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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Será que em Moçambique existe uma transição democrática completa?

Por Joaquim M. Malola*
Em Moçambique há um enorme gap entre o que está escrito na lei e a realidade brutal da aplicação da lei. A nova constituição, promulgada em 1990 e revista em 2004, conseguiu incorporar muitos direitos individuais que foram violados sistematicamente no período não democrático. Os direitos à vida e à integridade pessoal foram reconhecidos. No entanto, apesar do reconhecimento formal desses direitos, a violência oficial continua.
A questão que gostaria de formular neste texto é a seguinte: será que em Moçambique a transição de uma sociedade não democrática para uma sociedade democrática foi completa? Será que temos uma democracia consolidada? Para responder a isso, que reputo uma questão difícil, é preciso dar uma vista d’olhos um dos conceitos de Juan J. Linz e Alfred Stepan que definiram a transição democrática como um grau suficiente de acordo alcançado quanto a procedimentos políticos visando obter um governo político; quando o governo chega ao poder como resultado direito do voto popular livre; quando esse governo tem, de fato a autoridade de gerar novas políticas; e quando os poderes Executivos, Legislativos e Judiciários, criados pela nova democracia, não têm que jure dividir o poder com outros organismos (1999, p.21).

quarta-feira, 26 de março de 2008

Poder uno na gênese do ideário frelímico

O plasma frelímico, de controle cerrada dos mídia, nao e' coisa de outra galaxia. Ja' nos habituou. Havera' algo que ela não criou, com a revolução de 75? Nada. Infelismente das criações se registam mais malcriações do que a benfeitoria.
“Alas”, o desejo fervente de domínio dos mídia reside nesta necessidade frelimica de abrir um vacuum, onde ela quer que toda gente se atraia e caia nele, e nele passem a vida inteira imponderáveis; ou seja, sem voz! A Frelimo quer contralar a opinião pública e por via disso, a consciência inabalável de ‘ser’ e de ‘pertença’ e da ‘identidade’ que nos faz únicos num espaço plural.
Outrossim, a turma das 'sons nostálgicos e searas' quer ser a única a mexer o 'jokestick' com o fito de ouvir o toque da musica que lhe sorri as vitorias ao largo das diabruras desta democracia ainda débil, mas certamente em marcha.
Ainda bem que o ilustre presidente renãmico pôs o ‘dedo no guiso’ ao ensejo que se lhe ofereceu para conferenciar o luso presidente, Cavaco Silva. Frelimo, enfim, vê tudo no mesmo galho, pois não distrinça nada entre os poderes de que rege uma nação como esta que bem chamam ‘Pérola do Índico’.
Ao vangloriar-se de quem é que criou a Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ), de cujo pronunciamento saiu de membro seu em Gaza, a Frelimo demonstra, mais uma vez, que ela é o poder todo poderoso pelo poder vicioso. Acima de tudo é um poder maquivelico. Por isso, esta acusão é descabida: o reclamar de natalidade à SNJ da sociedade civil. O que falta é colocar sobre o nome "independente", passando a "SNJ-Independente". Confira aqui um artigo da Ivone Soares no Meu Ser Original. Imagem daqui.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

33 autarcas em Maputo para balanço do 2º mandato

Estão reunidos, de hoje até quarta-feira, em Namaacha, os presidentes dos 33 municípios de Moçambique para fazer o balanço do segundo mandato e discutir algumas estratégias conducentes à melhoria da prestação de serviços aos munícipes. O ministro da Admininistração Estatal disse que uma das inovações é a transferência de serviços de saúde básica e educação primária aos municípios.

De acordo com Lucas Chomera, Ministro da Administração Estatal, foi aprovado em 2006 uma lei que transfere as competências de educação básica e serviços primários de saúde aos municípios como forma de materializar a descentralização. O programa de transferência destas competências tem a duração de três anos, o que indica que até 2009 os municípios têm estes serviços sob sua alçada.

