime, as pessoas até têm medo de conviver connosco. Imagina, assaltam a sede do meu partido apresento a queixa à polícia e a polícia não se digna sequer a mandar alguém da polícia de investigação para apurar. Imagina um grupo de pessoas, que a coberto da televisão, vai à minha casa para se manifestar. Imagina o que é fazer manifestação numa casa de um cidadão, a coberto da televisão. A polícia é chamada a intervir, aparece, prende os ditos líderes da manifestação, mas quando vou à polícia, já os libertaram. Vão à minha casa queimam a minha viatura, e a polícia nada diz. O que é que se espera como resultado disso? É que se fosse cidadão da primeira, tudo isso não aconteceria, mas como somos a periferia…

Canal: Disse que há angolanos por conveniência, mas que basta atravessarem as fronteiras angolanas já são portugueses, brasileiros, russos… Quem são esses?

David Mendes: Os ditos empresários angolanos. Todos eles têm dupla nacionalidade. Saem contigo como angolano e chegam lá fora já são portugueses. Entram como angolanos e saem como portugueses. Só são angolanos porque Angola lhes dá recursos económicos. Angola para eles é só a fonte da riqueza….

Canal: Que são esses “eles”? certamente que tem nomes…

David Mendes: A família Dos Santos e a família Vandunen. São as duas famílias que dominam o país. E são as duas famílias que estão com cordão umbilical em Portugal, São Tomé, Cabo Verde, Guiné.

Moçambique e Angola são ditaduras comunistas

Canal: Certamente que sabe um pouco de Moçambique, este país irmão de Angola. O que acha que os dois países têm de comum, para além da história de um colonizador comum?…

David Mendes: É a simpatia. O povo moçambicano é simpático. É um povo espontâneo. É igual ao povo angolano. Os nossos regimes políticos não alteraram nada a forma de estar dos povos. Venho para Moçambique muitas vezes e não sinto muita diferença de Angola. Mas temos, como defeito, duas ditaduras. A vossa é talvez mais branda, menos violenta, ao que parece. A vossa aqui pelo menos engana que permite que haja jornais privados, rádios e televisões privados, mas a nossa nem sequer isso permite. E isso é próprio de regimes comunistas. A Frelimo é um partido comunista. O MPLA é um partido comunista. Embora venham agora com capa de socialistas, isso é uma farsa, são partidos comunistas. O seu comportamento é um comportamento do centralismo democrático, da obediência, do grande líder. Quanto o grande líder fala, o resto é periferia. Então, são dois regimes comunistas, que estão a governar de forma ditatorial, sem capacidade de desenvolver as duas nações. E se eles não saírem do poder, isso vai fazer com que os nossos países fiquem cada vez mais atrasados.

Os que nos libertaram acham que têm o direito de nos explorar porque nos libertaram

Canal: Há quem diga que há necessidade dos povos africanos se libertarem dos seus libertadores. Argumenta-se que os actuais dirigentes estão a agir da mesma forma como os colonos. O colono apenas mudou da cor, de branco para preto, mas o jugo continua… partilha da mesma opinião?

David Mendes: Os nossos libertadores, do MPLA e da Frelimo, pensam que nós temos uma dívida com eles. E nos fazem sofrer porque nos libertaram. E eles acham que têm o direito de nos explorar porque nos libertaram. Mas nós não lhes mandamos ir para as matas. Eles foram de consciência.
Vocês aqui têm os serviços de segurança e nós também temos, como havia a PIDE-DGS. Andam a perseguir as pessoas. Não dão a liberdade às pessoas. Estes têm um comportamento pior do que os colonos.
Durante o tempo colonial nunca tinha ouvido falar de fuzilamento, mas o primeiro impacto depois da independência, foi o fuzilamento em praça pública. Foi assim em Angola e em Moçambique também. A vida não tem valor para estes (MPLA e Frelimo. Matar foi a coisa mais natural. Estes nossos libertadores não têm a noção do mal que nos fazem.

Temos que afastá-los do poder para os nossos países se desenvolverem

Canal: Acredita que estes regimes podem mudar?

David Mendes: Nós temos que afastá-los do poder para os nossos países se desenvolverem. Eu não estou preocupado que da próxima vez, quando chegar no aeroporto de Maputo digam: não entre. Nós temos de afastá-los do poder. Os indivíduos do partido comunista angolano, o MPLA, os indivíduos do partido comunista Moçambique, a Frelimo, devem ser afastados para os nossos países se desenvolverem de uma forma mais democrática e equitativa. Não há outra maneira.

É preciso não ter medo

O nosso medo é a prosperidade deles. A nossa consciência de luta é o recuo deles. Então ganhemos consciência de luta. Temos que lutar pela nossa dignidade, pela dignidade do povo moçambicano, pela dignidade do povo angolano. 

Canal: O que deixa de mensagem para os moçambicanos que lutam para a edificação de uma sociedade mais justa?

David Mendes: É preciso não ter medo. Isso é importante. É preciso que cada um de nós se sinta livre. E se nós nos sentirmos com medo, não vamos a lado nenhum. Eles fazem com que vivamos no medo para não reivindicarmos os nossos direitos. É esse o grande problema.
Tal como em Angola, aqui vejo indivíduos com carros de grande cilindrada, mas quando vamos à periferia estamos a ver miséria. Mas que governantes são esses que não sabem que com o preço daquele carro poderiam pôr medicamento nos hospitais?
Que governantes são esses que não pensam que com o preço desses carros deveriam construir escolas? A sociedade deve reagir.
Infelizmente o povo procura os líderes e os líderes são intelectuais. É preciso que os intelectuais não se deixem intimidar. É preciso que os intelectuais assumam o seu papel de lutadores por uma causa. Os professores universitários, eu fico triste quando os vejo a fazer bajulação ao regime. Eles devem ser formadores de consciência, mas vejo professores universitários que são bajuladores…
Meus irmãos, tal como em Angola, eu digo: temos que combater o medo, temos de nos libertar desses ditadores que querem que nós vivamos sob o medo para que eles possam progredir. O nosso medo é a prosperidade deles. A nossa consciência de luta é o recuo deles. Então ganhemos consciência de luta. Temos que lutar pela nossa dignidade, pela dignidade do povo moçambicano, pela dignidade do povo angolano. É esta dignidade que fará com que os povos possam progredir.

Canal: Últimas palavras….

David Mendes: Para finalizar quero dizer que nada me calará, talvez só a morte me calará. E que fique bem claro, eu não me exilo, vou continuar a viver em Angola. Queira José Eduardo dos Santos ou não eu vou continuar a falar. Ou então use outros mecanismos: que me mande matar.

Peculato: o que é?

Peculato é o facto do funcionário público que, em razão do cargo, tem a posse de coisa móvel pertencente à administração pública ou sob a guarda desta (a qualquer título), e dela se apropria, ou a distrai do seu destino, em proveito próprio ou de outrem”.
O artigo 312 do Código Penal tipifica o peculato como:
Crime de apropriação por parte do funcionário público, de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou privado de que tenha a posse em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio. Além de, não tendo a posse, mas valendo-se da facilidade que lhe proporciona o cargo, subtrai-o ou concorre para que seja subtraído para si ou para alheio.

