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VOA News: África

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ministro dos combatentes exonera directores nacionais e provinciais

Exonerados

O ministro dos Combatentes, Mateus Óscar Kida, operou ontem uma profunda remodelação  naquele ministério, exonerando quase todos os directores nacionais bem como grande parte dos directores provinciais.

Exonerados

· Carlos Lawanga - inspector-geral;

·  Zacarias Cornélio - director nacional de assistência social;

· Salvador André Zawangoni - director nacional da História e Património da Luta de Libertação Nacional;

· Constância Guiamba - directora nacional de Formação e Gestão dos Recursos Humanos;

· Horácio Timóteo Massangaie - director nacional de Planificação e Cooperação Internacional;

· Genoveva Talita Garoupa - chefe do Departamento de Gestão de Recursos Humanos;

· Ângelo José Naene - chefe do Departamento do património da luta de libertação nacional;

· Rosa Samuela Domingos - chefe de repartição de identificação e formação de combatentes;

· Afonso Malhaeie - director provincial de Maputo;

· João Naftal - director provincial de Gaza;

· Carvalho Conforme - director provincial de Sofala;

· João António - director provincial de Cabo Delgado;

· Xavier Sacambwera - director provincial de Tete.

Nomeados

· Zacarias Sumail - inspector-geral;

· Vicente João - director nacional da História e Património da Luta de Libertação Nacional;

· Horácio Massangaie - director nacional de Assistência Social

· Genoveva Talita Garoupa - directora nacional-adjunta de inserção social

O PAÍS – 11.08.2010

A bolha que (diplomaticamente) pode explodir

"Exagerado e a desculpa segundo a qual é para os dados biométricos não é convincente"

Algumas representações diplomáticas já manifestaram a sua preocupação em relação aos actuais preços de DIRE e vistos e prometem batalhas diplomáticas com vista a reduzir os referidos preços.

O consulado português em Maputo foi o primeiro a contestar os preços, afirmando que estava a verificar, com a sua sede em Lisboa, "hipóteses através das quais se possa vir a minorar o impacto do aumento do preço para a aquisição do Documento de Identificação de Residente Estrangeiro (DIRE) sobre a comunidade portuguesa".

Esta foi a resposta que a cônsul portuguesa em Maputo, Graça Gonçalves, deu a um grupo de cidadãos daquele país residentes em Moçambique, que considera o aumento na ordem de 1200% "exagerado e a desculpa segundo a qual é para os dados biométricos não é convincente".

O PAÍS – 11.08.2010

Tribunal Supremo bloqueia casos de grande corrupção:Num aparente desinteresse

– acusa CIP

O Centro de Integridade Pública (CIP) questiona se o Tribunal Supremo estará ou não a bloquear o desfecho dos casos de grande corrupção no país. Hoje, passam nove anos que os assassinos do economista Siba Siba Macuacua continuam impunes