[Municipio de Maputo]

A gestão de resíduos sólidos e ordenamento territorial são alguns dos pratos fortes nesta reunião nacional que reúne todos os autarcas do país, Ministros da Administração Estala e das Finanças.
Fonte:O País Online

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MOÇAMBICONLAINANDO E MOÇAMBICOLHANDO

Eu e o Guebuza ou a parecença entre dois concidadãos que nunca se sentaram à mesma mesa para depois ir fumar de um cachimbo
O ISPU acaba de transformar-se em Universidade Politécnica, o que permitirá esta instituição finalmente começar a produzir doutores. Entre outras coisas. Rejubilo de felicidade por mais esse hercúleo passo do meu amigo Lourenço do Rosário. Esse facto incha a minha esperança de que finalmente surjam cérebros capazes de responder a uma pergunta metafísica que me tem tirado o sono desde que acordei hoje muito tarde e que partilho sem problemas com os leitores: Como podemos eu e o Guebuza ser tão diferentes mas ao mesmo tempo ser tão parecidos?
Ninguém pode negar o imperativo categórico asssociado a necessidade de entender como uma pergunta tão importante, que chega mesmo a rivalizar em termos de pertinência com o próprio PARPA, ter ficado tanto tempo sem resposta, isso tudo num país que se orgulha de produzir às catadupas pensadores da craveira de Wehia Ripua, Padimbe Kamati e minha ex-esposa.
O ponto é que eu e o Guebuza somos muitos diferentes em tantas coisas: por exemplo, eu não tenho cunhado ministro, não tenho esposa primeira-dama e muito menos uma primeira-ministra como subordinada.
Mas, malgrado isso, temos uma infinidade de parecenças, que chego em alguns momentos a desconfiar que ele é meu filho..
Senão vejamos: Ele é moçambicano, eu também. Ele mora na cidade de Maputo, eu idem. Ele sabe falar português, beber água mineral e ir a festas, exactamente o que acontece comigo.
Mas as parecenças não terminam por aí. Há mais para o meu próprio pasmo. Por exemplo, o Guebuza não me conhece. Não me interessa, eu também não lhe reconheço. Ele não me conhece porque nunca foi beber ao Tchuquelane ali na Malanga, vejo-o sair do parlamento e apanhar um carro preto, mas eu não o reconheço porque não o vejo cumprir decisões já há muito tempo tomadas como fazia há uma trintena de anos, quando o vimos de forma vigorosa pedir aos colonialistas que abandonassem o que tantos meses tinha custado a Vasco da Gama descobrir apesar de ter estado sempre alí à entrada do Índico. O Guebuza que conheço acabava com esta onda de criminalidade em menos de 48 horas, nem que isso significasse mandar fechar os bancos, recolher os guardas policiais às trincheiras ou simplesmente vazar os pneus das motorizadas.
Por outro lado, tal como eu, Guebuza é um crente inveterado. Atentem a como ele continua falando na possibilidade de acabarmos com o deixar-andar. Eu também continuo trazendo livros para a minha casa acreditando que a minha noiva os vai ler. Inclusivamente ofereci-lhe na data do seu aniversário o Assim falava Zaratustra. E ela ficou tão emocionada que durante seis semanas se viu afónica quando queria dirigir-se a mim e - o que não entendi nada mesmo! - deitou para a pia a chave do armarinho onde guardo exemplares respeitosos de bebidas alcoólicas; mas ler que é bom, nada. Resultado previsível: o meu amigo Sammy acabou sangrando os dedos ao tentar forçar o armário. Era uma sexta-feira!
Eu, a primeira vez que vi o retrato da Mona Lisa, chorei de emoção: tal foi a fruição, a empatia que senti. Guebuza não quis ficar atrás nas parecenças comigo. Veio com aquela de "decisão tomada decisão cumprida" e em Louvres há pessoas que juram que viram Mona Lisa escancarar aquele sorriso enigmático e rir-se a bandeiras desfraldadas. Um riso tão verdadeiro como o das vendedeiras de Xipamanine quando lhes veio ao conhecimento que a Dama do Bling tinha perdido o bebé. É, meu avó é que sabia das coisas quando dizia: "Pedro, as mulheres são da mesma pintura, quer estejam na parede de um museu ou na banca de um dumba-nengue a vender badjias".
Agora vejam mais esta: há por aí muito boa gente, incluindo a minha empregada, apelidando o nosso Guebuza de Foguinho, comparando-o com um personagem azarento de uma telenovela brasileira que passa presentemente na STV. Que falta de cidadania! No Bar da Tv ou no Sorriso não há nenhum azarento? No Fama Show não tem Valdomiro José? Mas voltando a sua excelência o Foguinho, concordam que o tratem assim só por causa de alguns incêndios, assaltos, calamidades, cheias, massacres a polícias, explosões, derrotas da selecção de básquete feminino, marcação das eleições para a época do id mubarak, inconstitucionalidades, ida de Dominguez a África do Sul e não a Grécia, entorse da prima Genoveva, etc, etc? Os pobres de espírito não conhecem a poesia do fogo! Eu também não conheço a poesia do fogo, mas não é de mim que estou a falar, é desses tais.
Ora também há aí muito boa gente tratando-me por Foguinho, como se faz com o Guebuza, só porque descobri que a minha namorada me trai com o Mc Roger. Dizem que a vêem todo o momento a fazer zakazá. Pergunta importante: preferiam que me traísse com o Valdomiro José?
Melhor eu terminar. Falem bem ou mal dos nossos azares, mas eu e Guebuza, continuaremos igual e orgulhosamente lutando contra a pobreza absoluta.
E vocês?
Pedro Muiambo
 Fonte:Moçambique Para Todos