Há três formas de peculato 
Peculato-apropriação, o funcionário público se apropria do dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou partícular de que tem o agente a posse em razão do cargo; 
Peculato-desvio, o funcionário público aplica ao objecto material destino diverso que lhe foi determinado em benefício próprio ou de outrem; 
Peculato-furto, o funcionário público não tem a posse do objeto material e o subtrai, ou concorre para que outro o subtraia, em proveito próprio ou alheio, por causa da facilidade proporcionada pela posse do cargo.
(Borges Nhamirre /Canalmoz / Canal de Moçambique)

PRM confirma detenção de filho de um general da polícia

Em Beleluane, distrito de Boane, Maputo  

Carlitos Rungo faz parte do grupo que raptou Samir Nishar. Terá sido detido apenas ontem porque no sábado foi visto num restaurante de Maputo

Maputo (Canalmoz) - Depois de ter dito que não sabia que a detenção de quatro indivíduos e a apreensão de duas viaturas na operação de Beleluane, estava relacionada com o casos do rapto de Samir Nishar, finalmente a Polícia da República de Moçambique (PRM) admitiu ontem, embora de forma distorcida, que realmente a detenção de cinco individuos, dentre os quais “um filho de um adjunto de comissário da Polícia”, está relacionado com os casos de rapto nas cidades de Maputo e Matola.
A Policia não disse o nome do jovem filho do general, mas o Canalmoz sabe que se trata de Carlitos (Litos) Rungo.
O porta-voz do Comando Geral da PRM, Pedro Cossa, disse ontem que cinco indivíduos tinham sido detidos, um deles filho de “um adjunto da Polícia e não general” na posse de “13 mil contos em meticais e não 950 mil meticais ou dólares norte-americanos”.
A Polícia não revelou o nome desse adjunto de comissário da Polícia que na verdade é um primeiro adjunto de comissário (uma categoria equivalente a general), nem o nome do filho que está entre os cinco detidos.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Secretário-geral da Renamo inicia visitas às bases em todo o país

Manuel Bissopo.
O novo secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, iniciou ontem as suas visitas de trabalhos às bases daquele partido nas províncias, escalando a cidade de Quelimane, província da Zambézia.
Logo no seu primeiro dia de trabalho, Bissopo tratou de remodelar a estrutura política da Renamo naquele ponto do país, nomeando Abdala Ossifo como delegado provincial e o deputado Latifo como representante ao nível da cidade.
Hoje, o secretário-geral vai dirigir um comício popular na cidade de Quelimane. (OPais)

Munícipes da Matola ameaçam marchar e deixar de pagar taxa de lixo

Mais uma vez Nhancale “entre a espada e a parede”  

Maputo (Canalmoz) – Mais uma vez o lixo (não recolhido) está a colocar o Conselho Municipal da Matola – dirigido por Arão Nhancale – em rota de colisão com os munícipes. O município é acusado de incompetência e desleixo. O lixo está a tomar conta da cidade. Os munícipes vivem irritados de tal sorte que chegam a ponderar a possibilidade de marchar até ao gabinete de Arão Nhancale, tal como fez a população de Tchumene a semana passada quando foi reclamar a falta de parcelamento do seu bairro.
Os munícipes ameaçam deixar de pagar a taxa de lixo, uma vez que, mesmo pagando a referida taxa, o lixo não é removido.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quando os direitos e status quo se cruzam

Dom no outdoor

Fama & infamia

Frelimo “assalta” evento e promove pré-campanha eleitoral

  VII Festival Nacional de Cultura  
Nampula (Canalmoz) – Mais uma vez o partido Frelimo está a usar dinheiro do Estado para fazer política partidária e mais uma vez o presidente da República e do partido Frelimo, Armando Guebuza apadrinhou tais práticas, desta vez ao presidir à abertura do VII Festival Nacional de Cultura que decorre na cidade de Nampula desde terça-feira, sob propósito da “preservação e manutenção da unidade nacional”.
Posto em marcha o festival, o partido Frelimo, de que é presidente o chefe de Estado, açambarcou o evento e os espaços concebidos para acolher as mais diversas actividades e manifestações culturais e tudo ficou colorido com as cores do “batuque e da maçaroca” preterindo-se as cores nacionais, remetendo-se para segundo plano ou levando praticamente a ignorar-se o propósito essencial do evento, isto é tudo o que é susceptível de fazer crer que de facto se estava num momento de promoção do que deve unir os moçambicanos. Em suma o que se viu é tudo menos a promoção da unidade nacional.

Mas não foi só no acto de abertura que isso sucedeu. Ao meio-dia de ontem o Canalmoz visitou a feira do Artesanato, mesmo em frente ao Pavilhão dos Desportos de Nampula, que pertence aos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e testemunhámos a venda de material propagandístico da Frelimo no recinto.
Vende-se quase de tudo de propaganda da Frelimo, desde camisetas, bonés a capulanas. Os preços rondam entre os 150,00Mt e 650,00Mt.
No local, alguns cidadãos manifestavam a sua indignação contra o  uso e abuso do festival para fins particulares do partido Frelimo, mas alegavam em surdina não poder fazê-lo publicamente para não virem a sofrer represálias nos seus postos de trabalho. Está-se afinal de contas mais num momento de evocação do partido Frelimo do que propriamente da nação moçambicana e da sua diversidade cultural. E simultaneamente ao evocar-se a unidade nacional teme-se represálias. Sendo a maioria dos empregadores em Nampula instituições públicas ou empresas detidas na sua maioria por membros da Frelimo, a indignação popular é vivida praticamente na clandestinidade com os comentários críticos a sucederem-se “entre dentes”.

Ouvimos e registámos no local vários desabafos, como são o caso: “este partido está pior e a Renamo tem razão quando diz que a Frelimo anda a levar tudo”; “Não havia necessidade nenhuma de trazer aqui roupas e outro material de propaganda da Frelimo para vender”.
O evento, ou seja, o VII Festival Nacional de Cultura, está a ser um meio pelo qual a Frelimo está claramente a proceder a pré-campanha eleitoral ao nível de Nampula [NR: vai haver eleições autárquicas em 2013 e legislativas, presidenciais e regionais em 2014], bastando notar que o presidente do partido Frelimo, Armando Guebuza, autorizou, no distrito de Nacarôa, a participação nesta fase nacional, de grupos que durante a fase provincial ocuparam o segundo e terceiro lugares, o que automaticamente os afastaria por concurso de estarem na fase final. Mas a campanha do partido Frelimo recorrendo a bens do Estado fala mais alto… (Aunício da Silva)


MDM REVITALIZA-SE NA PERSPECTIVA DAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES EM NAMPULA

A delegação política do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), em Nampula, encontra-se empenhada num processo de revitalização das suas estruturas a vários níveis, não somente nas cidades e vilas autárquicas, como também em todos os distritos desta província, um trabalho que se insere, fundamentalmente, na preparação deste partido para os próximos pleitos eleitorais.

