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VOA News: África

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Frelimo envolto num frenesim faz trovoada num copo d’água para nos pregar susto: Carta ao meu amigo Nelson


Caro Nelson,
Das ondas de demissões em massa de edis, às prisões dos líderes da consciência em Maputo e na Zambézia, o incêndio da TV Miramar na sede dos camaradas para só ser visto por canais fechados, à ‘maka’ da madeira em Nacala-Porto - anunciar a criação de uma universidade da Frelimo não é um insulto?

Se, por um lado, todo mundo sabe que a conquista do ar ‘democrático’ se deve à moçambicanos que foram a mata ou fizeram a luta política quer activa quer na clandestinidade contra o regime tirano do que se seguiu a proclamação da nossa Independência, por outro, hoje vivemos ares preocupantes que nos lembram esses períodos passados com os desdobramentos da Frelimo no seu seio e fora dele contra cidadãos que se prezam servir ao seu jeito à causa nacional.

Vimos, Nelson, há dias quatro edis, por sinal do Partido dos Camaradas [e dizem que a lista ainda vai longa, que cuidem em Chibuto, Alto-Molócue, Gurué, Namaacha, Montepuez e Vilankulo], que foram vilipendiados sem apelo nem agravo para que deixem os seus postos por uma aventada corrupção e má gestão nas edilidades que dirigem. Pior que isso são obrigados a fazer as suas renúncias invocando motivos ditados pelo Partido. Para quê isso? Até aonde a Frelimo vai com essa fabricação de ‘tornados’ onde não existem?

Já há semanas atrás assistimos boquiaberto,o filme em redor do músico de proa, a seguir aos calabouços por uma ‘erva daninha’ [vulgo suruma] que não chegava a grama sequer, numa altura que se preparava para lançar o seu álbum: Aza-leaks. O que a Frelimo temeu ao se antecipar, prendendo o músico Azagaia? A meu ver o efeito daquele ‘feito’ foi perverso. Azagaia foi o mais lido e tão venerado que os que lhe mandaram prender nos dias que esteve entre as ‘barras’ e hoje a mesma Polícia não diz a ninguém o que não sabe. Não sabe mesmo. Que o diga o antigo Director da PIC António Frangules. Não temos inteligentzia para investigar quaisquer casos que se julgam criminais. Prendemos à-toa e, muitas vezes, movidos, pela busca insaciável do lucro fácil, e, com ele, a infâmia para a corporação. E como se a lição não tivesse sido aprendida, foram dar razão ao senhor Hermínio dos Santos, pregando bofetadas pecaminosas e colocando-lhe a ver o ‘sol aos quadradinhos’ sem culpa formada, à ilharga dos seus 'convivas' que querem ser problemas resolvidos com a Frelimo. Hermínio dos Santos não é dirigente associativo qualquer. Ele dirigente é duma associação de desmobilizados de guerra, reconhecida pelo Estado, através do Ministério da Justiça. Porque pregar-lhe ‘sustos’, chuva de ‘porradas’ com ele e como se não bastasse o arremesso ao cárcere? O que a Frelimo teme de Hermínio? Calar a verdade? Nem a ele nem a ninguém calarão infelizmente.

Se calar a verdade, as mentes é retirar uma TV nacional do convívio dos teus telespectadores queimando os seus retransmissores, estamos enganados. Se calar a verdade é inventar que há problema de roubo de madeira, quando na verdade os donos das mercadorias, ‘os sem rosto’, continuam a não dar a cara, estão muito enganados. Todo mundo sabe quem são os donos da madeira retida em Nacala. Todo mundo sabe quem faz negócio sujo com os chineses. Todo mundo sabe quem vira rico, gosta de piripiri, gosta de quase tudo e quase que inveja a nossa pobreza de que jura combater, chamando-se insanos. Afinal porque não diz que temos que fazer o combate de sermos todos ricos, não ele/s sozinho/s.

E, no meio desse frenesi estonteante, de ataques aqui, prisões acolá levando a imprensa que eles controlam, a Frelimo e seu acólitos irrompem à-torto e a direito com mentiras, na voz do ‘menino’ de sempre, de que vão criar uma universidade da Frelimo. Onde trazem o dinheiro [sujo] para isso? Quotas? Por favor!

Mais diria, Nelson, um abraço

Dedé Moquivalaka

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Da demanda ao exercício livre da cidadania e democracia plena no Malaui, à derrapagem económica nos EUA: uma fatalidade [“back to black”] e a [Nova Libra do Sul do Sudão]

"O primeiro presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, jamais teria sido um ditador se tivesse continuado em vida, pois era um académico e um diplomata, com uma visão estratégica global, que queria uma independência responsável e, se possível, negociada para o seu país e não estabelecer um regime revolucionário de obediência ideológica'" [in Debates & Devaneios]

Carta ao meu amigo, Nelson

Olá Nelson,

Votos de uma boa saúde! Vou indo graças a Deus. Agradeço a tuas insistentes e dissecante s notas a volta das ‘minissaias’, prostituição, pós-modernidade e o exercício da cidadania em Moçambique, despoletada pela edilidade de Lichinga. Ora bem, hoje sem deixar de reflectir nesta importante temática, gostaria que passássemos em revista do que se passa na região e no mundo.

Nelson, olhando em direcção nordeste e saltando a fronteira, repousa a República de Malaui que nos dias que correm vive momentos tremendamente tristes. Tudo começa a  quando organizações cívicas locais submeteram ao chefe do estado malauianos pontos específicos que afectam negativamente os malauianos nomeadamente: a boa governação, corrupção, e a penúria económica. Mas o Governo de Bingu Wa Mutharika não deu passos tangíveis para resolver a situação. Na semana antepassada rebentam os protestos que culminaram na morte de 18 pessoas pelas forças policiais. Wa Mutharika não ficou por aí e decretou a ‘caça às bruxas’, sobretudo aos ‘mentores’ da greve em quase todo o Malaui. Um dos alvos é Rafik Hajad, director de uma organização cívica e um dos organizadores dos protestos contra Wa Mutharika, que teve que procurar ‘refúgio’ para evitar cair nas ‘garras’ dos agentes do Wa Mutharika. E prática comum no Malaui prender pessoas às sextas-feiras para que não tenham acesso aos tribunais. “O que vai acontecer a si durante o fim-de-semana muda o seu semblante e a história para os dias que se seguem” – disse Hajad. Resta saber se tal situação não vai transbordar para este lado da fronteira, Moçambique. Seria uma ‘encesto’ metodológico, se comparássemos o incumbente presidente Bingu Wa Mutharika com o ditador Doutor Hastings Kamusu Banda ‘Nguasi’ para não resolver esta situação já de si, ‘vitima’ da retirada de financiamento do Reino Unido e complicações recentes com Moçambique.