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STAE agita o ambiente político nacional

Substituição do DG do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral neste momento pode afectar negativamente as primeiras eleições para formação das assembleias provinciais, defende a Renamo. A Frelimo acha que a Lei é para ser cumprida mas não consegue explicar porque não cumpriu a lei em 2003 e agora que o tempo é curto apoia o que ainda pode ajudar a dificultar mais o curso normal do processo eleitoral em preparação e para ser consumado a 16 de Janeiro de 2008
As duas maiores bandeiras da arena política moçambicana, nomeadamente a Renamo e a Frelimo, estão novamente de costas voltadas. Desta vez porque o governo acaba de manifestar intenção de, a apenas cinco meses das primeiras eleições para formação das assembleias provinciais, fazer o que desde 2003 a Renamo vinha querendo que se fizesse em cumprimento do que a Lei manda e o Executivo sempre se fez de surdo e não cumpriu: promover o concurso público que a Lei determina para se encontrar o director-geral (DG) do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE).
Relativamente às próximas eleições – as "provinciais" – todos os argumentos do Executivo tem ido no sentido de que o tempo é muito apertado para se cumprir rigorosamente com tudo quanto falta fazer para o seu calendário seguir o seu curso normal de forma tranquila e eficiente. Estando essas eleições para as assembleias provinciais marcadas para 16 de Janeiro de 2007 – daqui a quatro meses e meio – agora o governo está a querer substituir o director geral do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (DG-STAE), o que agrava sobremaneira o aperto a que o Executivo sempre se vinha referindo.
Com esta surpresa começou o jogo de palavras.. A fricção está a decorrer desde sexta-feira quando o STAE lançou o concurso público de avaliação curricular para o provimento do cargo de director-geral. Quer isso dizer que António Carrasco pode vir a ser substituído no posto e uma grande confusão eleitoral surgir pondo em risco a estabilidade do país, já agora grandemente afectada pela onda de criminalidade interpretada como fruto de desavenças entre altas patentes da polícia com eventuais conexões a alas desavindas do partido no poder e de que é também presidente o chefe de Estado Armando Emílio Guebuza..
A questão do concurso para provimento do lugar de DG do STAE é um problema que vem se arrastando desde o longínquo ano de 2003. Nessa altura já o maior partido da oposição – Renamo – começara a exigir o cumprimento do plasmado na lei 20/2002, de 10 de Outubro, que preconizava o apuramento do director-geral do STAE através do concurso público de avaliação curricular. O partido Frelimo sempre optou por fazer vista grossa à lei e manter António Carrasco e a sua equipe no STAE, em funções.
Todos os anos consecutivos de violação clara da lei, a pouco menos de cinco meses para a realização das primeiras eleições das Assembleias Provinciais que até agora tem vindo a ser preparadas sob responsabilidade de Carrasco, é finalmente lançado o concurso público para a sua substituição. Mais um problema sério visto já por observadores como um sinal de que o processo de democratização do país em curso desde 1994 poderá conhecer um sério revés.
Esta foi indubitavelmente a gota de água que acaba de fazer transbordar o copo. O partido liderado por Afonso Dhlakama não está satisfeito e mais não fez: convocou uma conferência de imprensa para manifestar a sua apreensão.