OPEP prevê queda na procura de petróleo

A procura mundial de petróleo vai continuar a desacelerar, devido ao contexto económico e a alterações de consumo. É a opinião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que, no relatório mensal, mantém quase inalteradas as previsões da procura para este ano e antecipa uma ligeira subida no próximo.
Maputo, Sexta-Feira, 13 de Julho de 2012:: Notícias

Seul concede 18 milhões de dólares para a formação vocacional

OS Governos de Moçambique e da Coreia do Sul mantiveram ontem, em Maputo, negociações bilaterais que culminaram com a assinatura de três importantes acordos que visam contribuir para acelerar o desenvolvimento económico e social do país.
Maputo, Sexta-Feira, 13 de Julho de 2012:: Notícias

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Interesse no gás natural leva PM sul-coreano a Moçambique

Numa visita de três dias.
A Coreia do Sul pretende instalar no país uma empresa de prospecção e exploração de gás natural para abastecer o mercado asiático. Em troca, Moçambique espera ganhos na área da ciência e tecnologia.
Não podia ser outra coisa, senão o gás: este é o grande interesse que move o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik, a deslocar-se a Moçambique para um encontro de negócios com as autoridades moçambicanas, representadas pelo Ministério da Energia, com envolvimento directo dos técnicos da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos - ENH.
A visita é de três dias e a agenda é de negócios, em particular.
Assim, o governante sul-coreano chegou na manhã de ontem a Maputo, naquela que constitui a sua primeira visita de trabalho ao país.

“Contratempo” leva os investidores da “Pathfinder” a abandonarem o país

  Areias Pesadas de Muebase, em Pebane, na Zambéia  

O projecto estava “praticamente abandonado”, na Zambézia, mas o Governo, em Maio, tinha anunciado a retomada do processo de exploração para “dentro em breve”. Prometera que em Junho último seria apresentada, pelos investidores, a cronologia das actividades a serem levadas a cabo, mas tal não aconteceu. O contencioso entre a Pathfinder britânica e o general Jacinto Veloso, acabou chegando agora ao extremo de levar o projecto a colapsar. Os investidores abandonaram o país.

Maputo (Canalmoz) - Dois meses depois de o Governo da Zambézia ter anunciado que em Junho passado seria o mês em que a empresa concessionária das minas de Areias Pesadas de Muebase, no distrito de Pebane, a “Pathfinder Moçambique”, apresentaria o cronograma das actividades a serem desenvolvidas no terreno, com vista à exploração da mina, eis que é anunciada uma surpresa: nenhuma actividade vai acontecer. Um contencioso entre o general Jacinto Veloso e os sócios britânicos da “Pathfinder Plc” levou ao abandono do projecto. Ambas as partes têm estado a acusar-se mutuamente e a consequência é esta.
O director Provincial dos Recursos Minerais na Zambézia, Almeida Manhiça, veio dizer nesta terça-feira, em declarações ao Canalmoz, que “houve um contratempo dos investidores que decidiram abandonar o país”.

Boletim sobre o processo político em Moçambique nº 50: pressão para o comércio de carbono

Já está disponível a Edição nº 50 do Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique, editado pelo jornalista britânico e investigador da Open University, Joseph Hanlon; e publicado conjuntamente pelo Centro de Integridade Pública (CIP) e pelos Parlamentares Europeus para a África (AWEPA). Este número tem como enfoque o mercado dos créditos de carbono.
Com efeito, companhias que se dedicam a vender créditos de carbono gerado pelas reduções de emissões de carbono devidas à reduzida desflorestação, requereram direitos sobre um terço de Moçambique. Mas o Ministério para Coordenação da Acção Ambiental (MICOA) está a resistir à pressão das companhias, do Conselho de Ministros e do Banco Mundial para acelerar o processo.

O Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique pode ser descarregado no ficheiro em anexo ou directamente acedido pela seguinte hiperligação: http://www.cip.org.mz/bulletin/pt/.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Guebuza preocupado com altos índices de criminalidade em Nacala-Porto

Fim de presidência aberta em Nampula.

Mesmo assim, o PR diz-se satisfeito com os níveis de desenvolvimento daquela província.
O chefe do estado, Armando Guebuza, destacou entre as grandes preocupações daquela cidade portuária o elevando índice de criminalidade reportado pela população no comício popular que orientou ainda manhã de ontem, no campo dos eucaliptos da zona alta daquela cidade costeira.

Atendimento clínico à venda no Hospital Central de Nampula


Paga-se por fora para se ser atendido e durante os fins-de-semana os serviços de urgência são ainda mais caros. Para ter uma assistência médica o paciente vê-se obrigado a pagar uma taxa que anda entre os 100,00 meticais e 350,00mt.

Nampula (Canalmoz) – A prestação de serviços aos utentes no Hospital Central de Nampula, HCN, não está nada fácil. Para que um cidadão seja atendido devidamente tem de pagar por fora. Para os bolsos de muitos cidadãos trata-se de valores elevados.
Na verdade, para que um cidadão goze de assistência hospitalar no Hospital Centralde Nampula, uma unidade do Serviço Nacional de Saúde, vê-se obrigado a pagar aos agentes no atendimento para conseguir alcançar um técnico de saúde ou um médico de serviço.
A situação é muito grave que os utentes com poucas posses que agora já reclamam de viva voz. Denunciam que quando chegam ao hospital os serventes apenas olham para eles mas não tratam dos doentes. Só pagando-lhes por fora é que começam a mexer-se.
“Os serventes nunca estão preparados para atender os clientes. Mesmo que a pessoa chegue em estado grave, eles ficam a reparar e só se predispõem a atender quando se paga algum dinheiro extra”, denunciou uma senhora entrevistada pelo Canalmoz na manhã do último domingo.
Desta utente dos serviços do HCN, apurámos que “esta situação vem acontecendo há mais de três anos e nada muda, mesmo depois de termos denunciado à direcção do hospital, nada muda”.
Um outro cidadão com que o Canalmoz conversou nos serviços de urgência do HCN disse: “estou aqui desde as primeiras horas da manhã, mas não me atendem porque não tenho dinheiro para pagar ao servente, entretanto muitos “brancos” chegam e entram sem passar pela bicha, porque têm dinheiro para dar gorjeta a estes senhores”.
Com um olhar cansado de esperar, esse cidadão, cuja identidade omitimos para garantir-lhe a segurança, apontou que “uma senhora veio aqui ter comigo e perguntou se não tinha pelo menos 50,00mt para ir dar o técnico para ser atendido”. Indignado com a corrupção no Hospital pergunta: “afinal em que país estamos nós?”.
Em todos os serviços no Hospital Central de Nampula, os utentes reclamam. Falam de atendimento pouco condigno e de serem vítimas das habilidades dos funcionários da instituição pra lhes extorquirem dinheiro.
Na pediatria daquela que é a maior unidade sanitária da região norte do país, disseram-nos que “muitas vezes quem atende as nossas crianças são serventes ou porque o enfermeiro não está ou porque está cansado e quer repousar”.
Tentámos ouvir a direcção do Hospital Central de Nampula.
Na manhã de ontem, estivemos nas respectivas instalações e apurámos que o director-geral estava em reunião. Todos os nossos esforços para ouvir a versão oficial da instituição não resultaram. Estamos abertos e interessados em ouvir a versão da direcção do HCN em relação às acusações dos utentes desta unidade sanitária. Continuaremos a insistir. (Aunício da Silva)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Guebuza “está a perder o equilíbrio”

 Ericino Salema em Grande Entrevista  

… “Primeira-Dama é um perigo para a democracia”

“O Chefe de Estado, que é o Chefe de Governo, não tem tido equilíbrio necessário para levar avante a sua missão. Ele, o Chefe de Estado de acordo com o preceito constitucional presta juramento quando toma posse e ele jura respeitar os direitos humanos. E um dos direitos humanos fundamentais é a liberdade de opinião e de expressão. Mas o nosso Presidente, infelizmente, talvez não pense que a liberdade de expressão e de pensamento estejam inseridos nos Direitos Humanos fundamentais que ele jurou respeitar.