Maputo (Canalmoz) – O Tribunal Supremo parece não estar interessado em que alguns casos sonantes de corrupção, como os de assassinato do economista Siba Siba Macuacua, do antigo ministro Almerinho Manhenje, sejam julgados com a celeridade que se espera, considera o Centro de Integridade Pública (CIP), para quem aquela entidade se tornou um bloqueio à finalização de determinados processos, havendo a percepção de que esse mesmo bloqueio seja politicamente motivado, principalmente, por falta de juízes.
Segundo o CIP, as autoridades do Estado (judiciais e do Governo) têm agido apenas sobre a pequena corrupção, deixando a grande corrupção impune. Tal cenário, nos últimos anos frustrou a expectativa dos moçambicanos que acreditavam numa acção penal anti-corrupção. Nos últimos anos, a pressão para que haja uma acção penal efectiva contra a corrupção em Moçambique teve como centro de atenções o Ministério Público (e o seu Gabinete Central de Combate à Corrupção). O papel de outros actores de relevo, como o Tribunal Supremo, foi visto com menos agressividade.
Numa nota envia à redacção do Canalmoz, o CIP escreve que a Procuradoria Geral da República (PGR) tem sido alvo de maior escrutínio público (e até da Assembleia da República), colocando-se-lhe rótulos quando se mostra hesitante ou dúbia no tratamento de uma determinada matéria para investigação – como de facto é a sua postura dúbia no "caso MBS" e nas graves alegações contra a ministra do Trabalho, Helena Taipo.
O CIP fala ainda de alguns casos de corrupção que estão parados em sede de recurso no Supremo, há demasiado tempo, quando se esperava que os mesmos fossem priorizados, uns porque já são antigos e envolveram assassino ("caso Siba Siba/Banco Austral"), outros porque tem como protagonistas ex-governantes (o antigo ministro do Interior, Almerinho Manhenje) e outros ainda porque envolviam réus presos há mais de um ano (caso do Centro de Processamento de Dados).
Relativamente ao "caso Siba Siba Macuacua", a fonte refere que até hoje, 11 de Agosto de 2010, a investigação do caso esbarrou na inoperância do Tribunal Supremo e afirma: "O caso Banco Austral tem duas vertentes. A vertente do assassinato e a vertente da gestão danosa. As duas têm uma relação intrínseca. A gestão danosa foi a principal causa do assassinato".
Sobre o assassinato, o Ministério Público (MP) acusou alguns indivíduos em 2009, mas o Tribunal da Cidade de Maputo rejeitou as acusações, soltando os suspeitos que haviam sido detidos (Parente Júnior, entre outros, nomeadamente dois guardas do antigo banco sobre quem se suspeita tenham sido os autores materiais do crime). O MP recorreu ao Tribunal Supremo, havendo ainda a esperança/possibilidade de o Tribunal Supremo dar razão ao MP e vir a pronunciar os acusados. Parte dos antigos administradores, nomeadamente Octávio Muthemba e Jamu Hassan, haviam sido constituídos arguidos como autores morais, mas o Ministério Público se absteve de os acusar, também por alegada falta de indícios.

 (Redacção)


2010-08-11 07:25:00

Líder Fórum dos Desmobilizados de Guerra preso em sua casa: Na noite de ontem

Maputo (Canalmoz) – O presidente do Fórum dos Desmobilizados de Guerra, Hermínio dos Santos, foi preso ontem, em plena noite, na sua própria residência, no bairro de Infulene, no Município de Matola (Vsff notícia da nossa edição de ontem).
A prisão ocorreu por volta das 19:20 horas, dias depois de ter sido sitiado por homens fortemente armados da Força de Intervenção Rápida (FIR), uma das unidades militarizadas da Policia da República de Moçambique (PRM).
Hermínio do Santos lidera os desmobilizados de guerra que têm programado para Setembro uma manifestação à escala nacional que deveria ser melhor preparada num encontro que está agendado para o próximo, 14 de Agosto.
A manifestação que está a ser preparada é em repúdio pela inércia do Governo, que desde 1992, não consegue prover os seus direitos, de entre eles as pensões.
Volvidos dezoito 18 anos, o Governo, segundo os desmobilizados, diz que ainda está a organizar o expediente com vista à fixação de tais direitos.
O Canalmoz recebeu ontem uma chamada telefónica do filho de Hermínio dos Santos, presidente da Associação dos Desmobilizados de Guerra, a informar sobre a detenção do seu pai em sua casa, já depois do sol posto, e sem qualquer mandato judicial.
Cinco minutos depois de ter recebido a informação do filho, o Canalmoz contactou o próprio Hermínio do Santos que nos confirmou que na altura estava de facto a ser detido. Disse-nos ainda que a sua prisão se devia ao facto de não ter se apresentado pela manhã dessa terça-feira, às autoridades. Assegurou não ter recebido alguma notificação policial, embora reconheça que na segunda-feira recebeu um telefonema de alguém que se identificou como sendo Dr. Matusse, a informar que ele estava intimado a comparecer na PIC, cidade de Maputo, segundo andar, na manhã de ontem.
O tal indivíduo, segundo nos reportou Hermínio do Santos, usou o telefone número 82 38 00 850. No mesmo dia em que recebeu essa chamada, Hermínio dos Santos remeteu uma queixa à PGR a solicitar intervenção do Procurador-Geral da República para repor a legalidade. (Outros enredos estão contidos na edição do Semanário Canal de Moçambique que sai hoje, quarta-feira).