O que diz a Renamo

De acordo com Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo o seu partido foi sempre a única parte que manifestou interesse pelo cumprimento da lei enquanto o Governo esteve sempre contra o que a Lei obriga a fazer. E nessa atitude sempre foi mantendo António Carrasco como DG STAE. Sempre alegou que este tinha uma elevada experiência na condução de processos eleitorais embora a lei tenha passado com a aprovação da maioria absoluta parlamentar detida pelo partido Frelimo, o partido que neste momento forma o governo.
"A Renamo sempre ponderou os argumentos apresentados e fez vista grossa à exigência da lei", disse Mazanga. "Estávamos nas vésperas das eleições autárquicas em 2003, por isso condescendemos com a promessa de que findo o processo seria promovido o concurso público para se encontrarem os novos timoneiros do STAE aos vários níveis". "Esta era a forma mais viável para não perturbar a planificação feita pela Direcção do STAE" porque, explica ainda o porta-voz da Renamo, "a retirada de Carrasco teria implicações em todo o quadro do STAE, quer Central, quer Provincial e Distrital".
Cenário actual
Para o porta-voz da «perdiz», Fernando Mazanga, "neste momento o que está em causa não é a figura de António Carrasco, entanto que braço da Frelimo, mas o problema central é a corrida contra o relógio". "Ao se substituir o director-geral do STAE, o cenário pode baralhar as contas e o processo", acrescenta Mazanga. "Estamos pelo cumprimento da Lei 8/2007, de 26 de Fevereiro, mas o seu cumprimento deverá acontecer depois do escrutínio das eleições Provinciais", defendeu Mazanga frisando que "estamos a escassos meses para a realização das eleições".
Mazanga, visivelmente apreensivo pelo facto de o concurso ter sido lançado numa altura em que já estão em curso as actividades relativas às eleições provinciais de 16 de Janeiro de 2008, disse ainda tratar-se daquilo que ele considera de "novela Carrasco/Frelimo". E acrescenta: "são questões internas do partido Frelimo, que estão a ser transportadas para CNE/STAE", Depois dessas afirmações Mazanga faz um apelo extensivo a toda máquina dirigente da Frelimo: "Se há divergências entre as alas da Frelimo isso não deve de modo algum afectar os órgãos eleitorais".
Entretanto, Mazanga disse saber das motivações do lançamento deste concurso agora. "Isto mostra que o Governo da Frelimo está empenhado na desorganização das eleições das Assembleias Provinciais", afirma. E frisa de seguida que foi este mesmo Governo que negligenciou a inclusão no Orçamento Geral do Estado, o Orçamento para as Eleições das Assembleias Provinciais, que a equipe liderada por António Carrasco submetera atempadamente.

Reacção da Frelimo

No mesmo dia em que a Renamo veio a público repudiar o concurso lançado na passada sexta-feira pelo STAE, o liderado por Armando Guebuza congratulou-se de viva voz com o referido concurso lançado para o provimento da vaga de DG do STAE.
O secretário do Comité Central para a Mobilização e Propaganda do partido Frelimo, Edson Macuácua, não obstante o tempo escasso que o futuro director-geral do STAE terá para perceber e organizar toda máquina administrativa para as eleições que se avizinham disse ser esta a altura certa para o efeito, na medida em que "adiando-se o mesmo só seria feito em 2010, depois das eleições gerais de 2009, na lógica de não se interferir no ciclo eleitoral". Deste modo frisou, a posição da Frelimo "é firme e inequívoca". "A lei deve ser respeitada, e, por isso, deve-se realizar o concurso público para a nomeação do Director Geral do STAE", sublinhou Macuácua para quem o tempo não é problema.
Edson Macuácua aproveitou ainda para lançar alguns ataques à Renamo. Segundo ele este partido tem uma posição paradoxal e contraditória. Explica-se: "A mesma Renamo sempre se multiplicou em críticas contra a pessoa do actual director-geral do STAE e sempre se opôs à sua manutenção". Agora, interpreta as declarações de Mazanga e afirma: "Trata-se de manobra de diversão".
Questionado pelos jornalistas presentes na conferência de imprensa em que o propagandista da Frelimo foi orador, Edson Macuacua não soube responder porque razão a Lei 20/2002, de 10 de Outubro, não foi cumprida em 2003, aquando das segundas eleições autárquicas. A violação da mesma lei voltou a verificar-se em 2004, nas eleições gerais do mesmo ano.
Em todo o seu discurso, Edson Macuácua não mencionou uma vez sequer a Lei 20/2002, de 10 de Outubro, que a Renamo diz ter sido violada em 2003.
Algumas correntes de opinião defendem que a Frelimo está empenhada em fazer mudanças no seio do STAE com vista a "fragilizar" o escrutínio de Janeiro próximo em que "prevê" sofrer uma pesada derrota em muitos círculos eleitorais.
Alguns observadores sustentam que Armando Guebuza procura afastar António Carrasco do STAE para pôr homem da sua confiança política e afastar o homem que em nome da ala sua adversária no partido Frelimo possa permitir que uma surpresa surja no percurso político já de si sinuoso que o actual líder do partido no poder está a viver. O dito concurso público agora tardiamente lançado pelo STAE está a ser interpretado como uma "manipulação" das eleições por certa opinião pública que vaticina já que a pessoa que irá dirigir o STAE será seguramente um camarada e figura próxima do actual chefe de Estado.