Leia aqui também o que Ericino Salema pensa do fenómeno “Celso Correia”. Leia mais

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Manuel de Araújo diz que tudo está dentro dos carris

1º Semestre do edil de Quelimane em balanço. “A Roma não foi feita em sete dias. Por isso, nem nós podemos resolver todos os problemas de Quelimane em um semestre”, diz De Araújo, para quem tudo está dentro do planificado e o povo de Quelimane está a mudar desde a maneira de pensar, de lutar até à forma de viver.
O presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo, diz que os primeiros seis meses à frente da edilidade foram dedicados à restruturação dum município que, segundo alega, estava completamente desnorteado. Numa breve entrevista sobre o balanço dos primeiros seis meses (Dezembro do ano passado a Julho deste ano) da sua governação, Manuel de Araújo diz haver mudanças visíveis em Quelimane, não só no desenvolvimento económico e social, mas até na maneira de “viver, lutar e pensar” dos munícipes.
Saneamento do meio
Falando de áreas específicas, o edil de Quelimane disse que “estamos extremamente preocupados com o projecto de drenagem, financiado pelo Millennium Challenge Account em cerca de 30 milhões e levado a cabo pela empresa Ceta Construções. A nosso ver, estamos atrasados, porque o financiamento do governo americano tem prazos e, se não forem cumpridos, Quelimane vai perder. A flexibilidade e a dinâmica das obras não estão a acontecer.”
De Araújo refere que estas obras são bastante importantes para acabar com os problemas crónicos de saneamento do meio em Quelimane. “São cerca de 11 quilómetros e é esta drenagem que se pretende venha acabar com o problema da reprodução de mosquitos e, consequentemente, a malária em Quelimane”, disse o edil.
outras infra-estruturas
Quanto a outro tipo de infra-estruturas, como é o caso das estradas, o presidente do Conselho Municipal de Quelimane (CMQ) refere que era necessário começar tudo do zero. “Quando chegámos, o município de Quelimane não tinha um homem sequer para o tapamento de buracos. Para se tapar um buraco, era necessário fazer-se um concurso público que leva mais ou menos três meses. Em caso de um concorrente reclamar, eram necessários mais três meses. Portanto, para se tapar um buraco, eram necessários seis meses”, disse De Araújo.
Para ultrapassar esse problema, segundo o edil de Quelimane, era necessário contratar homens que fossem parte dos trabalhadores do município. Só para exemplificar, o edil disse que, agora, a avenida Josina Machel está, literalmente, sem buracos. Esta semana, o município de Quelimane vai “atacar” a avenida Julius Nyerere e, depois, a 25 de Junho.
 «O País»

sábado, 7 de julho de 2012

Eduardo Paim regressa com disco "Etu Mu Dietu"

Luanda - O músico angolano Eduardo Paim, um dos mais consagrados de Angola, prepara o seu regresso para o próximo dia 8 de Julho, com o lançamento, na Praça da Independência, em Luanda, do disco “Etu Mu Dietu”.
 
“Etu Mu Dietu”, do kimbundu “ Entre Nós”, contém 13 faixas musicais onde o kizomba, estilo musical de que Eduardo Paim é propulsor, constitui a base principal. A obra conta também com semba, kazukuta e balada, mostrando a versatilidade característica do também conhecido como General Kambuengo.
 
Prestigiaram a obra deste conceituado músico e produtor angolano, que também será lançada três semanas depois em Lisboa (Portugal), nomes marcantes como Jacob Desvarieux, da banda antilhana Kassav, Papa Wemba, da República Democrática do Congo, Grace Évora, músico cabo-verdiano, e ainda os kuduristas angolanos Zoca-Zoca e Agre G, em dois temas, respectivamente.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Precisamos de um Governo austero

Editorial

Maputo (Canalmoz) – Temos vindo a ouvir certos senhores indignarem-se contra as vozes da sociedade civil que os criticam pela opulência em que vivem à custa do Estado. Usam os mais incríveis argumentos ao tentarem justificar a sua arrogância, mas já não conseguem enganar mais os cidadãos que apenas esperam que o Estado e quem o gere – o Governo – cumpra com o que lhe compete. O que os cidadãos menos distraídos mais querem é que esses senhores, que vivem pendurados no Estado, se deixem de exibir riqueza à custa de quem paga impostos, em que se incluem os carenciados. Basta de “show-off”.

Guebuza e seus próximos estão a saquear recursos minerais do País

– acusa a Renamo reunida em Conselho Nacional em Nampula

“A Frelimo é um grupo de bandidos, terroristas que enchem votos nas urnas” – Afonso Dhlakama

“No dia 8 de Março de 2012, a Frelimo libertou o machado de guerra, desenterrando-o com o ataque a Renamo” – Lúcia Afate, delegada política provincial da perdiz em Nampula

“O ataque à Renamo foi um crime organizado que resultou em viúvas e órfãos. A Renamo é uma pedra no sapato do senhor Guebuza e do seu partido” – Albino Faife Muchanga, presidente da Mesa da Assembleia do Conselho Nacional da Renamo

Nampula (Canalmoz) – Arrancou ontem, na cidade de Nampula, a primeira reunião do Conselho Nacional do partido Renamo, desde a sua eleição no 5° Congresso, realizado em 2009 nesta mesma cidade. O evento começou com fortes declarações, centradas no partido Frelimo chegando-se ao ponto de acusar Armando Guebuza e o Partido Frelimo de estarem a saquear as riquezas minerais do país.
A cerimónia de abertura contou com três intervenções. Lúcia Afate, delegada política provincial da Renamo em Nampula, foi a primeira a tomar a palavra. Disse a certa altura que “no dia 8 de Março de 2012 a Frelimo libertou o machado da guerra, desenterrando-o com o ataque à Renamo”. Mandou, entretanto, um recado ao Partido Frelimo dizendo: “tudo o que tem princípio tem fim, e a Frelimo não é excepção”. Não explicou onde queria chegar com isso.
Por seu turno, Albino Faife Muchanga, presidente da Mesa da Assembleia do Conselho Nacional da Renamo, tratou de diversos temas que dominam a actualidade em Moçambique. Falou do crime organizado nas formas de assassinatos e sequestros que enfermam a capital do país. Falou da descoberta de recursos naturais, aludindo que os mesmos estão a ser saqueados pelo presidente da Frelimo e da República e pelos seus próximos.
Entende o presidente da Mesa da Assembleia do Conselho Nacional da Renamo que o facto de o então movimento beligerante ter levado a Frelimo a rubricar o Acordo Geral da Paz há 20 anos pode, na actualidade, obrigá-lo a dar rumo diferente à governação, à democracia e à paz.
“A Frelimo considera a Renamo um inimigo a abater. O ataque a Renamo foi um crime organizado que resultou em viúvas e órfãos. A Renamo é uma pedra no sapato do senhor Guebuza e o seu partido”, disse.
Tal como os seus correligionários, Dhlakama não teve mãos a medir para falar da Frelimo chegando mesmo a acusar o partido liderado por Aermando Guebuza de ser um grupo de bandidos. “A Frelimo confunde Nachingweia com Maputo. A Frelimo é um grupo de bandidos, terroristas que enchem votos nas urnas”.
Aos jovens, o líder da Renamo lançou um apelo: “na Renamo os jovens não estão para aumentar o número de membros, mas, sim, para assegurar o futuro da Renamo e do país. O poder deve passar para a juventude”. Não referiu se ele próprio está disposto a passar o poder à juventude na própria Renamo.
Esta primeira reunião do Conselho Nacional da Renamo como nos foi dito, deverá discutir, dentre várias questões, os procedimentos a serem aplicados no estabelecimento de Conselhos Provinciais, Distritais e dos Postos Administrativos, e “a preparação da grande revolução popular”, entre outros assuntos.
Este encontro de dois dias junta 100 delegados em representação de todas as províncias do país, bem como deputados da Assembleia da República, membros das Assembleias Provinciais e Municipais, para além de quadros seniores do partido Renamo. (Aunício da Silva)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mais uma avaliação externa descreve um Moçambique com presente e futuro sombrios


