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VOA News: África

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PR tem boca grande!

COISAS DA NOSSA TERRA por Edwin Hounnou

Não queremos trocar mimos com o Presidente, mas, se ele assim o desejar, estamos aqui para jogar. Se Guebuza fosse um simples criador de patos, gansos e perus, ninguém se incomodaria com os erros que cometesse no pavilhão das suas aves.
Em qualquer país, o Presidente da República é símbolo de estima do seu povo de quem sempre se espera uma palavra de esperança e conforto. Pela sua posição como gestor do bem comum, está sob o escrutínio atento do público. Este facto não deve ser motivo que o leva a mandar bocas na praça pública como forma de responder às críticas que se tecem à sua forma de gerir a coisa pública. Pelo contrário, deve servir de termómetro para medir a temperatura do povo. Se as medidas que ele toma agradam ou não aos governados, tem de escutar as vozes menos distraídas da sociedade e não se deixar inchar com elogios encomendados em comícios populares porque esses são preparados para dizerem o que o chefe mais gosta de ouvir.
O Presidente da República, Armando Guebuza, não gosta de críticas à sua governação. Fica lisonjeado com elogios como “o sol ou a luz da nação”.

Quando o Governo vai ao Parlamento é frequente ouvir de cada ministro, antes de responder às perguntas das bancadas parlamentares, adjectivos comparáveis aos que cobrem muitos ditadores conhecidos, tais como ao camarada Presidente da Frelimo e Presidente da República pela forma clarividente como conduz os destinos da nação moçambicana. Parece que o ministro que não seguir o catecismo pode ser mandado embora, por isso,  ministros rastejam perante os deputados. Quando chega a vez dos deputados puxa-sacos, a primeira coisa que sai da sua boca é “a clarividência do sol da nação”. Depois seguem os enfadonhos blá...blá... blá. Guebuza está a caminho de Kim Il Sung!
Aos que “desconseguem” descortinar clarividência nem sol que aqueça nem luz que ilumine em Guebuza, que não há nada para enaltecer, o Presidente chama-os de “tagarelas”, “marginais”, “inimigos do desenvolvimento”, “apostólos da desgraça” e, ultimamente, encontrou um outro adjectivo bem picante: “agitadores profissionais”.
É mau ver e ouvir o Presidente a insultar os seus críticos em praça pública ou em comícios. Mas Guebuza fá-lo com toda a naturalidade. A quem Guebuza quer meter medo? Ele é o Presidente de todos nós, é por via disso que é criticado, quando algo não anda bem. O cargo de alto magistrado da nação é demasiado visível para não passar pelo crivo da crítica.
Guebuza ocupa este lugar, de forma voluntária, por isso, não tem de insultar a ninguém.
Não queremos trocar mimos com o Presidente, mas, se ele assim o desejar, estamos aqui para jogar.
Se Guebuza fosse um simples criador de patos, gansos e perus, ninguém se incomodaria com os erros que cometesse no pavilhão das suas aves. O que fi zer de errado enquanto nosso Presidente mexe com a alma do povo, logo, serão escrutinadas por críticos.
Aqui não é Coreia do Norte, onde todos se prostram perante o “sol da nação” nem estamos no império de Leónid Bréjnev onde os críticos eram jogados na gélida Sibéria. Em Moçambique, a Constituição permite aos cidadãos criticarem sem medo de acordarem em campos de reeducação prestes a serem regados de gasolina.
CORREIO DA MANHÃ – 18.12.2012

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