Já nos United States of America, Nelson, com uma semana que promete ser de muita movimentação política, os Republicanos e Democratas americanos se desdobram em ‘guerras’ apaixonadas sobre a dívida soberana. Aliás O Presidente Obama (cf. The Global & Mail) saiu ao público para sugerir que apoiaria uma decisão para a redução de despesas públicas. A questão é saber se os republicanos, apologéticos por governo pequeno e o ‘indivíduo’, irão concordar com a ideia. Resta saber se o dólar vai deixar de ‘derrapar’ nos principais mercados financeiros. Resta ainda saber se os USA não serão depois da Grécia, Portugal e Irlanda a declarar falência. O certo é que, se o elefante sentir febril o que será de nós! 

No pretérito fim-de-semana, o mundo foi apanhado de surpresa com o desaparecimento físico duma estrela da música música britânica, Amy Winehouse. Já vais ter aquela voz meio salpicada, meio trémula mas audaz que a caracterizou. Fiquei eu tocado sobremaneira porque na altura em que fazia a minha pós-graduação, além de viver em casa dum senhorio judeu, não poucas vezes passava a música de Amy. Álcool e droga a apoquentaram na verdade e presume-se que seja isso que ‘deu cabo’ da vida da menina dos seus 27 anitos. Entre nós, os menos incautos já saborearam ou tiveram o encanto dos temas da diva no bem sucedido e mais vendido álbum ‘back to black’.

Vou terminar, mas prefiro não me esquecer de ti dizer que em 1980 (16 de Junho) foi bonito e quase interessante testemunhar a entrada em vigor das novas notas do Metical. Samora Machel, ao que se diz, aparece a içar a bandeira nacional lado-a-lado com combatentes que passaram a ser seus detractores. Nelson era mais nem menos para não falar da entrada em vigor da nova moeda do da República do Sul do Sudão, a Nova Libra!

Um abraço

Dedé Moquivalaka

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Carta Para Dede(12): E essa agora? As mini saias foram ou não proibidas em Lichinga?

“A prostituição é uma actividade contemporânea à própria civilização. Embora
tenha sido, e continue sendo, reprimida inclusive com violência e estigmatizada, o facto é
que a actividade subsiste porque a própria sociedade que a condena a mantém. Não haveria prostituição se não houvesse quem pagasse por ela.” Fonte aqui


Amigo Dedé,

Depois do sururú que ouviu em torno das medidas recentemente tomadas em Lichinga, anda rodando por ai, um email contendo o suposto esclarecimento do Conselho Municipal de Lichinga em torno da propalada proibição de saias curtas. Vou passá-lo aqui na íntegra:

" Cumpre-nos esclarecer que no dia 05 de Julho de 2011, o conselho municipal propôs à Assembleia Municipal a análise da Mendicidade, Prostituição Infantil e Poluição Sonora na cidade de Lichinga, onde a Assembleia Municipal , pela resolução nº 28/AMCL/SO/2011, DELIBEROU O SEGUINTE :
1. PROIBIÇÃO DA PRÁTICA DA MENDICIDADE NOS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS E A APLICAÇÃO DE UMA MULTA DE 200.000,00MT (DUZENTOS MIL METICAIS) AOS INFRACTORES.

2.PROIBIÇÃO DE ACOLHIMENTO DE PESSOAS PARA A PRÁTICA DE PROSTITUIÇÃO INFANTIL NAS CASAS DE HOSPEDES E PENSOES , AOS INFRACTORES APLICAÇÃO DE UMA MULTA DE 150.000,00MT ( CENTO E CINQUENTA MIL METICAIS)

3. PROIBIÇÃO DA POLUIÇÃO SONORA NA CIDADE DE LICHINGA DE 2ª -5ª FEIRA DEPOIS DAS 20HORAS E AOS DOMINGOS DEPOIS DAS 24HORAS , AOS INFRACTORES A APLICAÇÃO DE MULTA DE 100.000,00MT ( CEM MIL METICAIS).

Portanto as medidas tomadas para o combate a mendicidade, prostituição infantiol e poluição sonora foram as que acabamos de citar , não constituindo verdade qualquer outra diferente destas três.
Assim gostariamos de reiterar mais uma vez que não constitui verdade que o municipio de Lichinga pretende banir a circulação de sais curtas na nossa cidade de Lichinga.
PELA ATENÇÃO, MUITO OBRIGADO

Lichinga 14 de Julho de 2011
Assina Presidente

Como se pode entender, na mensagem o conselho municipal de Lichinga apresenta oque realmente foi decidido e deixa claro que o assunto de saias curtas não fazia parte das decisões tomadas pela sua assembleia. Supondo que essa seja a “verdadeira verdade”, não me contive em questionar onde é que os orgãos de informação(Rádio moçambique, STV, O País, Domingo) que publicaram a proibição de saias curtas em Lichinga, foram trazer a história? Fizeram-no simplesmente apartir duma fofoca, sem ter ao menos contactado o municipio de Lichinga? Se esse foi o caso, estamos diante duma brincadeira de muito mau gosto desta vez protagonizada pelos nossos jornalistas. Desta vez, porque já tivemos outras brincadeiras de mau gosto protagonizadas por outros grupo de quem se espera trabalho sério. Entretanto amigo, antes de simplesmente “atirar pedras” aos jornalistas vale a pena explorar outros elementos.

Há quem diz que tudo não passou duma desinformação das mais barata, dos que estão interessados a desacreditar os esforços que tem sido levados a cabo pelos governantes no sentido de melhorar a vida das populações nos mais variados canto desse nosso belo Moçambique. Dedé, no vocabulário político “moderno” diríamos simplesmente que foi obra dos “apóstolos da desgraça” mas será? Temos que concordar que a ideia de acabar com a mendicidade, a prostituição infantil entre outros males que enfermam a nossa sociedade, é inequivocamente nobre, entretanto há que procuarar entender profundamente as raízes que sustentam esses males, antes de vir tomar decisões precipitadas e populistas que logo a primeira vista se mostram ineficientes. Se reparares para os valores das multas por exemplo que rondam em centenas de milhares de meticais dá para perceber que estamos diante duma simples propaganda que visa mostrar que a edilidade está mesmo preocupada com a situação mesmo que no fundo ela mesma não acredite a possibilidade de cobrar e ser paga essas multas. Em jeito de brincadeira alguém questionou se não era o caso do Municipio de Lichinga estar ainda a usar o metical da antiga família o tal recheado de zeros?

