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VOA News: África

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

“O Povo está cansado com esta governação”

- considera sacerdote Católico a propósito da crescente onda de criminalidade no país
A exclusão, a ausência de políticas de inserção social, a prepotência do partido no poder na discussão e debate dos grande assuntos nacionais, ambição pela riqueza em detrimento da maioria da população, o descontentamento pela governação, são apontados como sendo as principais causas do elevado índice de criminalidade, que ultimamente assola os principais centros urbanos do país, mormente a cidade e província de Maputo, afirmou uma fonte missionária da Igreja Católica, afecta à Arquidiocese de Maputo.
Segundo o sacerdote que não quis ser identificado quando questionado pelo nosso jornal, a visão da Igreja em relação aos últimos acontecimentos no país e avaliação dos 15 anos da Paz em Moçambique, "o povo está cansado com os 32 anos deste Governo e, como tal precisa da nova governação, mesmo que não seja da Renamo". Acrescentou ser necessário por um lado, a revisão das políticas de desenvolvimento social, da segurança, a criação de postos de emprego para jovens, bem como na aposta de projectos de geração de rendimentos, como forma de pôr cobro à criminalidade que alcançou o seu auge. Por outro lado, disse que é preciso estimular as pequenas iniciativas empresariais, de modo que os jovens, incluindo os acabados de sair das universidades, possam fazer alguma coisa para sua sobrevivência, mesmo que seja varrer nas ruas, na falta de melhor emprego.
"Eu penso que o descontentamento com o regime, após 32 anos de governo, é generalizado, sendo que estamos cansados e precisamos de alguma mudança, para vermos novas coisas", disse o missionário que frisava que nos falava na condição de não ser identificado, por razões de não ser a pessoa indicada a falar em nome daquela instituição religiosa, sendo que, como tal, a sua opinião é sua, pessoal, e não a oficial da Igreja Católica.
Para esta fonte, há toda a necessidade de se repensar não somente o envio das pessoas, sobretudo dos jovens para formações em universidades. É precioso começar a enquadrar-se esses jovens no mercado de emprego após a conclusão dos seus estudos, diz.
Questionado sobre as reais causas da actual onda de criminalidade cujos mentores não tem rosto, o missionário referiu vários factores, entre eles, os elevados índices de desemprego, o descontentamento generalizado da população pela governação do partido Frelimo nos últimos 32 anos, os magros salários e a falta de progressão profissional no aparelho do Estado, sobretudo na Polícia, e a ausência de políticas de segurança alimentar. Indicou igualmente a falta de incentivos a pequenas iniciativas empresariais e sociais que poderiam proporcionar pequenos empregos aos jovens. Disse também que muitas pessoas sem formação escolar estão sendo excluídas ou marginalizadas no capitulo pelas exigências e políticas de acesso ao emprego, esquecendo-se que "a pessoa mesmo de qualquer nível académico precisa de trabalhar para o seu sustento e da família".
"Em 32 anos da nossa independência, fomos engolidos por vários factores globais, como a substituição do homem pela tecnologia no local de trabalho. Também as exigências actuais para se obter emprego são inaceitáveis", disse o nosso interlocutor que acrescentou de que "a política do Governo agora é de apenas empurrar os jovens para as Universidades, sem ter em conta o futuro dessas pessoas quanto ao mercado de emprego".
Num outro desenvolvimento, o padre disse que a actual governação é caracterizada pelo esbanjamento dos recursos e rendimentos que o país gera, não sendo possível o povo saber quanto dinheiro o país rende por ano e como é aplicado o mesmo.
"Do que sabemos é de que maior parte das infra-estruturas sociais e económicas que temos neste país, existem graças a generosidade de terceiros ou seja de parceiros estrangeiros, incluindo o nosso próprio orçamento do Estado, cuja aplicação é duvidosa e provém dos empréstimos feitos no exterior e beneficia apenas um grupo de pessoas, que se esquecem de que os outros também precisam o que eles têm", aponta o sacerdote.
Para a fonte, "o dinheiro que o país rende, e o outro emprestado ou doado, devia ser aplicado em projectos de geração de empregos para os jovens que "são os principais focos do crime organizado em vez de ser colocado a créditos bancários de difícil acesso, cujos juros vão para os bolsos do mesmo grupo que ostenta o poder".
"Todos nós sabemos que é difícil obter acesso a créditos bancários para qualquer projecto, sobretudo no sector da agricultura, porque alega-se de que é uma actividade de risco", disse. Acrescentou que "há camponeses a reclamarem na demora do desembolso dos fundos".
Sobre os 15 anos da Paz no nosso país, o mesmo sacerdote disse, que "o que se assiste neste momento é de que muitos moçambicanos foram postos de fora, através da exclusão e marginalização, o que é notório pela ausência de diálogo em debates públicos sobre vários assuntos importantes da nação".
 
Fonte:Canal de Moçambique

 M I R A D O U R O - bloge noticioso-MMVII



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