(Redacção)


2010-08-11 07:23:00

Malfeitores matam agentes de patrulha da PRM

Troca de tiros em plena Avenida Guerra Popular


Maputo (Canalmoz) – Enquanto as chefias policiais concentram esforços no Infulene, na residência do presidente dos desmobilizados e deixam desguarnecidas as zonas sensíveis, num forte tiroteio um grupo de malfeitores atingiu mortalmente dois agentes afectos a uma patrulha do Comando da Cidade de Maputo, por volta das 17h20 de segunda-feira, em plena Avenida Guerra Popular, junto do mercado Mandela, na baixa da cidade de Maputo.
O tiroteio durou entre 10 e 15 minutos, tendo os dois agentes de patrulha da PRM perdido a vida no local, onde havia ainda dois feridos, destes, um jovem de um estabelecimento comercial, e uma aluna.
O forte tiroteio aconteceu num momento em que os malfeitores pretendiam roubar uma viatura da marca Hyundy Getz, cor creme, com a chapa de inscrição MLK 97-10, na altura estacionada no passeio central da Avenida Guerra Popular, defronte de um estabelecimento comercial.
O proprietário da viatura cobiçada pelos criminosos, após estacionar a mesma foi surpreendido por dois malfeitores munidos de armas de fogo do tipo AKM, exigindo a respectiva chave de ignição. Nessa altura, os dois agentes da patrulha da Polícia, ao se aperceberem do movimento dos larápios, rapidamente abriram fogo na tentativa de inviabilizar o roubo.
Durante o tiroteio, os agentes de patrulha da Polícia foram mortos pelos malfeitores que estavam no interior de uma outra viatura na qual o grupo se fez transportar para o local do incidente.
Quando reforço da Polícia chegaram já era tarde demais.

(Conceição Vitorino)


2010-08-11 07:20:00

Sobre a solidão

Canal de Opinião: por Chico Buarque


Maputo (Canalmoz) - Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

(Francisco Buarque de Holanda)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Presidente da Assembléia Municipal mente ao Governador de Nampula

O Presidente da Assembleia Municipal da cidade de Nampula, Tiago Fumo, mentiu pública e descaradamente ao governador da província, Felismino Tocoli que, na quinta-feira, visitou as instalações do Estádio 25 de Setembro, ao tentar convencer ao governante nampulense e alguns membros do seu executivo que, a concessão daquele recinto desportivo de múltiplo uso, o maior da região norte do país, foi de consenso dos principais utilizadores, dentre eles as associações provinciais de futebol, basquetebol, atletismo, natação, assim como as comissões de árbitros e do infanto juvenil.

O caso da venda/concessão do "25 de Setembro", que já foi anunciada pela edilidade, já fez correr muita tinta e no encontro, sem ter sido agendado para o debate, acabou sendo o assunto que polarizou as atenções dos presentes indignados, acima de tudo, pela afirmação do presidente da Assembleia Municipal, cuja reacção foram murmúrios que se fizeram ecoar e algumas contestações que vieram por parte dos utilizadores.

Tiago Fumo teria respondido positivamente quando questionado pelo governador se o processo da concessão teria dito uma consulta aos potenciais utilizadores, o que, de imediato, foi desmentido prontamente pelos presidentes das associações de futebol e atletismo, para além do presidente do Benfica, Abdul Hanane, que tinha sido em parceria com o seu homónimo do Sporting, Carlos Coelho, como pessoas que haviam anuido àquele negócio avaliado em quatro milhões de dólares e que envolve uma empresa comercial da praça nampulense.

Desculpe senhor presidente da AM de Nampula, a associação provincial de futebol nunca esteve nesse encontro em que foi acordado a venda ou concessão deste campo, estas foram as palavras de desacordo de Brás Santos, que foi secundado por João Baptista, presidente da Associação do Atletismo, enquanto que Abdul Hanane presidente do Benfica, apesar de reconhecer ter participado no referido encontro, disse desconhecer o desfecho da decisão final.

Por seu turno, Carlos Coelho presidente do Sporting que não se fez presente na referida visita, em contacto com a nossa reportagem para comentar a informação do presidente da Assembleia Municipal de Nampula, negou que tenha acordado tal intenção, afirmando, contudo, ter participado apenas num encontro com um dos vereadores do município "mas que não se chegou a nenhum consenso. Aliás, nessa altura tinham nos prometido que haveriam de elaborar uma acta para que subscrevêssemos, situação que até ao momento não aconteceu", desabafou.

