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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Isolamento de A Guebuza condiciona “crise da Renamo”

Pesquisa e análise

1 .Diferentes análises sobre a situação em Moçambique notam que o Presidente, Armando Guebuza, é alvo de crescente contestaçãono regime, do mesmo modo que a sua aceitação na população aparenta ser mais escassa. A importância dos apoios de que dispõe na Frelimo tornou-se menor que a dos seus adversários internos.
Emmeios que apropriadamente acompanhama situação, conjectura-se que o clima de isolamento/impopularidade de A Guebuza se avolumou devido à forma considerada inábil como tem gerido a crise polítco-militar provocada pelo chamado “acantonamento” do líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
Nas últimas semanas, eventualmente agindo ciente da relação entre o seu isolamento e a chamada crise da Renamo, como também é conhecida, A Guebuza e a facção que o apoia denotaram a intenção fazer aproveitamentos políticos da situação capazes de permitir uma recomposição da autoridade e aceitação do Presidente.
A saber:
-  Apelos directos e indirectos a uma espécie de “cerrar fileiras”,inferidamente justificados pela necessidade de relativizar e/ou pressionar adversários internos (em certos momentos apresentados como “apostados”no fortalecimento da Renamo).
-  Promoção de ideias segundo as quais o diálogo com a Renamo é a via a seguir para a resolução da crise; o espírito de boa vontade/compreensão inerente ao diálogo deve, porém, ser inseparável de uma atitude de firmeza no que toca à defesa da legalidade.
A necessidade de combinar demonstraçõesde vontade de diálogo com demonstrações de força na defesa da lei, está patente na coincidência temporal de reuniões políticas com a Renamo, em geral inconclusivas, e na exploração de episódios militares susceptíveis de serem apresentados como sucessos em defesa da soberania.
Em meios da oposição interna a A Guebuza, no regime e na Frelimo, são por demais evidentes manifestações de desapreço em relação ao Presidente. É amiúde comparado com outros presidentes africanos menos prestigiados, conforme resulta de dichotes como o de que organizou o seu poder com base no “modelo eduardista”.
No caso da população, tornou-se vulgar “falar mal”de A Guebuza nos transportes colectivos ou em lugares públicos – circunstâncias antes normalmente evitadas devido ao temor de consequências repressivas para os maldizentes. A fraca aderência ao recenseamento é considerada afloramento de descontentamento popular.
2 .Na contestação política a A Guebuza, mas também no clamor popular, é notório um denominador comum: a chamada avidez que o mesmo denota pelos negócios privados (de interesse próprio, da família e da elite que o apoia), que se diz “misturar”com o exercício do cargo presidencial e uso de respectivas influências.
Na gestão desta inclinação pelos negócios argumenta-se que A Guebuza cometeu dois erros, pelos quais está a pagar em termos de degradação de autoridade e popularidade:
-  Destinou exclusivamente aos seus apoiantes políticos as oportunidades de enriquecimento e de elevação de estatutosocial decorrentes do desenvolvimento da economia; marginalizou ou secundarizou os não apoiantes.
-  Criou mau ambiente com um segmento importante da classe média – jovens gestores e quadros directivos de empresas públicas, pequenas e médias, privatizadas a favor de interesses directos ou indirectos de A Guebuza, com prejuízo para expectativas de carreira dos mesmos.
3 .A contestação polítrica a A Guebuza e a sua impopularidade, são também alimentadas por comparações do mesmo com o anterior Presidente, Joaquim Chissano
– em geral benignas para este, por razões como as seguintes:
-  Cultivou uma atitude de prudente distanciamento em relação aos negócios privados; “deu o exemplo”,conforme crédito que comumente lhe é dado.
