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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

“Estaremos todas as terças no Repinga”

Desmobilizados prometem continuar com as manifestações   


– reitera Constantino Wiliamo, porta-voz do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, para quem as declarações dovice-ministro do Interior José Mandra são próprias de quem está a defender o seu pão.

Maputo (Canalmoz) – Depois da violência protagonizada pela Força de Intervenção Rápida (FIR) da Policia da República de Moçambique (PRM), contra os desmobilizados de guerra que estiveram de novo na última terça-feira em manifestação no Circuito de Manutenção Física António Repinga,  nas imediações do Gabinete do Primeiro-Ministro, onde decorria a quarta sessão do Conselho de Ministros, o grupo diz que não vai arredar pé e garante que continuará todas as terças-feiras no mesmo local a reivindicar os seus direitos.
O porta-voz do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, Constantino Wiliamo, reiterou que o seu grupo vai continuar a escalar o “Repinga”, pelo menos enquanto as suas inquietações não serem resolvidas.
“Estaremos todas as terças no ‘Repinga’, porque queremos que o Governo resolva as nossas inquietações”, disse o porta-voz. 
Os manifestantes reivindicam o aumento da pensão dos actuais 600 meticais/mês para 20 mil meticais/mês.
Terça-feira é o dia em que decorre, normalmente, o Conselho de Ministros.
Os desmobilizados alegam que andaram toda uma vida a combater como militares em várias guerras pelo que hoje não têm profissão devido aos anos que passaram a servir exércitos. Agora pagam-lhes de reforma mensal cerca de seiscentos meticais, sensivelmente vinte dólares americanos.


Mandra está a defender o seu pão

O vice-ministro do Interior, José Mandra, comentando na terça-feira o comportamento violento e brutal da Policia, disse: “A Polícia agiu bem. A Polícia tinha que agir como agiu”.
Mas os desmobilizados reagem com normalidade às declarações de Mandra e dizem que é pronunciamento normal de quem está a defender o seu pão. Dizem ainda que os seus assuntos não são atendidos pelo Ministério dos Combatentes, replicando Mandra quando alega que eles devem tratar dos seus assuntos lá e não à porta do Conselho de Ministros.
“Estamos habituados a ouvir isso. Ele está a defender o seu pão”, diz Constantino Wiliamo, porta-voz dos desmobilizados de guerra, enquanto sobe o tom do conflito em crescendo que ameaça agora a tranquilidade na baixa de Maputo, de aqui em diante, todas as terças-feiras que o Conselho de Ministros se reúna.
Nas manifestações da última terça-feira, fizeram-se presente cerca de 500 desmobilizados.
Na terça-feira anterior quando cantavam à porta do Conselho de Ministros os desmobilizados já haviam sido vítimas de represálias. 
Da escaramuça desta terça-feira resultaram dois feridos. Uma idosa dos seus 60 anos contraiu ferimentos enquanto fugia do gás lacrimogéneo e dos jactos de canhão de água lançada pela Policia. Enquanto isso o delegado do grupo de desmobilizados afecto ao posto administrativo de Goba, contraiu igualmente ferimentos graves. 
Constantino Wiliamo, o porta-voz dos manifestantes também foi detido na terça-feira. Só foi posto em liberdade por volta das 10 horas da manhã de quarta-feira.
Refira-se que o líder do Fórum de Desmobilizados, Hermínio dos  Santos, na terça-feira anterior a esta última foi detido e presente a um juiz. Está agora proibido de estar presente em manifestações, bem como sair da cidade de Maputo. Enquanto isso os desmobilizados garantem agora que não vão desistir. 
Maputo vive agora sob protestos dos desmobilizados de guerra, às terças-feiras, e dos ex-trabalhadores na extinta RDA, às quartas-feiras. (André Mulungo)

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