Fonte:Canal de Moçambique

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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

ONU debate fundos eleitorais para Moçambique

O Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, vai enviar uma missão a Moçambique para discutir o financiamento, para já tremido, das eleições provinciais de Janeiro próximo. Até agora o Governo reúne apenas 12 dos cerca de 45 milhões de dólares necessários para a realização do escrutínio.

Nos corredores diplomáticos prosseguem as movimentações em busca dos fundos de que Moçambique necessita para o exercício a partir do qual deverá ser erguido o próximo pilar da sua jovem democracia: as assembleias provinciais.
Compromissos
O Coordenador Residente das Nações Unidas na capital moçambicana, Ndolamb Ngokwey, disse à BBC que no seguimento de um pedido do Governo de Moçambique, o Secretário Geral das Nações Unidas comprometeu-se a enviar uma missão para discutir com todos os parceiros, incluindo a sociedade civil e os partidos, sobre como apoiar esse processo.
“Só depois poderemos determinar as modalidades do apoio técnico, financeiro e político das Nações Unidas. O nosso apoio poderia ser mais efectivo caso seja prestado num período eleitoral de dois a três anos”.
De acordo com as informações a que a BBC teve acesso o resultado poderá ser um plano concreto de financiamento de uma importante parte do processo eleitoral que deverá culminar com as quartas eleições gerais em 2009.
Fonte: BBC-Lingua Portuguesa

terça-feira, 14 de agosto de 2007

É o Professor Nzongola-Ntalaja quem o diz: País não é democrático só por realizar eleições


– segundo Docente da Universidade da Carolina do Norte defende quadro legal e vinculativo de direitos humanos e liberdades civis

"É preciso rejeitar a ideia de que um país é democrático por simplesmente realizar eleições – defende Georges Nzongola-Ntalaja, Professor de Estudos Africanos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos da América.
Participantes ao II Fórum Pan-Africano de Desenvolvimento de Capacidade
Participantes ao II Fórum Pan-Africano de Desenvolvimento de Capacidade
Dissertando sobre o tema Capacitação em Países Africanos em Crise e Pós-Conflito: Estratégias, Lições e Orientações para as Intervenções, no decurso do II Fórum Pan-Africano de Desenvolvimento de Capacidade, realizado este mês na cidade de Maputo, o Professor Georges Nzongola-Ntajala disse que o conceito de democracia é mais rico do que uma simples identificação com as eleições competitivas, já que a democracia não tem significado sem um quadro legal vinculativo de direitos humanos e liberdades civis, em conjunto com uma cultura democrática de liberdade de expressão e a tolerância relativa a diversidade.

As eleições competitivas são essenciais à democracia em sociedades complexas, porque é um sistema de governação baseado no consenso daqueles que são governados, que devem eleger as pessoas que os deverão governar e aprovar as políticas a serem implementadas pelos mesmos, defende o académico Nzongola-Ntalaja.