A falta de clareza nas medidas é outro aspecto que merece nossa atenção Dedé. Por exemplo no NÚMERO 1 vale a pena questionar se é só nos estabelecimentos comerciais onde se pratica a mendicidade. Já agora deixa-me perguntar oque acontecerá os que se recusarem a pagar essas astronómicas multas. Vão à cadeia?

Para terminar amigo Dedé, ando desconfiado que o municipio tenha mesmo decido proibir o uso das saias curtas mas sem contar com o barulho que isso criaria e vem agora depois de perceber os “danos” tentar “apagar o fogo”, aliás se esse for o caso, essa atitude de dizer e logo asseguir “desdizer” está se virando moda nos dias que correm, exemplos não nos faltariam.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cara ao Nelson: Conjecturando sobre a compra de novos autocarros da TPM

Entro de rompante aos teus aposentes mais cedo que o habitual para exprimir-lhe meu desagrado quanto aos novos autocarros dos TPM, Nelson!

Nelson, você sabe que o País não tem uma política de transportes públicos tão pouco normas que norteiem o desenvolvimento deste sector importantíssimo sobretudo para o moçambicano pacato.

O vazio legal e regulação apropriada dos transportes é airosamente usado pelos camaradas no poder para um sem fins de situações embaraçosas que culminam num autêntico rodopio,
  • seja em compras de autocarros e mercado pouco de reconhecida reputação comercial com o grosso a destinar-se ao turismo, seja em aumentos pouco sóbrios que de repente são abortados;
  • seja em compras mais recentes ainda de outros autocarros, por assim dizer, numa jornada de festivais de defraudações ao estado em pretensas sub/sobre/facturações para comprar viaturas de pouca qualidade;
  • seja ainda numa demissão desenfreada do PCA daquela empresa de transporte público e seu colectivo, alegadamente por desobediência ao governo.
 Nelson, tal como aconteceu aos concursos de fornecimento de energia para a Vila de Vilanculos em que o alto magistrado tinha infiltrado sua empresa num concurso público e que veio se a saber que a tal era de facto sua empresa, obrigou a instituição credora internacional ao projecto a interpelá-lo, tendo a retirado cabisbaixo e desavergonhadamente, hoje constam notícias de que as mais de meia centena de autocarros dos TPM foram fornecidos aos estado por uma das empresas de que é dono o chefe do estado. Tal empresa ganhou o concurso de fornecimento dos autocarros! Você pode se rever neste chefe do estado caso isto constitua uma verdade? As minhas preocupações, Nelson, continuam a ser esta/s:
  • Ausência da política de transportes
  • Interferência dolosa e danosa das figuras de proa em empresas pública
  • Aparente apatia do público diante da alta corrupção
  • Leis pouco relevantes que, antes de mais, defendem os detentores de cargos mais altos de gestão da coisa pública em prejuízo do estado e da população.
Se tal acontecesse enquanto o transporte público servisse a cada vez mais moçambicanos nos distritos e localidades deste país, ao menos. Agora não! Mais teria dito. Um abraço

Dedé Moquivalaka

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Prostituição e (pós-)modernidade: em Moçambique

Amigo Nelson,

Muito obrigado pela recente missiva. Vejo que ti aborreceste com a problemática do COJA quanto à organização dos Jogos Africanos Maputo 2011. É triste ver como as entidades oficiais deste país embarcam numa jornada de contradições e em público sobre os processos de construção da vila (olímpica?) dos jogos. Entristece mais porque também nessas entidades não há integridade suficiente para vir ao público e redimir-se dos seus erros e, ao mesmo tempo, informar ao público sobre a quantas vão os preparativos dos jogos. A imagem do País é que está em causa depois do desaire com o Campeonato Mundial de okey em patins muito recentemente. Ora, não me vou deter nisto. Vou é falar da postura e como aparecer em público por parte das mulheres em Moçambique; ou seja, em Lichinga/veja o elo.

Em tempos atrás (década 70, 80 e meados de 90), imbuídos da doutrina socialista sobre o homem novo, as meninas (por vezes rapazes), foram vítimas da tirânica decisão do governo do dia, de proibir o uso de sapato de salto alto, minissaias, maquilhagens de qualquer natureza, entre outros. Assistimos a formalização duma lei anti-minissaia pelo então parlamento mono-partidário e ratificada e até operacionalizada pelos agentes da Frelimo. Deu no que deu. Nunca foi acatada. Ficou letra morta por ser contra os direitos mais elementares do cidadão e, sobretudo, das mulheres.
 
Nos dias que correm, Nelson, voltamos à vaca fria, com o Conselho Municipal de Lichinga quer legislar a proibição do uso de minissaias sob pretexto de lutar contra a prostituição naquela região do país. Essa notícia está correr mundo, meu Deus! Imagine de quão  lisonjeiro pela negativa é ao País inteiro. Sabe-se que a prostituição é uma profissão sui generis e das mais antigas que há memórias. Daí que em muitos países é uma actividade perfeitamente legal como outra. Me lembro que já estive na Malásia no curso desta década. Nelson, em pleno coração de Kuala-lumpur vi com os meus próprios olhos esta actividade a ser exercida e emprestando, como qualquer outra, o respeito que se impõe. Malásia é, diga-se de passagem, um dos países onde a religião conta e cerceia a vida das pessoas entre os países do sudeste asiático a seguir a Indonésia.

Qual é o motivo que leva o Conselho Municipal de Lichinga a lançar-se nestas medidas draconianas? Fosse isso numa Beira, por exemplo, não imagino qual seria a reacção. Muita pena que isto atente à liberdade da mulher (e homens) nesta profissão secular por falta de juízo de quem manda na coisa pública. Resta saber com que cara ficam pintados todos. Mais teria dito,
Um abraço
Dedé Moquivalaka

quarta-feira, 13 de julho de 2011

MAHUNGU - Valor das visitas de trabalho

SÃO muitos questionamentos que se levantam no país quando determinadas individualidades governamentais realizam uma visita de trabalho, precisamente neste período em que foi decretada a política de austeridade, ou seja, a utilização racional dos parcos recursos financeiros disponíveis.