“Mulheres e raparigas das zonas rurais, atraídas para as cidades em Moçambique ou África do Sul com promessas de emprego ou educação, são exploradas em servidão doméstica e comércio sexual. Jovens e rapazes moçambicanos são submetidos a trabalho forçado nas plantações e nas minas da África do Sul, onde muitas vezes trabalham por vários meses sem remuneração e em condições coercivas, antes de serem entregues à polícia para serem deportados como imigrantes ilegais. Alguns adultos moçambicanos são submetidos a trabalho forçado e prostituição forçada em Portugal” – extracto do Relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre o Tráfico de Pessoas em Moçambique

Maputo (Canalmoz) – O Executivo moçambicano, desde o chefe de Estado, Armando Guebuza, até aos demais governantes, incluindo os deputados da Assembleia da República pela bancada do partido governamental e os académicos seguidistas do regime, têm mais uma avaliação externa para contestar e tentar desmentir. Trata-se do Relatório do Departamento de Estado norte-americano, sobre o Tráfico de Pessoas em Moçambique, referente ao ano 2012, que acaba de ser divulgado, descrevendo uma situação sombria em que vivem os moçambicanos, principalmente os mais pobres, que são a maioria esmagadora.
O relatório norte-americano não descreve muita coisa que não seja do conhecimento público. Fala de tráfico de pessoas no país para serem explorados nos países vizinhos como escravos de trabalho forçado e ou sexuais. Fala da cumplicidade da polícia e dos funcionários públicos no tráfico de pessoas, fala de um Governo que não cumpre o mínimo exigido para garantir a protecção das pessoas, fala de um pouco de tudo o que a maioria dos moçambicanos vive, mas que o regime no poder teima em não reconhecer, fingindo que o País está bem e com números não sustentado por factos, procura desenhar um Moçambique desenvolvido.
O Canalmoz publica aqui algumas partes mais relevantes do relatório elaborado pelo estado norte-americano referente ao tráfico de seres humanos em Moçambique.

Polícia de Investigação Criminal continua a mandar torturar detidos nas esquadras

 Maus tratos nas cadeias reduziram, mas...  

– denuncia Alice Mabota, presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos

Maputo (Canalmoz) – A Presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH), Maria Alice Mabote, disse que os níveis de tortura em estabelecimentos prisionais reduziram consideravelmente no país, mas um outro fenómeno preocupa, que é a tortura de detidos nas celas das esquadras policiais, a mando da PIC – Polícia de Investigação Criminal.
Alice Mabota que falava ontem numa conferência subordinada ao tema Penas Alternativas e Crimes Desactualizados, disse que em Moçambique existem cadeias que já são exemplo no tratamento de reclusos.
Por exemplo, a presidente da LDH de Moçambique disse que as cadeias Central da Machava e de Máxima Segurança, vulgo BO, já foram “campeões” de torturas e execuções, mas agora estes fenómenos não se registam com a mesma frequência. Acrescentou que as cadeias provinciais de Nampula, Cabo Delgado, as penitenciariam agrícolas de Mabalane, na província de Gaza, e Niassa, são outros exemplos de boas práticas. E a cadeia provincial de Tete, até é pioneira do ponto de vista de sustentabilidade.

Penas alternativas

Alice Mabota disse, num outro desenvolvimento que uma das coisas que pode reduzir o congestionamento das cadeias moçambicanas é a aplicação das penas alternativas. Mas as nossas leis não abrem esse espaço. Ela conta que a lei moçambicana diz que um ladrão de patos ou pilha galinhas no mínimo deve ficar 45 dias, mas por falta de leis, falta de penas alternativas e de juízes que controlam as prisões, estes indivíduos acabam ficando dois a três anos.
“O paradoxo no meio de tudo isto é que os criminosos que tem dinheiro e bons advogados acabam saindo para fora das prisões e os pilhas galinhas continuam lá. A figura de juiz que controla prisões existe, mas na prática não há nada”, afirmou Alice Mabota, sublinhando que o prisioneiro é um ser humano que precisa de ser regenerado.

Alguns exemplos chocantes

A presidente da LDH, Alice Mabote, deu dois exemplos que importa referir: “Na cidade de Maputo um cidadão já ficou preso três anos por ter roubado um saquinho de cebola. Um outro jovem na Machava, ficou detido durante 5 anos por ter roubado três galinhas num aviário onde trabalhava”.
“Desde 1996 que a Liga dos Direitos Humanos vem pedindo ao Ministério da Justiça para a aplicação de penas alternativas. Só hoje, 2012, é que se abriu e há uma luz no fundo túnel. Se tivessem nos dado ouvidos naquela altura, neste momento estaríamos abaixo de 34 porcento no que toca ao respeito pelos prazos de detenção e julgamento”. (Cláudio Saúte)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

"The economist" vaticina Frelimo vitoriosa no pleito de 2014

The EIU view
The ruling Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) will win the national polls in 2014, although we expect a tough presidential succession battle within the party. The main risks to stability are that spikes in inflation or a row between Frelimo and the opposition could lead to violent disorder, and that the legitimacy of the polls is contested. After an estimated expansion of 7.2% in 2011, we expect growth of 8% in the 2012-16 forecast period.Mais aqui.

Moçambique entre os 10 países com mais potencial em África

Relatório da Economist diz, ainda, que Angola deverá ultrapassar a África do Sul, actualmente a maior economia do continente, até 2016. Moçambique é também considerado o que mais reforma.
Angola deverá ultrapassar a África do Sul, actualmente a maior economia do continente, até 2016, revela um relatório da Economist Intelligence Unit (EIU), que coloca também Moçambique entre os 10 mercados africanos com mais potencial.
No relatório “Para dentro de África: oportunidades de negócio emergentes”, o gabinete de estudos da revista Economist conclui que o papel das economias africanas ainda representa apenas 3% da economia global e que a África Sub-sahariana (excluindo a África do Sul) representa menos de metade do Produto Interno Bruto do continente. No entanto, sublinha que este grupo de países está a crescer mais depressa do que qualquer outro no mundo e que os investidores estão a acordar para o enorme potencial da região: “a corrida para participar no crescimento africano já começou”. [leia da fonte aqui]

“Alguns dirigentes de má-fé queriam ficar com os meus salários”

Diz Artur Semedo, em entrevista ao RM desporto:
Em entrevista ao RM Desporto, canal desportivo da Rádio Moçambique, Artur Semedo disse que não estava preocupado com o dinheiro da Liga Muçulmana, até porque não gosta de algo sem estar a trabalhar. Artur Semedo disse ainda aos microfones do RM Desporto que “a única vez que intentei uma acção judicial  foi contra dirigentes de má-fé do Ferroviário de Maputo e Maxaquene, que quiseram ficar com os meus salários”, disse.
«O País»