Segundo o pensamento daquele investigador, as eleições, por si sós, não garantem a governação democrática, já que podem ser manipuladas por fraude eleitoral, ou porque as regras estabelecidas não criam um campo de jogo igual. Por conseguinte, é indispensável que os mecanismos e os processos eleitorais apropriados devam ser instituídos para garantir eleições livres, justas e transparentes. Falando com conhecimento de causa, o Professor Nzongola-Ntalaja considera que nos países em crise e pós-conflito, onde a confiança no governo foi corroída e o nível de antagonismo político entre os grupos e facções rivais são elevados, uma comissão eleitoral independente é normalmente considerada como necessária para gerir tanto os processos pré-eleitorais como eleitorais. Chamou, na sua dissertação, dois assuntos principais que exigem maior consideração, ilustrados pelas eleições recentes na República Democrática do Congo. O primeiro é o problema dos custos. Segundo aquele investigador, calcula-se que sem considerar os fundos aplicados pelos candidatos próprios, estas eleições custaram em excesso milhões de dólares norte-americanos, sendo todo este montante coberto pela comunidade internacional.

Isto conduz-nos a uma pergunta: será que a RDCongo poderá realizar as próximas eleições, daqui a cinco anos, quando já não for considerado país pós-conflito, a precisar de apoio internacional? Em vez de utilizar computadores onerosos e outro material eleitoral importado, incluindo os boletins de voto, será possível encontrar meios mais económicos para organizar eleições credíveis em países de grande dimensão como a RDCongo?, questiona Nzongola-Ntalaja.

O segundo e não menos importante assunto refere-se à governação e conflito. Trata-se pois, da confiança do povo no processo eleitoral e a aceitação dos resultados eleitorais pelos líderes e seus apoiantes. Aquele académico considera que o registo de fraude eleitoral durante o período colonial, a dissimulação eleitoral de regimes unipartidários, a relutância por parte dos titulares em abandonar o poder tem-se tornado prática comum para os perdedores rejeitarem em África os resultados eleitorais mesmo que não existam provas de fraude em grande escala.

O Professor Georges Nzongola-Ntalaja entende que quando os interesses são muitos e a animosidade entre os campos políticos rivais é elevada, como nas eleições presidenciais de 2006, na RDCongo, a recusa por parte do perdedor em aceitar os resultados finais da votação pode conduzir à violência política ou até à retomada do conflito armado, como é o caso das eleições angolanas realizadas em 1992.

Os apelos e esforços de mediação por organizações como o Fórum Africano e o Clube de Madrid, por associações africanas e internacionais, por antigos chefes de Estado e de Governo, podem suceder sem, no entanto, convencer os candidatos presidenciais a aceitarem o resultado das urnas sublinhou aquele investigador.

ESTABILIZAÇÃO EM PROL DE TODOS CIDADÃOS

O Professor Georges Nzongola-Ntalaja considera que entre todos os conflitos armados havidos em África, nas últimas duas décadas, as guerras relativas a recursos naturais foram mais destrutivas que a perda de vidas humanas e danos ambientais. Segundo ele, embora a RDCongo sirva de caso extremo, com mais de quatro milhões de mortes, desde 1998, a Serra Leoa, a Libéria e Angola também foram vítimas de tais guerras. Os desafios de governação nessas sociedades são múltiplos e exigem inovações em todas as áreas, especialmente no que tange ao desenvolvimento socioeconómico. A reconstrução de infra-estruturas económicas não é simplesmente uma questão de olhar para o crescimento económico. Isto, segundo Nzongola-Ntalaja, tem também a ver com uma questão mais importante relacionado com a estabilização e desenvolvimento da economia em prol do bem-estar de todos os cidadãos, principalmente os mais desfavorecidos.

Já que a devastação económica provocada pelo conflito armado, a pilhagem organizada dos recursos e bens nacionais, por interesses estrangeiros, em colaboração com os senhores da guerra e as altas elites nacionais, a reconstrução e desenvolvimento económico em países em crise e/ou pós-conflito é acima de tudo uma questão de política económica apropriada para os povos africanos em vias de desenvolvimento, uma questão apresentada por Amílcar Cabral há 40 anos, frisou aquele estudioso.