Face a estes pronunciamentos e porque o encontro desembocava para uma situação polémica fora dos objectivos agendados pela visita do governador de Nampula, Felismino Tocoli, mais didáctico disse que iria em ocasião oportuna tentar compreender o que, realmente, ocorreu, pese embora reconheça a competência daquele órgão municipal.

O Concelho Municipal é órgão um competente e proprietário do Estádio e da análise que fez da relação entre o benefício e o custo, constatou que a reabilitação seria cada vez mais cara tendo em conta o espaço disponível e crescimento do município, acabaram adoptando criar uma nova infraestrutura no Muhala-Expansão. O queremos é que nos assegurem que o novo empreendimento a nascer possa superar a capacidade deste e adequarse aos novos desafios que vêm para reforçar as infra-estruturas na área desportiva, comentou Felismino Tocoli no final da visita.

RESULTADOS DA MASSIFICAÇÃO SÃO EXTREMAMENTE POSITIVOS...

Falando a jornalistas sobre os resultados da visita que acabava de realizar e do encontro que manteve com os dirigentes das associações desportivas e clubes de Nampula, o governador Felismino Tocoli, considerou ter constatado indicadores extremamente positivos que se caracteriza com o aparecimento de mais clubes e a criações de algumas associações distritais e de cidade, como as de Angoche, Nacala-Porto e Nampula, que estão a massificar em particular o futebol que alimentam com talentos as principais equipas da província.

Pese embora a nossa província não esteja representada na prova máxima do futebol nacional, o Moçambola, durante esta época, não podemos, por isso, dizer que tudo está bom porque tal deve-se medir com a nossa presença nas maiores provas do país. Precisamos melhorar a nossa capacidade de organização e geração de recursos que nos permitam que estejamos no próximo Moçambola, observou Felismino Tocoli.

No que toca à problemática de infraestruturas que está a ser um problema crítico em Nampula para a prática de diversas modalidades, o governante nampulense desafiou os dirigentes desportivos a suprirem aquilo que considerou de fragilidades na capacidade de arrecadação de receitas, a partir do próprio local onde funcionam as associações que se encontra em estado precário. Pensamos que algumas questões poderiam ser ultrapassadas através de iniciativas e entrega das próprias direcções das associações, mas tudo isso deriva do facto desta fragilidade que tem em buscar recursos e utilizá-los de forma mais eficaz por forma a resolver alguns problemas que encontramos nesta visita, disse Tocoli.

Agente de PIC morto a tiro nas Mahotas

JACINTO Machaieie, agente da Polícia de Investigação Criminal (PIC), foi morto a tiro à queima-roupa por indivíduos desconhecidos, pouco depois das 23.00 horas da sexta-feira, no bairro das Mahotas, cidade do Maputo. Na altura, a vítima encontrava-se com amigos numa barraca, localizada na Avenida Sebastião Marcos Mabote, junto à terminal dos "chapas", ponto de ligação para Guava, a norte, e para a Praça da Juventude, em Magoanine, a sul.
Maputo, Segunda-Feira, 9 de Agosto de 2010:: Notícias
 

Segundo testemunhas, uma viatura, cujas características não puderam descrever, se aproximou do local onde o finado se encontrava a conversar com amigos, do lado de fora do estabelecimento, tendo os ocupantes do veículo disparado 12 tiros e de seguida se posto em fuga a uma velocidade moderada.

O agente encontrou a morte depois de sair de casa, há sensivelmente 800 metros do local do crime, para uma "troca de copos" com amigos no mesmo local que sempre frequentou, sobretudo aos fins-de-semana.

Testemunhas que recusaram se identificar, disseram à nossa Reportagem que a forma como aconteceu o assassinato de Jacinto Machaieie revela que se trata de pessoas que vieram exactamente para o eliminar e, por sinal, sabiam onde ele se encontrava. As mesmas fontes não puseram de lado a hipótese de um ajuste de contas.

"Ele esteve aqui a beber e depois foi para o lado de fora com amigos. De repente, uma viatura aproximou-se e só ouvimos tiros. Ficamos assustados, primeiro pensamos que se tratava de assalto, mas depois vimos que eram assassinos que tiraram a vida ao Jacinto. Foram tiros dirigidos contra ele. Não resistiu aos ferimentos das balas", disse uma testemunha.