“Guebuza é muito mal assessorado”

 Grande Entrevista no Canal de Moçambique  

– Ercino Salema

“O nosso presidente é, no mínimo, muito estranho”

Maputo (Canalmoz) – Se por um lado o Presidente da República prefere encarar os críticos à sua governação como “apóstolos da desgraça”, “tagarelas”, “distraídos” entre outros há quem contabiliza estes vocábulos e chega a uma conclusão: “Armando Guebuza é muito mal assessorado e por via disso tem estado a perder o equilíbrio necessário que se espera de um Chefe de Estado”, que se quer representante de todos os moçambicanos independentemente da sua forma de pensamento. Esta é a visão de Ericino Salema, uma das vozes da sociedade civil moçambicana que aceitou conceder ao Canal de Moçambique uma longa entrevista para falar da vida do País.
Director do programa “Acesso à Informação” da IBIS (organização dinamarquesa), Salema, é jornalista e jurista de formação e tem estado muito atento ao desenrolar da vida sócio política do País. Diz não entender como é que alguém (Armando Guebuza) usa o Facebook para pedir votos e mandar todo o tipo de mensagem do seu interesse, e logo a seguir se insurja quando o mesmo Facebook é usado pelo povo para cobrar as promessas que foram feitas durante a campanha eleitoral. “O nosso presidente é, no mínimo, muito estranho” diz.
Sendo jovem, o nosso entrevistado não fez esforço para concluir que não se sente representado pelo Conselho Nacional da Juventude. A justificação não podia ser mais interessante é que na sua opinião o CNJ que teoricamente devia ser uma plataforma de representação dos interesses de toda a juventude moçambicana independentemente da sua crença ideológica, confunde-se com um Departamento de último escalão da Organização da Juventude Moçambicana, o braço juvenil da Frelimo. Ou seja o CNJ cumpre com as decisões e vontades da OJM.
Sobre o processo de revisão da Constituição da República proposto pela bancada parlamentar da Frelimo na Assembleia da República diz que pelo que até aqui foi apresentado não deixa de ser “patético” e acredita naquilo o que já vem sendo dito: que há organizações que serão usadas para propor a revisão que o partido Frelimo pretende. Acompanhe a entrevista na íntegra na edição que está deste hoje à venda em todo o país e fica a saber qual é o político moçambicano que o nosso entrevistado admira, e porquê ele considera a Primeira-dama, Maria da Luz Guebuza “um perigo para a democracia”.
Saiba também porquê Salema considera os assessores de Guebuza e a ministra do Trabalho, Maria Helena Taipo, “muito incompetentes”.
A entrevista foi conduzida pelo nosso colega Matias Guente. (Redacção)

Papa Bento XVI nomeia padre argentino para Arcebispo da Beira

  Em substituição do Dom Jaime Pedro Gonçalves  

Maputo (Canalmoz) – O padre Claudio Dalla Zuanna, 53 anos, foi nomeado na sexta-feira, 29 de Junho, como novo Arcebispo da Beira, em Moçambique, noticiou a sala de imprensa da Santa Sé. O prelado está em África desde 1985 e desempenhava as funções de vice-superior geral na congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), a que pertence. Vai substituir o Arcebispo Dom Jaime Gonçalves, que renunciou ao cargo no início do corrente ano devido à sua idade avançada.
O novo Arcebispo da cidade da Beira é natural de Buenos Aires, Argentina, e filho de uma família de emigrantes italianos, viajou para a Itália ainda criança. Ali entrou para o Noviciado, em 1978. Fez a profissão perpétua em 1982 e foi ordenado padre dois anos depois. Em 1985 partiu para Moçambique, tendo iniciado o trabalho pastoral na diocese de Gurué. Depois foi educador dos jovens teólogos, pároco, coordenador da Comissão dos Formadores Religiosos de Moçambique e Conselheiro Provincial.
O novo prelado vai ocupar o lugar deixado vago por Jaime Gonçalves, que pediu a renuncia em Janeiro deste ano, após 36 anos à frente dos destinos da arquidiocese. O arcebispo emérito, de acordo com a agência Ecclesia, foi um dos distinguidos esta semana com o prémio Fé e Liberdade do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.
Segundo dados do Vaticano, a arquidiocese da Beira tem 1,3 milhões de habitantes, 58,6 por cento dos quais são católicos. (Redacção/ Canal de Moçambique)

terça-feira, 3 de julho de 2012

“Recondução de Guebuza à presidência do partido Frelimo é naturalíssima”



Mariano Matsinha revelou que as negociações que culminaram com a assinatura dos históricos Acordos de Lusaka, a 7 de Setembro, não foram com o Governo provisório português, mas, sim, com o Movimento das Forças Armadas, MFA.  
Numa altura de contagem regressiva rumo ao X Congresso do Partido Frelimo, a ter lugar no próximo mês de Setembro, na cidade de Pemba, em Cabo-Delgado, destacados membros deste partido desdobram-se em declarações públicas de apoio ao presidente do partido, Armando Guebuza. É um claro cerrar de fileiras em torno de Armando Guebuza, visando desmoronar qualquer estratégia de alguns sectores da Frelimo que defendem um novo ciclo na liderança do partido.
Ontem, foi a vez do veterano de Luta de Libertação Nacional e membro do Comité Central da Frelimo, Mariano Matsinha.  Em declarações ao jornal “O País” momentos após proferir uma palestra aos funcionários da Autoridade Tributária (AT) sobre o 25 de Junho, dia da Independência Nacional, Matsinha disse que haver debate possível sobre o mérito ou não da recondução de Armando Guebuza à direcção do partido.

“Regime explora a riqueza do país com as mãos de estrangeiros”

Dom Jaime faz um alerta aos políticos em Lisboa. Falando à rádio Renascença, o Dom Jaime afirmou que “o regime toma o risco de explorar a riqueza do país, não com as próprias mãos, mas com as mãos dos investidores (...).  Desta forma, o país pode ficar demasiado dependente dos donos dos mega-projectos”, afirmou.
O bispo emérito da Beira, Dom Jaime Gonçalves, concedeu uma entrevista à Rádio Renascença de Portugal, onde alerta para o risco de a riqueza do país passar para as mãos de estrangeiros. “O regime toma o risco de explorar a riqueza do país, não com as próprias mãos, mas com as mãos dos investidores, o que faz com que a riqueza do país passe para as mãos dos estrangeiros. Isso, por um lado, pode ser bom, na medida em que a riqueza não fica improdutiva, mas começa a melhorar a vida da população, mas, por outro, o país fica demasiado dependente dos donos dos mega-projectos”, afirmou.
Na mesma entrevista, o Dom Jaime anota que “a única ameaça à paz” é a existência ainda de cerca de um milhar de homens armados da Renamo, que nunca foram integrados nas forças armadas e de segurança de Moçambique, e que estão ainda nos seus quartéis à espera de solução.