Maputo, Quarta-Feira, 13 de Julho de 2011:: Notícias
 
Alguns não “olham com bons olhos” a deslocação em missão de serviço de um governante de nível central para as províncias, assim como dos directores provinciais para os distritos. Dizem que as visitas, no geral, não passam de um esbanjamento do pouco que se tem. Os mais críticos dizem até que as visitas de trabalho não passam de simples passeios ou mesmo viagens turísticas, sobretudo quando se visita uma província como Inhambane, uma bandeira turística.

domingo, 10 de julho de 2011

Kamikazes infiltram estado, Nelson!

 “O Estado de Direito é especialmente importante para os membros mais fracos da sociedade, porque assim são assegurados de que poderão viver em segurança…” …”O Estado sou eu” dizia Luís XIV. 

De volta à tua companhia, Nelson. Agradeço a tua recente missiva ao respeito da aquisição de autocarros pelo Presidente da República para depois os vender ao Estado. Fizeste um reparo pontual e que se impunha fazer sobre o assunto. Quo vadis, Guebuza!

Nelson, ainda que possamos acreditar que o nosso estado é de direito e por essa via governado segundo o regime que o postula, mas temo-lo como é; ou seja, atropelado pelas vicissitudes do momento dos agentes que o infiltram. O nosso estado está infiltrado e saqueado pelos mesmos agentes que se dizem ser o seu guardião, o seu garante e o que (não) fizeram e (des)fazem (por) (d)ele.

O simples facto de lá estar infiltrado sem guarda algum que os denuncie é preocupante e, pior que isso, os agentes não admitem conversa nem o pestanejar de olhos a ilharga com vista voltada ao estado.

Nosso governo é kamikaze, Nelson, porque encontrou um estado passivo (sempre o foi) que não se protege. Os agentes e os seus «protegés» o oneram, o fazem o que quiserem em nome do (maravilhoso) povo.

Não espanta nem ao menos incauto que os agentes venham “vender autocarros” ao Estado com o mesmo dinheiro que tiraram dele. É ético isto para um magistrado público apossar-se da pataca das nossas contribuições e fazer o que bem entende?

Fico-me por aqui por enquanto Nelson e lembrar-te que há mais coisas por falar desses kamikazes na próxima correspondência. Que tal se reflectirmos sobre o facto dos kamikazes e seus protegés teimarem com o despesismo das ditas presidências abertas e inclusivas? Espero. Um abraço de sempre.

Dedé Moquivalaka – 10.07.2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Carta Para Dede(10): X JOGOS AFRICANOS



Dede meu amigo,
Nem adianta tentar aqui lembrar quando foi a última vez que trocamos correspondência, aliás nem interessa lá tanto lembrar. Hoje quero te falar apenas  dos X Jogos Africanos que já estão mesmo à porta se tivermos em conta que menos de dois mêses nos separam deles e parece que as coisas não correm lá tão bem como por muito tempo nos fizeram acreditar. Li hoje no "O País", que o COJA se depara com um défice orçamental na ordem de 68%, estamos a falar de por ai uns 2 bis, e fiquei simplesmente alarmado. Alarmado não necessariamente pelo valor apesar de alto, mas principalmente olhando para o tempo que nos separa da data marcada para o início dos jogos, primeira semana de Setembro. Se tivéssemos pelo menos mais tempo, ainda podiamos pensar em “ginásticas” que nos ajudassem a de alguma forma conseguir esse dinheiro, mas à um mês e pouco dos jogos, só um milagre mesmo e daqueles grandes e raros.

Amigo, eu penso que o nossos excesso de confiança, excesso de auto-estima aliado à falta de humildade, foi oque nos levou à essa situação. Quando a alguns anos a Zâmbia renunciou a organização dos jogos deviamos ter pensado mas friamente antes de precipitadamente assumi-los. Tinhamos que ter pensado se temos realmente capacidade organizacional que eventos dessa natureza exigem, para em tão curto tempo(insisto no problema de tempo) nos prepararmos para receber os jogos. Passou-se muito tempo sem que algo de vulto e visível tivesse sido feito. Ouviamos de vez em quando falar dos Jogos Africanos mas falava-se de ânimo tão leve que nem parecia que seria realizados cá em Moçambique. Oque ficava claro é que havia confiança de que era possível mas essa confiança vinha apenas dos discursos bem polidos e não de obra feita. Aliás factos como a tardia adjudicação das obras de reabilitação dos recintos desportivos entre outros mostravam que havia problemas sérios que os organizadores teimavam em não admitir.

Os que questionavam da nossa capacidade de organizár o evento ou oque se estava a fazer de concreto enquanto passava o tempo, foram “crucificados” tendo sido atribuídos nomes e nomes. Nunca se pensou que a preocupação legítima desses moçambicanos não visava “sabotar“ a organização mas sim ajudar os organizadores a “cair na real” e começarem a correr com as coisas à mesma velocidade que o tempo ia impiedosamente correndo. A dias ouvi que o Primeiro Ministro como que despertando dum pesadelo, foi ao Zimpeto e fazer um “micro management”, exigindo relatórios diários sobre os trabalhos de construção, para ver se as coisas andavam um pouquinho mais rápido. Houvesse gente séria a frente das coisas, não seria necessária essa “mãozinha” do PM e se ela tivesse chegado um pouquinho antes talvez ajudasse mesmo a mudar o curso das coisas mas a menos de dois mêses tenho muitas dúvidas.

Há quem diz que é “o preço que se paga quando as nomeações para cargos públicos são feitas na base de clubismos, laços de consaguinidade, incompetência e compadrio! A factura pode demorar mas vira sempre!”, numa clara alusão que as pessoas a frente da organização dos X Jogos Africanos tinham tudo menos a ideia real da dimensão organizacioal exigida para tal . Me parece que nem humildade de reconhecê-lo tiveram.