Joaquim Machaieie, um dos três irmãos da vítima, indicou que o malogrado se encontrava a frequentar um curso na Escola Prática da Polícia de Matalane, nada sabendo sobre as motivações do crime. Disse esperar algum esclarecimento das autoridades policiais que se encontram neste momento a fazer as investigações de modo a encontrar explicações para mais este acto perpetrado contra um agente da Polícia.

"Ainda não temos qualquer detalhe sobre o que aconteceu. Sabemos apenas que foi assassinado por baleamento. Esperamos que hoje o Comando nos diga qualquer coisa sobre o sucedido. Do nosso lado estamos a organizar o funeral para terça-feira", disse o irmão do finado.

Jacinto Machaieie deixa viúva e quatro filhos menores.

Entretanto, num contacto estabelecido ontem, o porta-voz do Comando da Polícia da República de Moçambique a nível da cidade do Maputo, Arnaldo Chefo, declinou avançar qualquer informação, remetendo tudo para uma conferência de imprensa a ter lugar hoje pelas 11.00 horas.

Heróis fontes de inspiração - PR na homenagem a Belmiro Obadias Muianga, tombado durante a Luta de Libertação Nacional

O PRESIDENTE Armando Guebuza disse, sábado, em Gunine, distrito de Zavala, em I'bane, que os heróis nacionais são referências do nosso devir como Nação e fontes de inspiração para os desafios do presente e do futuro. O Chefe do Estado fez tal pronunciamento ao dirigir as cerimónias de homenagem ao herói nacional Belmiro Obadias Muianga.
Maputo, Segunda-Feira, 9 de Agosto de 2010:: Notícias
 

O estadista sublinhou que ao longo do processo histórico o povo moçambicano busca neles o exemplo, a inspiração e a determinação para transpor os desafios do presente e olhar para um futuro confiante.

"Belmiro Obadias Muianga simboliza hoje, aqui no povoado de Gunine, o caminho percorrido pelo povo moçambicano para a libertacao da dominação estrangeira", disse o Presidente, acrescentando que esta é uma verdadeira epopeia que urge saber preservar e valorizar e nela nos inspiramos para o longo e tortuoso caminho que ainda temos para percorrer.

Guebuza lembrou ao longo da sua intervenção que na fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), em 25 de Junho de 1962, há cerca de 48 anos, declarou-se que o objectivo era lutar pelo bem-estar, mas a dominação colonial era o principal obstáculo.

"Com valentia e com inspiração de patriotas como Belmiro Obadias Muianga, transpusemos estes obstáculos e proclamámos a Independência Nacional em 25 de Junho de 1975", disse ele, recordando depois o surgimento da guerra de desestabilização que foi igualmente vencida por todo o povo e hoje temos a pobreza como inimigo comum a ser liquidado e há certeza de que venceremos porque, segundo disse, não há obstáculos intransponíveis.

Em reconhecimento deste herói, autor da histórica canção política," Todos Somos Moçambicanos", sem distinção da cor da pele, religião, origem étnico-linguística, obra que viria a ser um verdadeiro hino que apelava à unidade nacional durante a luta armada bem como depois da independência nacional, o Governo edificou e entregou à mãe do herói, Carlota Gune, uma casa de tipo dois, com casa de banho e cozinha, um monumento, melhoramento de três campas no cemitério familiar, para além da atribuição do seu nome a uma escola primária da zona.

Os familiares do Belmiro Obadias Muianga, falando naquela cerimónia, que movimentou cerca de quarenta mil pessoas, congratularam-se pelo gesto do Executivo, um acontecimento que, segundo disseram, marca não só aos familiares, mas sim toda a zona de Guinine, Canda, Zandamela, Zavala e toda a província de Inhambane.

"Perdemos um familiar, mas ganhamos um herói nacional", destacou a mensagem apresentada por José Muchine, em representação da família.

Belmiro Obadias Muianga foi durante a Luta de Libertação Comissário Político e Chefe dos Transportes do Comando Regional da Base Militar do Niassa Oriental. Tombou em pleno combate pela independência no posto administrativo de Nairudo, distrito de Majune, quando tentava socorrer o comandante Francisco Mazuze, na ocasião atingido pelas balas inimigas nos membros inferiores.

Belmiro Muianga caiu a 30 de Setembro de 1969 numa missão tendente a romper a barreira inimiga para que luta prosseguisse noutras zonas do país. Seu corpo foi recuperado e sepultado a sete quilómetros do quartel, perto do Rio Nacope e em 1984 as suas ossadas foram exumadas e transportadas para a cripta dos heróis moçambicanos,  na  capital do  país.