Governo tenta desculpar-se da indiferença e irresponsabilidade ["GOVERNO DISTRAÍDO E MESQUINHO]

 Caso de estudantes moçambicanos no Sudão  

Salomão Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil, diz que estamos perante um Governo distraído e esquisito – numa clara indirecta a Armando Guebuza

Maputo (Canalmoz)  - O Governo está ser acusado de irresponsável pela forma como está a tratar do caso dos 45 estudantes moçambicanos na Universidade Internacional de África, no Sudão. Agora está finalmente a tentar fazer algo mas já não se livra da má fama. Os jovens não acreditam já nos seus bons ofícios.
Desde o primeiro trimestre do ano que os estudantes em Cartum clamam por socorro que lhes permita sair do “inferno” em que vivem no Sudão, mas pura e simplesmente o governo veio ignorando o caso. Os estudantes moçambicanos naquele país continuam a passar por uma tormenta terrível. Enviaram inúmeras cartas a pedir socorro. Várias foram publicadas pela Imprensa nacional e internacional a reportar a situação em que se encontram no Sudão, mas o Governo nada fez até que um primeiro sub-grupo de 5 estudantes  regressou a Maputo na última quinta-feira. Mas nem mesmo já em Maputo o governo lhes deu alguma atenção. Foi preciso que o Parlamento Juvenil alertasse o Governo para que este resolvesse começar a mexer-se.
Os cinco estudantes que regressarem ao país como expulsos, na quinta-feira passada, permaneceram no Aeroporto Internacional de Maputo desde a hora em que chegaram (13 horas), até às 21 horas. Ninguém do governo lhe deu apoio. São de províncias do centro e norte do país e não tinham como irem para as suas províncias de origem, nem dinheiro para se alimentarem.
A salvação dos cinco estudantes que o governo de Cartum mandou regressar compulsivamente ao país, foi o Parlamento Juvenil, uma organização da juventude moçambicana independente, liderada por Salomão Muchanga.
Só depois deste vexame é que o Governo decidiu enviar uma equipa a Cartum para tratar dos quarenta estudantes que ainda lá estão a sofrer. Os emissários partiram no domingo, três dias depois da chegada dos cinco estudantes expulsos.
Ontem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação convidou a Imprensa para anunciar o envio da referida equipa composta por funcionários deste ministério, do Ministério da Educação e um diplomata moçambicano afecto à embaixada de Cairo, no Egipto, mas também acreditado no Sudão. Como era de esperar, o Governo negou que tenha ficado insensível à situação dos estudantes, procurando provar que houve antes intervenções. Alegou que ninguém viu o que estavam fazendo mas estavam a trabalhar. Os estudantes é que não os deixam mentir. Dizem que o Governo não quis saber deles.
Segundo os estudantes o governo não só não tem dado qualquer atenção aos estudantes no Sudão como também nem quis saber se os que já se encontravam em Maputo precisavam de apoio. Ignorou tudo como tem vindo a fazer desde que os estudantes pediram socorro.
Em Maputo os estudantes estiveram sem alojamento e sem alimentação. Aguardando por algum apoio para poderem regressar às províncias, o governo continuou a nada fazer. Esta é a versão dos estudantes.
Mas o governo tem outra conversa. “O Governo de Moçambique não esteve de todo alheio, tomou as medidas que se impunham. As nossas embaixadas em Addis Abeba e no Cairo estiveram a monitorar os desenvolvimentos desde o primeiro momento em que sinais de preocupação começaram a surgir. Foram informando os dois ministérios dos acontecimentos. Suas Excelências os Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Educação, com o conhecimento prévio do Governo sudanês, enviaram a Cartum uma delegação constituída por quadros superiores dos dois ministérios. A delegação integra ainda um diplomata da nossa Embaixada no Cairo, que é acreditada em Cartum”, disse o Embaixador Geraldo Chirinza, Director para os Assuntos Jurídicos e Consulares, mas depois não conseguiu dizer o que a tal delegação enviada previamente fez no Sudão.
É que não houve resultados. Os 45 estudantes continuaram lá numa situação de total abandono e votados à indiferença das autoridades governamentais moçambicanas, até que cinco deles regressaram a Moçambique na quinta-feira, como expulsos. Uma vez aqui, testemunharam que em Cartum não tiveram qualquer apoio do Governo.

Os cinco regressados vieram expulsos

Os 5 dos 45 estudantes moçambicanos que estiveram a fazer cursos de licenciatura na Universidade Internacional de África, no Sudão, e chegaram quinta-feira ao país, vieram com carimbos de expulsão estampados nos seus passaportes. Trata-se de Magaia, João Albino, Yussufo Fábula, Luís Tembo e Adamo.
À chegada a Maputo, os cinco estudantes acusaram o Governo de falta de solidariedade. Afirmaram que o executivo se recusou a prestar assistência mesmo depois do pedido de apoio lançado pelos estudantes.
Os demais estudantes ficaram lá. São 40 os que ficaram. Mesmo reconhecendo que a sua ida ao Sudão foi sem conhecimento das autoridades governamentais moçambicanas, os jovens lamentam a atitude do Governo. Alegam que o Governo se recusou a prestar auxílio para o seu repatriamento que só foi possível graças à solidariedade de singulares que pagaram as passagens de regresso.

Abandonados no Sudão e humilhados em Moçambique

Uma vez chegados a Maputo, os estudantes deveriam partir para as respectivas zonas de origem, que são as províncias de Nampula, no norte do País, e Zambézia no Centro. O Governo não esteve lá para ajudá-los. Permaneceram no aeroporto até às 21 horas. Chegaram às 13 horas. Valeu-lhes a solidariedade do Parlamento Juvenil, que na pessoa do seu presidente, Salomão Muchanga, e de outros quadros daquela agremiação foi buscá-los ao aeroporto de Maputo, solidarizou-se com eles, deu-lhes alimentação e alojamento até o dia seguinte e conseguiu resolver o problema do regresso dos estudantes às suas províncias.

Governo distraído e mesquinho

Salomão Muchanga disse ao Canalmoz ontem que depois de acolher os estudantes, solicitou encontro com o Governo que se fez presente através do Director do Instituto Nacional de Bolsas e quadros do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. Os representantes do Governo reuniram-se com o Parlamento Juvenil e os estudantes. Estes reafirmaram na presença de uma das pessoas que os recrutou para o Sudão, que estavam naquele país como traficados e não como estudantes.
Muchanga disse que esse responsável pela ida dos estudantes ao Sudão que estava presente no encontro se encarregou de pagar a passagem dos jovens para as suas províncias de origem.
Quando questionado pelo envio de uma equipa do Governo para Cartum, este domingo, Muchanga disse que “vale mais tarde do que nunca”, mas não poupou críticas ao Governo.
“Estes dois ministérios, dos Negócios Estrangeiros e da Educação, são distraídos e esquisitos”, concluiu Muchanga usando as palavras que o presidente da Republica, Armando Guebuza, usara no dia das celebrações do aniversário da independência nacional para descrever os críticos do seu Governo.
Muchanga diz que “um Estado que se preze deve proteger seus cidadãos, mas neste caso dos estudantes moçambicanos no Sudão, o Governo nunca se aproximou destes jovens”. (Redacção)

Manuel de Araújo fala de “ventos de mudança”