Enfim amigo, parece que estamos preste a assitir á um desastre que só não será digno desse nome porque foi bem planeado.
Deixa-me ficar por aqui com um forte abraço
Nelson

sábado, 25 de junho de 2011

A cesta básica e o discurso de capitulação


Por exemplo, Alberto Chipande disse que durante a guerra, os combatentes da Frelimo não pediam comida, produziam-na. Mas alguém se esqueceu de lembrar ao veterano da Luta de Libertação Nacional que, no caso da cesta básica, ninguém a pediu ao Governo. Foi o próprio Governo que a inventou e a anunciou às populações, mas que, depois, lhe faltou coragem para vir dizer às mesmas populações que já não a ia dar
Depois da exclusiva revelação por parte deste jornal de que o Governo tinha, secretamente, deixado cair a cesta básica, assistimos, esta semana, a um coro de vozes argumentando a favor desta decisão. Desde o Niassa, onde está o Presidente da República, em presidência aberta, até à Escola do Partido, onde o veterano Alberto Chipande deu palestra para falar de... Samora, passando pela perturbadora investida do ministro da Indústria e Comércio ao Telejornal da TVM, na sexta-feira antepassada, todos insistiram na tese de que o país está estável, não há necessidade da cesta básica. Como se alguém tivesse saído à rua a exigi-la.
Por exemplo, Alberto Chipande disse que durante a guerra, os combatentes da Frelimo não pediam comida, produziam-na. Mas alguém se esqueceu de lembrar ao veterano da Luta de Libertação Nacional que, no caso da cesta básica, ninguém a pediu ao Governo. Foi o próprio Governo que a inventou e a anunciou às populações, mas que, depois, lhe faltou coragem para vir dizer às mesmas populações que já não a ia dar. Não fosse este jornal, e até hoje, as populações estavam na expectativa. Isto é que não é aceitável em quem governa. Reagir no lugar de agir.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Crise no MDM (Palavras de Fundo 1)

Sob epíteto de guardiões dos muitos moçambicanos que sofrem das mais tamanhas descriminações e subjugação pelo regime do dia, os dirigentes do MDM embandeiraram em arco ao cismarem e colocar em prática um filosofia política que não entrosa e une as várias sensibilidades dentro do Movimento. Quezila-nos, não é?

De todas as maneiras, o salutar é o facto de tudo sair para aqui à rua para o aprendizado dos demais incluindo os adversários ideológicos, no caso da Frelimo que diz que “não lava roupa em praça pública” para elencar o culto do medo no seu seio.

O MDM pode outrossim estar a enfermar de uma profunda crise. Disso ninguém tem dúvida. Mas a crise, creio eu, é sucedânea, na medida em que atesta a maturidade da actual classe dirigente do MDM na audácia e cometimento para contornar os problemas com que se debate o Partido e lograr o seu desiderato enquanto voz do povo.

O MDM é, na verdade, a esperança de muitos de nós, aos milhões! Não se pode deixar apagar a chama que nós todos ilumina. Não podemos sentir o receio de criticar algo errado, de aceitar a critica construtiva também. Assim vamos em frente!

O MDM deve desde já arregaçar as mangas revisitar os seus estatutos, a sua classe de dirigentes, os seus membros para aferir do seu actual estágio histórico. Sem definhar, MDM que se atire a consulta aos seus membros e não fique indiferente e, por vezes, insensível às realidades confrangedoras.

MDM deve inequívoca e resolutamente voltar-se ao seu projecto de cidadania política quanto a pobreza absoluta, boa governação, a educação, a saúde, a agricultura, a mineração, a unidade nacional entre outras prioridades. Dirigentes e os que nele militam esgrimirem argumentos convincentes que contraponham os ideais dos partidos da delapidação, da destruição e da descrença por futuro em que Moçambique [seja de facto] Para Todos.. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Carta ao meu amigo Nelson no Chitengo, Gorongosa (19)


Meu caro Nelson;

Faço votos que estejas bem e que os teus afazeres à contento. Por mim, tenho ido bem graças a Deus. Nelson, ti escrevo brevissimamente já em solo pátrio, mas concretamente de Maputo onde tive a ocasião de me ‘arrefecer’ do fosso dos fusos horários que não é nada de brincadeira. Para ti dizer a verdade, passaram umas boa três semanas para que me ajustasse ao ambiente e a sua gente.
Maputo próspera e soberana foi batizada pelo seu edil – Eneas Comiche – no credo de lhe tirar do marasmo a que foi votada pelas administrações danosas dos anteriores edis. De facto, na área infra-estrutural, está cidade deve ter experimentado uma r/evolução nunca por nós vista desde que Moçambique se livrou do jugo colonial em 1975. Pois, imprimiu-se uma nova dinâmica no capítulo das estradas, onde eu testemunhei que sob o pulso de Comiche, artérias como a que passam ao lado do Mercado Central – av. 25 de setembro e a Luthuli, sem me esquecer a Joaquim Chissano são autênticos tapetes. Conduz-se bem por elas, Nelson.
Mas, o que mais nos atormenta é a alta velocidade dos veículos que, a despeitos destas melhorias, perigam a vida dos transeuntes. Para dizer que Comiche fez de que foi muito mal agradecido pela turma dos Camaradas.
Vi também que houve um esforço da parte do Governo Central de estabelecer um Governo Provincial da Cidade de Maputo a desafiar nitidamente o já eleito Governo chefiado pelo Dr. Eneas Comiche. Nelson, para ti dizer que ninguém sabe o que o Governo Provincial da Cidade de Maputo faz. Só confunde, só distrai, só retrai, só suga do erário público já de si pressionado por realizações. Na prática o que está acontecer é que para um mesmo território, duas dotações orçamentais têm que ser passadas e alocadas. Que falta de inteligência é esta? Será que com a ausência do factor que levou Guebuza a criar um Governo Paralelo, não reconsidere desta vez e mande cessar a sua amiga e camarada Rosa Silva? Esperemos para ver!
Nelson outro pormenor que me chamou atenção é o facto de já se estar a viver a grandes ‘apertos’ nos seio dos populares, assim que nos aproximamos as festas do Natal e do Ano Novo de 2009. Os comerciantes já de vento em popa empolando os preços. Tudo sobe em flecha. Para as autoridades não faz sentido que se aumentem os preços e multiplicam avisos disto e daquilo mas que na prática não impede os comerciantes desonestos passear a bel prazer a sua máquina especulativa. Isto por um lado.
Por outro, os efeitos da crise mundial financeira já começou a ter repercussões na nossa economia quer por via da liquidez das instituições quer mesmo na forte desvalorização que as principais moedas de troca/venda que circulam no nosso mercado. Isto para dizer que o Rand, a moeda que mais foi usada nas últimas décadas, tem sido preterido no lugar de outras moedas mais estáveis, sobretudo o dólar americano que se valorizou nos últimos tempos.
Não queria me referir a esta alta de temperaturas econômicas financeiras que passamos – até porque o verão ‘amarelo’ está entre nós – para não mencionar as temperaturas políticas. Nelson, o “fenômeno” Daviz Simango verificado a milhares de milhas faz eco aqui na Capital. Aqui e acolá, se vêem pessoas a esgrimirem-se em cavacarias sobre os ‘efeitos’ e o ‘se’ bem assim os posicionamentos dos demais actores políticos. Uns tentando minimizar e outros re-jubilam-se pelo feito.
O mais certo é que Daviz Simango cultiva consenso a cada dia que nasce aqui na capital tanto que o facto de milhares de membros e militantes da Frelimo o terem votado desta vez, não se deixa de sonhar que este se assuma como o candidato as presidenciais de 2009. Sinais desta apetência a figura de Daviz Simango foram despoletados recentemente pelo grupo da Renamo, liderados pelo Vice-chefe da bancada da Renamo no Município de Maputo, A. Macuácua, que veio ao terreiro afirmar que a “Perdiz” anda “doente”.
Nelson, pode-se afirmar categoricamente que a nação só tem a ganhar caso Simango, com esta força quase anímica e fugaz que se vive, leve a causa e o desiderato da democracia que ele abraçou à bom porto: reclamando para si a Presidência da República.
A caminharmos a largos passos para o términos do ano, queria ti desejar umas boas festas e que o ano 2009 seja feliz e próspero.
Um abraço forte do teu
Dedé