Explica que, de facto, a questão fundamental para Amílcar Cabral era saber se um Estado independente baseado no mesmo sistema de exploração económica como o Estado colonial, poderia satisfazer as necessidades básicas dos trabalhadores e dos camponeses africanos. A sua resposta negativa a esta pergunta é consistente com a sua orientação prática de destruir a economia do inimigo para construir a nossa própria economia.

É que, segundo o académico Nzongola-Ntalaja, ao sublinhar a incompatibilidade entre a economia colonial herdada e a máquina do Estado com as necessidades e aspirações das massas africanas, Amílcar Cabral demonstrava que os governos africanos deviam escolher entre o povo e as suas aspirações, por um lado, e o sistema mundial e os seus constrangimentos, por outro. Para ele (Amílcar Cabral) como para os povos de hoje, a política económica do Estado africano devia responder às aspirações mais profundas do povo e não aos interesses das classes dominantes do sistema mundial, assim como as políticas anti-sociais das instituições financeiras sob o seu controlo.

Continuando a gerir como de costume, as economias africanas baseadas em matéria-prima e orientadas à exportação os nossos governos continuam a ser aliados dos objectivos e dos interesses dominantes dos países desenvolvidos e industrializados, que aliás, são os principais beneficiários dessas exportações e dessas matérias-prima e ainda da fuga de capital para os seus mercados, sublinhou aquele docente universitário.

Acrescenta ainda que recusando seguir o caminho da revolução, estes governos continuam a desempenhar um papel neocolonial de intermediário entre o capitalismo ocidental e os seus povos. E as principais consequências desta opção são o desenvolvimento da burguesia estatal, vocacionada em utilizar as instituições do Estado como meio para o auto enriquecimento; o subdesenvolvimento profundo do país e o cada vez maior empobrecimento das massas.

Georges Nzongola-Ntalaja entende assim, e a título de exemplo, que a disputa actual na RDCongo, devido aos contratos minerais, por intermédio dos quais uma pequena minoria de elites políticas congolesas vendeu virtualmente a riqueza nacional a estrangeiros, por quantias algo insignificantes, é uma das manifestações actuais da irresponsabilidade e falta de patriotismo dessa classe.

Segundo ele, o maior desafio da governação enfrentado actualmente em África, sobretudo em países politicamente estáveis e pós-conflito é a necessidade de seguir políticas autónomas de desenvolvimento nacional e sub-regional favoráveis aos interesses dos povos africanos, com o objectivo de erradicar a pobreza, o desemprego, a desigualdade e a exclusão social.

Estas são, sem dúvida as causas principais do conflito armado em África, hoje, afirmou o Professor Georges Nzongola-Ntalaja que se manifesta convicto de que a prevenção do conflito e a construção da paz em países africanos em crise e pós-conflito deve ser baseada numa visão pan-africanista de independência, desenvolvimento e solidariedade, sobretudo por parte dos movimentos independendistas no continente.

Esta visão, segundo o académico, deve ser posta na prática por meio de uma governação democrática como estratégia para a prevenção do conflito e construção da paz.

De acordo com Nzongola-Ntalaja para que isto aconteça há necessidade de reforçar os processos de democratização contínuos e a participação pública na construção de uma ordem política mais estável e equitativa.

Isto deve incluir a promoção de uma mudança de paradigma sobre a natureza do Estado, que deve ser visto não como uma rede privada de relações à volta do dirigente e sua comitiva, cada um por sua vez a comer o bolo nacional, mas como um conjunto de instituições impessoais ao serviço do interesse geral, enfatizou o investigador Nzongola-Ntalaja.

Acrescenta ainda que neste novo paradigma, as instituições estatais devem ser mais receptivas e responsáveis perante o público, por meio de maior patriotismo, cultura democrática quanto à tomada de decisões, privilegiando a consulta junto da sociedade civil e a entrega de serviços melhorados ao cidadão.

Tudo isso, segundo o académico, exige maior participação por parte dos cidadãos, na gestão da coisa pública, incluindo a mitigação e resolução de conflitos e o estabelecimento de prioridades locais por meio de processos participativos da governação legítima e democrática.

Em países em crise e pós-conflito, tudo isso não pode ser realizado sem as duas estratégias de capacitação e de restaurar a autoridade do Estado e a entrega de serviços em todo o território nacional, salientou aquele investigador.
Fonte: Notícias

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