 Greve de estudantes secundários em Quelimane  

Maputo (Canalmoz) - O edil de Quelimane, Manuel de Araújo, comentou a greve de estudantes secundários daquela cidade, iniciada no passado dia 29 de Junho devido à anulação de provas da oitava à decima classe por alegada fraude, e fala de ventos da mudança. Cerca de 150 estudantes amotinaram-se de frente da Direcção Provincial de Educação em Quelimane.
“Desde o dia 29 de Junho, sexta-feira, o Conselho Municipal, vem seguindo com bastante atenção e apreensão, a greve dos estudantes secundários, que recentemente eclodiu na cidade de Quelimane, motivada pelas fraudes académicas verificadas nos exames recentemente havidos. Como é óbvio, a edilidade não podia ficar indiferente a um acontecimento tristemente celebrizado por aqueles que teimam em não acompanhar os ventos da mudança de uma cidade justa, transparente e de igual oportunidade para todos”, diz Araújo num comunicado enviado à nossa redacção.
Prosseguindo, o Professor Araújo escreve que “o Conselho Municipal condena veementemente as fraudes detectadas nas provas realizadas a semana passada, bem como a participação de todos os envolvidos no indecoroso processo, com particular realce para aqueles a quem o povo confiou a nobre tarefa de dirigir o sector da educação”.
“Estes acontecimentos são motivo bastante e suficientes para que exijamos a constituição imediata de uma Comissão de Inquérito independente para o apuramento da veracidade dos factos e o encaminhamento dos prevaricadores à barra da justiça. Com respeito e dignidade a nossa solidariedade é dirigida aos estudantes que com muito esforço e dedicação prepararam-se para estas provas, e é estendida aos professores que com alto sentido de responsabilidade e brio profissional distanciaram-se destas injuriosas atitudes que em nada dignificam sua classe”, escreve o edil de Quelimane, Manuel Araújo, num comunicado por ele assinado.
Araújo é o primeiro edil de Quelimane da oposição. É do MDM. (Redacção)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quando a 'pizza verga' na Italia homens choram!

 
OFF-SPORTING:

"Sou naturalizado italiano, mas sou do Gana. Fui abandonado pelos meus pais e adoptado por dois anjos. Sofro com racismo todos os dias. Sou o primeiro negro a vestir a camisola italiana. Não sou revoltado, só que as minhas experiências de vida fazem-me agir diferente das outras pessoas. Então, procure saber antes de me criticar!''

[Tardiamente] MINEC pronuncia-se hoje sobre caso dos estudantes abandonados no Sudão

Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que ia mandar uma equipa ao Sudão para se inteirar da situação dos estudantes.
É já hoje que o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação vai, finalmente, pronunciar-se sobre o caso dos 24 (parte de um total de 45) estudantes abandonados no Sudão depois de terem perdido suas bolsas e expulsos da Universidade Internacional da África, no passado mês de Junho.
Depois da chegada de cinco estudantes, ora expulsos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que ia mandar uma equipa ao Sudão para se inteirar da situação dos estudantes. Aliás, depois da chegada dos cinco estudantes, alguns quadros desta instituição pública, bem como parte dos responsáveis do Instituto Moçambicano de Bolsas, dirigiram-se, sexta-feira última, à sede do Parlamento Juvenil (entidade que acolheu os discentes) para se inteirar das condições que ditaram a sua perda de bolsas e de todo o trajecto até a Maputo.
«O País»

“Pathfinder Minerals Plc” desmonta estratégias do general Jacinto Veloso

 Luta pelas minas de Naburi e Moebase  

Maputo (Canalmoz) – A disputa de licenças de exploração de minas de areias pesadas de Naburi e Naburi e Moebase, está ao rubro entre a “Pathfinder Minerals Plc”, de Londres e uma empresa com o mesmo nome de que é administrador Jacinto Veloso, general da reserva, ex-ministro de vários governos de Moçambique e ex-membro do Bureaux Político do Partido Frelimo. Depois de dois comunicados contundentes, divulgados pelas duas empresas em disputa, fazendo acusações mútuas, agora chegou-nos um terceiro comunicado da “Pathfinder Mineral Plc”, a opor-se à Pathfinder Moçambique SA”, que revela com detalhe as estratégias usadas pelo general Jacinto Veloso, administrador desta última para entrar na disputa pelas licenças da Pathfinder Minerals Plc.
O mais recente comunicado da “Pathfinder Mineral Plc”, britânica – emitido em Londres e enviado à Redacção do Canalmoz/Canal de Moçambique pela Ferro & Ferro – que passamos a transcrever na íntegra, ajuda a melhor se compreender o nível de fricção a que já chegou o braço-de-ferro entre as partes. Neste comunicado a empresa britânica desmonta as estratégias de Jacinto Veloso:

Comunicado

“As licenças de exploração da Pathfinder Minerals foram transferidas para uma empresa controlada pela JV Consultores.

A Pathfinder faz um relato rigoroso sobre as circunstâncias

Têm surgido relatos na imprensa moçambicana sobre uma disputa entre a Pathfinder Minerals e o Sr. General Veloso e o Sr. Diogo Cavaco, envolvendo licenças de concessão de exploração mineira atribuídas pelo Ministério dos Recursos Minerais de Moçambique relativamente às zonas conhecidas como Naburi e Moebase (adiante designadas “Licenças”), na Província de Zambézia.
A disputa diz respeito a medidas tomadas pelo Sr. General Veloso e Sr. Diogo Cavaco no sentido da transferência das Licenças da Companhia Mineira de Naburi (“CMDN”), uma empresa da qual eram Administradores, para uma empresa recém-criada, a Pathfinder Moçambique, da qual são proprietários.

É curioso que o Sr. General Veloso e o Sr. Diogo Cavaco tenham utilizado uma empresa com um nome semelhante ao da Pathfinder Minerals como destinatária da transferência das Licenças.

A disputa diz também respeito às tentativas de Sr. General Veloso e o Sr. Diogo Cavaco de negarem que a Pathfinder Minerals (através da sua subsidiária IMM cujo capital aquela detém na totalidade) detém 99,99% das acções da CMDN.

Polícia Municipal assalta e espanca vendedores de rua

 
Na cidade de Nampula  

Nampula (Canalmoz) – A Polícia Municipal ao nível da cidade de Nampula, tem estado nos últimos tempos a assaltar bens de cidadãos que se dedicam à venda de produtos diversos nas ruas da urbe. A sobrevivência destas pessoas depende do que fazem por não terem emprego. Mas a Policia está a condicionar a venda ambulante e está mesmo a espancar os  vendedores.
A Reportagem do Canalmoz, testemunhou em flagrante na última sexta-feira, na rua dos Continuadores em Nampula, um “assalto” dos agentes da Polícia Municipal contra os vendedores da rua,
chegando, nalguns casos a espancá-los.
O edil de Nampula é Castro Namuaca, do partido Frelimo.
No local em que assistimos ao assalto aos vendedores e respectiva agressão, conversamos com alguns. Asseguraram-nos que é uma “prática”, “é frequente”, “sobretudo nos finais de semana e dias que antecedem feriados e dias festivos”.
Os vendedores acusam a Policia de usar este método para satisfazerem as suas próprias famílias. Estão indignados com os agentes da polícia camarária.
Os agentes da Polícia Municipal, na operação recolhiam tudo o que encontravam nas ruas, desde bolos de confecção caseira, pastéis, roupa, sapatos e todo e qualquer tipo de mercadoria na posse dos vendedores.
Os vendedores asseguraram que “tudo vai mudar no próximo ano”.
“Estamos cansados de votar em pessoas que depois nos maltratam”, fazendo alusão clara ao edil Castro Namuaca e ao Partido Frelimo que tem a maioria na assembleia da cidade.
“Tudo faremos para que tenhamos a nos dirigir um cidadão que esteja comprometido com a causa de combate a pobreza e, que deixa os cidadãos fazerem o que podem, dentro da moral e do bom senso legal, o que podem fazer para vencer a pobreza”. (Aunício da Silva)


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