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Varridos do mapa

 Uma opiniao - O pensamento de: Machado da Graça
Os candidatos da RENAMO foram completamente varridos do mapa das presidenciais de municípios em todo o país. Foi uma limpeza completa. Não sobrou nem um. Não só a "perdiz" perdeu as cinco autarquias que tinha conquistado nas eleições anteriores como não conseguiu ganhar nenhuma das outras, quer as já anteriormente existentes, quer as 10 novas. No momento em que escrevo a única hipótese que lhe resta é ter a possibilidade de uma segunda volta em Nacala. Um desastre total e completo.
Em qualquer país democrático do mundo uma derrota deste tamanho teria um preço automático:
a imediata substituição da direcção do partido. Na nossa tão estranha forma de democracia,
muito provavelmente nada vai acontecer e tudo continuará na mesma. Ou, pelo menos, Afonso Dhlakama e a sua corte vão tentar que tudo fique na mesma. Resta saber o
que irão fazer as bases do partido. Porque, indubitavelmente, a RENAMO tem bases,
como acabamos de ver na Beira. E não estou a falar das poucas centenas de
pessoas que votaram no tragicómico candidato Manuel Pereira. Estou a falar dos muitos milhares
que depositaram o seu voto em Daviz Simango. O que aconteceu na Beira foi, acrescentado ao
desastre em todo o país, a cereja no cimo do bolo. Afonso Dhlakama tinha, nas suas mãos, a possibilidade de uma vitória do seu partido na segunda maior cidade do país e, pelas suas próprias mãos, deitou para o lixo essa possibilidade. Não é nada fácil conseguir fazer uma asneira
política deste tamanho. Mas Dhlakama não é homem para ter medo de tarefas difíceis... De Mbararano em punho arremeteu contra o jovem engenheiro e o resultado está à vista.
Se o que se passou agora entre nós tivesse sido no Japão, os órgãos da comunicação social teriam sido chamados para a casa do Presidente da RENAMO para testemunharem o solene Haraquiri do líder. Teriam visto o pai da democracia colocar um tapetinho
no chão, ajoelhar-se em cima dele e espetar na barriga a maior faca que tivesse na cozinha.
Mas isso são coisas de asiáticos, normalmente magros, e não de africanos a quem a boa vida dos
anos da paz arredondou o ventre para dimensões respeitáveis, tornando tecnicamente difícil a
operação. Talvez seja a altura de as tais bases da RENAMO insistirem, muito seriamente, na realização do sempre adiado Congresso do partido para ver se conseguem mudanças significativas de linha e de nomes. Para bem daquele partido, os velhos nomes dos homens que vieram do mato devem começar a ser substituídos pelos novos nomes dos que vieram das
universidades e das cidades, à semelhança do que têm vindo a fazer os seus eternos rivais.
O próprio caso do candidato Eduardo Namburete, em Maputo, aponta também nesse sentido.
Embora tenha perdido, conseguiu uma votação muito superior à que a RENAMO tem conseguido neste bastião da FRELIMO. Podendo, é certo, aqui ter ocorrido também uma "ajudinha" dada pela inacreditável decisão de a FRELIMO substituir Eneias Comiche por David Simango como seu candidato.
E, embora perceba que Comiche, pela sua maneira de ser, pela sua disciplina e, até, pela sua
idade, não podia ter feito o mesmo que o Simango beirense, tenho pena que ele não tenha concorrido também como independente ao município da capital. Não ponho de lado a hipótese de que pudesse ter ganho e aí, sim, teríamos uma revolução completa na nossa maneira de fazer política.

sábado, 15 de novembro de 2008

Carta ao meu amigo, Nelson, no Chitengo, Gorongosa (18)