-  Em momentos delicados de tensão política propendeu sempre para a o diálogo e a harmonia com a Renamo; A Dhlakama faz constantemente referências primorosas à conduta do antigo Presidente. J Chissano adquiriu enquanto Presidente prestígio interno e externo cujos níveis superam os que A Guebuza conseguiu grangear. As condições consideradas honrosas em que se retirou da política também reverteram a favor do seu prestígio – de tudo resultando brilho superior ao de A Guebuza.
4 .As tensões e atritos que presentemente marcam a vida interna na Frelimo, provêm, na sua origem remota, do congresso do partido de Set.2012. Por efeito da atitude do regime em relação ao “acantonamento” da Renamo e da greve dos médicos (a que se juntou o pessoal auxiliar), o fenómeno entrou em aceleração.
O referido congresso culminou com uma “purga”em larga escala de dirigentes históricos, Jorge Rebelo, Jacinto Veloso, ou Hama Thai, do que resultou uma realidade contraproducente: os novos dirgentes, conotados com A Guebuza, são em geral menos considerados, no regime e na sociedade, que os afastados.
A contestação interna ao tratamento dado pelo Governo à greve dos médicos, incluindo condutas consideradas persecutórias em relação aos grevistas, atingiu uma dimensão rara devido à divulgação de uma carta de Pascoal Mocumbia A Guebuza, na qual são feitas considerações embaraçosas para a política do Governo.
A “rebeldia”de P Mocumbi constituiu um episódio sem precedentes na história da Frelimo desde a independência. Na época imediatamente anterior, o único caso de natureza equivalente, mas ocorrido em circunstâncias especiais, foi uma carta com que em 1968 Uria Simangio criticou Eduardo Mondlane.
P Mocumbi fez parte do núcleo fundador da Frelimo; foi MNE e PM. Goza na chamada ala intelectual da Frelimode apoios ostensivos como os de J Chissano, Mário Machungo, Óscar Monteiro, Graça Machele até mesmo a figuras históricas do Exército como Alberto Chipandeou Bonifácio Gruveta.
De acordo com conclusões favorecidas por um conhecimento habilitado dos meandros do assunto, a carta de P Mocumbi, descrita como uma espécie de “ponto culminante”de uma vaga de críticas a A Guebuza ocorridas em reuniões dos orgãos do partido, foi encorajada por um ambiente favorável e por apoios necessários.
5 .Considera-se que a crise actual também não é estranha à questão da futura sucessão de A Guebuza como Presidente da República. Na última reunião do CC o assunto foi ignorado – evidência que meios próximos de A Guebuza atribuem a um cálculo; o tema é delicado e a sua abordagem pode acarretar consequências indesejáveis.
As eleições presidenciais terão lugar, conforme os calendários, dentro de um ano. O facto de o grosso dos eleitores estar fora das cidades, e de ser entre eles que a escolha dos votantes é feita com base na foto, considera-se estranho que a Frelimo ainda não tenha apresentado formalmente um candidato.
Para além de A Guebuza, só uma figura, na actual composição da Frelimo, preenche o requisito do reconhecimento público. É sua esposa, Maria da Luz, que pertence ao CC e dirige a organização das mulheres, OMM. Volta a especular-se que poderá ser ela a escolhida, justificando-se isso com a sua rara aptidão de ser conhecida.
No passado foram já assinaladas iniciativas destinadas a promover M da Luz, mas as reacções foram negativas. Um ressurgimento de tal cenário, pelo menos nas actuais circunstâncias de contestação a A Guebuza iria aprofundar ainda mais a crise dentro do partido – que se prevê venha a arrastar-se no tempo.
Em meios politicamente independentes também se conjectura que o carácter dilatório que a atitude do regime revela em relação à crise da Renamo, pode obedecer a cálculos comoo de criar condições para um adiamento das eleições e um consequente prolongamento no tempo do mandato de A Guebuza.
Considera-se que o espírito dilatório referenciado na política do Governo em relação à crise da Renamo, está especialmente presente em partcularidades como o emprego de artifícios para atender a pretensões da Renamo ou a recorrente invocação de razões protocolares para adiar um encontro entre A Guebuza e A Dhlakama.
AFRICA MONITOR- 09.07.2013

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