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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mulémbwè diz-se disponível para suceder a Guebuza

Tabu da sucessão desvenda-se pouco a pouco.
  • “Espero que este congresso seja capaz de pôr, à frente da sua máquina, pessoas que estejam comprometidas com a causa do povo, pessoas que vão servir este povo, pessoas que ponham os seus interesses pessoais não acima dos interesses populares.” Eduardo Mulémbwè;
  • “Eu julgo, modéstia à parte, que devo ser conhecedor, embora modesto, de como as coisas acontecem.” Eduardo Mulémbwè;
  •  “Até pode ser que seja julgado capaz, mas os meus companheiros acharem que não é oportuno.” Eduardo Mulémbwè
O há muito esperado X Congresso da Frelimo arrancou, ontem, em Pemba, mas a revelação mais importante veio dos corredores do evento. Em entrevista ao “O País”, Eduardo Mulémbwè, membro da Comissão Política cessante, abriu a porta à candidatura para a sucessão de Armando Guebuza. Diz que tem obra feita, é “conhecedor das coisas” e se os camaradas acharem que é oportuno, não dirá não. Enquanto isso, Luísa Diogo joga à defesa. Diz que “não faz sentido” falar-se na sua candidatura.

Enquanto no enorme pavilhão de eventos, os cerca de dois mil delegados e pouco mais de mil convidados começavam o congresso em ambiente de verdadeira festa, sem melindres e com unanimidades nas principais matérias do primeiro dia, designadamente, a eleição dos membros dos órgãos do congresso e a apreciação ao relatório do Comité Central, do lado de fora, vinham as mais ansiadas novidades do evento.
Entrevistado ao intervalo da sessão de ontem, Eduardo Mulémbwè disse que, “para além de discutirmos as grandes questões relacionadas com o nosso povo, temos de estar à altura de sermos capazes de escolher dirigentes, quadros, que estejam à altura deste grande desafio. Espero que este congresso seja capaz de pôr, à frente da sua máquina, pessoas que estejam comprometidas com a causa do povo, pessoas que vão servir este povo, pessoas que ponham os seus interesses pessoais não acima dos interesses populares.”
Eduardo Mulémbwè referiu que a sua expectativa à volta do congresso é enorme.
É visto como presidenciável. Como é que reage a isso?
Eu disse-vos sempre, eu tive o privilégio de participar na Frelimo já de há algum tempo para cá. Eu julgo, modéstia à parte, que devo ser conhecedor, embora modesto, de como as coisas acontecem. Essas percepções são ideias ou de uma pessoa ou de algumas pessoas. Mas têm que estar sob regra, têm de surgir de propostas dentro do partido.
Mulémbwè acrescentou ainda que “tudo o que pude tentar fazer ao longo da minha vida não foi porque me achei que era capaz de fazer. Até pode, mas os meus companheiros podem não julgar que seja capaz. Até pode ser que seja julgado capaz, mas os meus companheiros acharem que não é oportuno.”
Mais taxativo, Mulémbwè disse que, “quando me perguntam o que é que acho (da candidatura à liderança do partido), eu deixo à liberdade das pessoas que digam o que pensam sobre mim.”
Insistimos: e se o partido disser para avançar?
 “Eu não ponho a carroça à frente dos bois (...)”, respondeu, fugindo.

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