Nelson meu caro amigo,
Quero, antes de mais, saudar-te. Antes tarde de que nunca, meu Nelson. Tardio chego eu ao teu convívio desde que ti prometi que ti escrevia ontem. O prometido e' sempre devido.
De todas as maneiras, estou indo aos poucos como se constuma dizer. Não fosse a velocidade dos acontecimentos que, as vezes, me colocam numa situação de pasmaceira. Os mais esclarecidos diriam ‘ó Dedé, a vida é assim!’.
Nelson hoje te escrevo, muito à proposito destas eleições internas; ou seja, locais e do aprofundamento da nossa jovem democracia. Sabes porquê chamo eleições internas, pois não? Tu sabes...
Mas devo dizer que desde que a chamada comunidade internacional decidiu prescindir da observação das eleições locais nas autárquias, tudo ficou a mercê do regime do dia. Mesmo que se diga que mais de trezentos observadores foram registados há dias, tais não são de peso! Tira credibilidade ao processo, não é Nelson? Deixemos isso assim, mas registe isso porque vamos de futuro precisar de aclarar quando é que as eleições são eleições e quando é que são eleições de segunda linha.
Sobre as eleições locais per si, a meu ver é um exercício que deve ser de aprofundamento democrático e da elevação da participação do cidadão na escolha dos membros mais iluminados da sociedade para dirigir os destinos das autárquias locais durante um certo período, neste caso os 5 anos.
Quero ser mais proativo aqui para dizer que Moçambique está de parabéns e num bom caminho por dar esta oportunidade única ao cidadão comum. Há países como a Coreia do Norte, Cuba, Birmania, Libia entre outros onde a ditadura monopartidária ainda impera e os cidadãos com liberdades drasticamente diminuidas. Em Cuba, por exemplo, só este ano de 2008, é que o cubano teve acesso a um simples aparelho de comunicação, telemóvel. Na Birmânia, os militares privam a liberdade de expressão do cidadão e na Líbia só um partido é permitido, o do Coronel Muamar Kadafi.
Ainda que a derrocada final ao regime monopartidário e draconio da Frelimo seja uma realidade entre nós, continuamos a assistir os seus véstigios, promotores e seguidores na praça pública. O uso abusivo da palavra, dos bens públicos por parte dos elementos do Partidão; uma reminescência do sistema político ditatorial continua a tomar os moçambicanos de apreensão e medo.
Nelson, poderias me perguntar que sinais eu noto que me levam a sustentar este meu reparo. Ora, a Frelimo tem amiudemente se autoproclamada único partido ‘maduro’, ‘experiente’. Ora a Frelimo poderá estar muito sazonada e versada, mas veja só Nelson o sofrimento e pobreza aguda que nos trouxe nos últimos 33 anos de Independência. Os moçambicanos continuam a viver no limiar da pobreza absoluta. E para mais achas 'a fogueira, veio o candidato Bulha ao terreiro vocifero: ‘caixões gratuítos’; um não à saúde aos moçambicanos. Já viste o que é isto, ó Nelson?
Não me vou alongar mais, só para dizer que, na parcela do país onde vives, se deu uma ‘virada’ política histórica que constitui, julgo eu, pano para manga, um verdadeiro ‘laboratório’ para os historiadores, sociológos, sociolinsguístas ensaiarem as suas teses.
A decisão de Daviz Simango candidatar-se como independente a sua própria sucessão é a que mais 'reverbera' nessa 'virada', depois que pretérido pelo seu próprio Partido, a Renamo. Parecendo que não ele rescreveu, com sinal pândito e claro, os conceitos da participação popular, democracia e seleção de candidatos nos partidos, pós-moderna.
Tal vai informar como Moçambique deve ser gerido nos próximos tempos, sem me esquecer dos papéis dos órgãos de soberania, como a CNE, PGR e CC que parece andarem à ilharga de cuja fossilisação impera a construção democrática neste país, neste momento.

Um abraço forte!

Dedé

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Carta mais tarde

...ao meu amigo em Chitende, digo, Chitengo!
Tenho que me lembrar que, cedo ou mais tarde, vou ter que responder a carta (8) do Nelson. Lá lá vão uns dias que não me organizo. Nelson vai ter que me desculpar por este 'descarrilo' todo.
Com tanta coisa a passar por nós e connosco, até nos esquece aqueles que nos são bem queridos e patilhamos alegria. Espero acabar com esta vergonha, hoje. Até logo!

Por Daviz Simango, beira eufórica!

Nessa sua viagem épica Daviz Simango à sua própria sucessão.
Faz tempo que não lavrava um única passagem da 'poeira' da imaginação sobre o que penso na realidade sobre a Beira, sobretudo de como vejo o candidato independente. Mas enfim, chegou a vez. Não diria coisas para me desculpar, mas para o saudar e...mesmo dentro desta ‘borrada’ das eleições municipais, desejar-lhe força e sorte, ante grandes gigantes que lhe teimam pôr o chapéu com abas rastejantes, ocúlos escuros mascarando a visão como se de turista se tratasse! Felizmente, essa não é sua identidade, nem seu moduz vivendi, tão-pouco seu moduz operandis. Beira exalta o homem para o seu destino!
Foto Noticias

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Carta do meu amigo Nelson (8)

Recorde aqui a antecedente a esta (7)


Oi amigo Dede!
Bom que a gente se encontra lá no Multiply nem? É que nesses desencontros ficaria chato se não ouvesse outro jeito.Estamos ainda na ressaca da victória de Obama. Daqui e dali vai-se dizendo um monte de coisa mas para mim fica gravada apenas uma. YES WE CAN.
A cidade onde moras faz mais um ano e tenho que te felicitar por isso. Numa altura em que as campanhas vão ao rubro e logo logo elegeremos os nossos “mayors”. Amigo é muita confusão já e fico me perguntando como será mesmo que isso vai acabar.
Li no último Magazine que Dhl[a]k[a]ma ameaça inviabilizar o processo caso os seus candidatos de Dondo Gorongosa e Manica sejam real e definitivamente excuídos da corrida. Eu não sei oque isso(inviabilizar) significa mas não gostei nadinha da conversa.
Amigo, Estive na Beira na passada Quinta feira e senti o “cheiro” forte da campanha eleitoral. Cartazes e desfiles um pouco por todo canto. O que estranhei foi “ausência” do candidato da RENAMO. Não me lembro de ter visto alguma cartaz T-shirt de Manuel Pereira. Lembrei-me primeiro que Dhl[a]kama dissera que a RENAMO não tinha dinheiro para essa campanha e depois lembrei-me que campanha não é só cartaz e T-shirt(?).Amigo vamos esperar para ver.Abraços daqui do Chitengo.
P.s: Vamos(Leões de Chitengo) disputar a final da taça distrital de Gorongosa. A rapaziada esta bem animada e a victória está bem

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uso ilicito de bens do Estado para campanha eleitoral

...denunciada

Noé Nhantumbo escreve sobre a delapidação da coisa pública na sua coluna de opinião, hoje atinente às autárquicas de 2008. E reflecte:
“quando o presidente da República fala à nação sobre a necessidade de civismo e obediência à lei deveria incluir no seu discurso, que os partidos políticos, inclusive aquele de que ele faz parte e do qual é aliás presidente, devem-se coibir de usar meios ilícitos para alcançar o poder.”
Se ainda quer ter mais subsídios desta peça, leia mais aqui.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Gente como Lagos Lidimo tinha que ser posta 'a prova

...pelo que fizeram, sobretudo contra as ditas provincias renegadas, incluindo a rica Zambezia, onde a Frelimo teria posto o seu plano de terror em andamento durante toda a guerra dos 16 anos e nao so', com Lagos Lidimo [na foto] e grande parte do status quo liderando [quem sabe] os exterminios que ocorreram.

O Blog de J Mutisse veio com as suas CONJECTURAS 3 - Comissão da Verdade e Reconciliação em Moçambique para atacar o problema que temos em maos? Eis os seus pontos abaixo:

"Os meus amigos não páram de me bombardear com perguntas difíceis. Eis que um voltou e me questionou sobre o assunto em epígrafe. Não lhe respondi porque acho o assunto bicudo, por isso vim pedir SOCORRO à comunidade blogósfera. O que pensamos disto?
"Meus caros compatriotas,Mais uma vez, eis-me aqui para compartilhar convosco, intelectuais de que depende o futuro de Moçambique, um assunto tão importante como este: a possibilidade de criação de uma Comissão da Verdade e Reconciliação em Moçambique (uma réplica da CVR da África do Sul) para que sejam perdoados alguns crimes que foram cometidos até um certo momento (por exemplo, até 2004) e se comece uma nova era em que nenhum crime ficará impune.Qual seria o objectivo?
-R1: Evitar que aqueles que se aproveitaram dos bens e valores do Estado até 2004 (por ex.), os que enriqueceram ilícitamente vendendo droga, armas, motores, etc, fossem hoje sancionados, pondo em causa a estabilidade do Estado, tendo em conta que muitos podem estar ainda no activo como dirigentes.
-R2: Começar uma nova era em que todo aquele que se beneficiar ilícitamente de bens do Estado, enriquecer ilícitamente seja exemplarmente punido.
-R3: Resgatar a boa imagem da Nossa Pátria no contexto das Nações (e realizar o sonho de Samora Machel de ver Moçambique a caminhar firme em direcção ao Progresso).O que acham?"

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Guebuza já teve tempo para dirigir como deve ser, mas agora só tem para seus interesses no vasto império empresarial (4)(Fim)



… diremos assim que estado da nação é bom?


Deixe-me terminar esta série. O papel do Ministério da Agricultura (MINAG) que devia ser pivotal está, mais uma vez, deluido e, depois da dinastia Erasmo, caiu no esquecimento face a mão pesada da Presidência da República. Como disse, o ministro-sindicalista deste sector, Soares Nhaca, que se pretendia mais interventor, mais dinamico, anda mais invisível, com 'frangos' por todo o lado e do que pode oferecer .

A tal inteligência sindical, que o caracterizou este homem em tempos, pode se ter transformado numa “amnésia”. Que fazer! Atente-se ao facto de que a verborrea da "Revolução Verde"; ou seja “produzir comida”, sem visão nem convicção, apregoada por este ministro 'a mando do executivo dominado pela ala mais conservadora da Frelimo foi ripostada e chumbada pelos deputados, como sendo uma autêntica ‘fantochada’, e por assim dizer, um falhanço. Quem atacou muito sabiamente o Governo foi Luis Boavida (deputado pela Renamo-UE). Boavida desafiou o Governo a trazer uma estratégia com visão convincente para que aliviemos a pobreza absoluta [Note que cerca de 60% dos 19 milhões de moçambicanos vivem no limiar da pobreza].

Não vamos acreditar que o 'estado da Nação é bom' vindo do chefe do Estado, nos próximos dias. Porque podem ser palavras vazias que significam a negação de uma realidade, cada vez mais e pronunciadamente, desoladora dos moçambicanos. Esta imagem de sucesso vão; desenhada, vendida e muito propalada gratuitamente pelo veículo partidário, neste caso o Jornal de Notícias, não vai confundir a percepção clara com que as populações sobre este Governo.

Só uma agenda claramente alternativa vincaria e traria a acção requerida para altrapassarmos os problemas de pobreza absoluta. Essa agenda nos tiraria da agenda enganadora do status quo. Só uma agenda verdadeiramente democrática satisfaria os anseios do povo. Teimo ajuntar que a Renamo prime facie parece competir a autoridade de oferecer tal alternativa rumo ao progresso e bem estar desta nação. Ainda bem que na Renamo as discussões sejam francas e abertamente clarificadoras das linhas. Ainda bem que na Renamo os conflitos internos não passados por debaixo do tapete [ainda que por vezes mal dirimidos], como é no partido maioritário. Ainda bem que na Renamo o movimento das forças internas na sua plenitude é, portanto, democrático e que se crê saudável.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Guebuza já teve tempo para dirigir como deve ser, mas agora só tem para seus interesses no vasto império empresarial (3)


…o sem que o ministro-sindicalista ao pé da praça dos heróis da Frelimo parece que jamais veja o “game”!
De regresso a série compusando sobre artigo glorificador do Guebuza que referi na primeira postagem. O articulista do notícias disserta-se sobre as passeatas ou presidências abertas em tom muito positivo, denunciando seu clientelismo e certa apetência ao poder do dia. Ele/a não vê o lado horroroso da história advindas viagens do Presidente. Tomemos Portugal, um país relativamente pequeno em superfície, já alguma vez vimos ou ouvimos dizer que o Primeiro Ministro já viajou de distrito a distrito do grande Portugal? Nunca. Precisamente por causa dos gastos que implicam as despesas para a sua segurança, meio de transporte e as mordomias, tais viagens nao figuram se calhar do OE. Por outras palavras, o PM português estaria a delapidar o erário público oficialmente. E por ser mau à economia portuguesa, tais passeatas dum Premier não têem lugar e nem fazem sentido. Agora não me venham bobardear com perguntas de como é que Guebuza pode acompanhar como o país está andar nos vários planos!?
Lá é verdade que é necessário fazer o acompanhamento das “actividades económicas”, mas quando esse acompanhamento cheira à controlar os seus próprios negócios, o que nos resta para avaliar? Para já AG presidente a um caos governativo. Moçambique é, mais uma vez, chamado a assistir as asneiras dum executivo muito perdulário, “molengão”, e acima de tudo, com problemas de ‘saber estar’ e ‘saber fazer’ na acção governativa que há memória. Tal conducta minguante do governo central é, pior de tudo, copiada em cadeia, até aos distritos. Não admira o continuo “venha amanhã” nas repartições do Governo/Estado; não expanta a confusão entre o “meu” e “público” por parte da maioria dos nossos governantes; não há esperança da chamada “revolução verde”. Estrategia sem visão, cuja expressão ignóbil da sua concretização são os tractores apresentados 'a Primeira-Dama não ao MINAG. Enquanto isso o ministro-sindicalista vai cossando “micoses” lá ao pé da Praça dos heróis (Ministério), sem ver o “game” montado na Ponta Vermelha (Palácio). Muito longe o sindicalista jamais atinará, obviamente!

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