  • VICTORINO XAVIER

JOGOS DA CPLP: Quadro de medalhas

PAÍS                            OURO             PRATA            BRONZE         TOTAL

1° Brasil                         18                      9                       1                      28

2° Portugal                       9                      7                       6                      22

3° Angola                         3                      8                       7                      18

4° MOÇAMBIQUE             1                      5                      11                     17

5° Guiné-Bissau                1                      2                       3                       6

6° Cabo Verde                  0                      2                       1                      3

7° S. Tomé e Príncipe        0                      0                       0                      0

8° Timor-Leste                   0                      0                       0                      0

Maputo, Segunda-Feira, 9 de Agosto de 2010:: Notícias

Muçulmanos em Ramadão

INICIA esta quarta-feira o mês de Ramadão, o nono do calendário islâmico, durante o qual todos muçulmanos que tenham atingido a puberdade devem se abster de comer, de beber, de fumar ou de manter relações sexuais no período entre a alvorada até ao pôr-do-sol.
Maputo, Segunda-Feira, 9 de Agosto de 2010:: Notícias
 

Estão isentos desta prática, que constitui um dos pilares do Islão, os idosos, doentes, as crianças, os viajantes, as mulheres grávidas ou em fase de aleitamento de seus filhos. Durante o Ramadão, os muçulmanos acordam antes do nascer do sol para preparar e tomar a sua primeira refeição, entrando depois para um período de sacrifício que deve quebrar, obrigatoriamente, logo após o pôr-do-sol, com um ritual designado "Iftar".

Governo num colete de forças

Preços em desgarrada

Por Raul Senda

Temores sobre a saúde da economia moçambicana estão a  espalhar  pessimismo na praça pública . O motivo não é para menos: o custo de vida deteriora-se a olhos vistos. A inflação anual está na casa dos dois dígitos, o preço de combustível disparou, o metical está em terreno movediço, as exportações estão em crise e os preços dos principais produtos básicos (que não produzimos) e os materiais de construção estão em alta. Mas o Governador do Banco Central, Ernesto Gove, aconselha calma e argumenta que estamos na ressaca da crise financeira internacional.

O executivo moçam­bica­no ainda não vê gravidade na situação e diz que tudo passa pelo aumento de produção. Mas alguns ana­listas ouvidos pelo SAVANA apontam uma manifesta incapacidade do Governo em mobilizar competências para imprimir mudanças profun­das na economia que está a entrar para uma crise sem precedentes. Esta semana o Governo anunciou que irá emitir obrigações de tesouro em 150 milhões de dólares para financiar o défice orça­mental. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial já autorizaram a operação.

Dados disponíveis indi­cam que o défice do sector público sofreu um agra­vamento em 2009, atingindo 5,1% do PIB, devido à adopção de uma política orçamental expansionista como forma de combater os efeitos da crise internacional e dinamizar a economia. Esta política traduziu-se no au­mento das despesas cor­rentes e de investimento (reforma salarial do sector público, eleições de Outubro, subsídios aos preços dos combustíveis, programa agrícola trienal de 333 mi­lhões de USD, entre outras). Cerca de 55% do orçamento de 2009 foi financiado pela ajuda internacional, sendo esta destinada aos sectores prioritários, nomeadamente a educação e a saúde. No quadro do programa fiscal a médio prazo (2009-2011), a ajuda externa deverá re­presentar 45% da receita pública em 2011, propondo-se o Governo a reforçar a receita fiscal pelo menos em 0,5% do PIB/ano, através do alargamento da base fiscal, da adopção de medidas que permitam uma maior eficiên­cia da cobrança de impostos e do aumento do inves­timento. No sector externo, Moçambique regis­tou um agravamento do défice cor­rente em 2009 (10,9% do PIB), reflectindo a degrada­ção da balança comercial. As projecções para 2010 apontavam para um aumento acentuado das exportações, em virtude da forte subida do preço do alumínio a nível interna­cional, o que permitiria um desagravamento do défice corrente, que manterá a mesma tendência em 2011, fruto do impacto do aumento das exportações de gás. Porém, o défice da balança comercial sofreu um agrava­mento de perto de USD200  milhões entre Fevereiro e Abril de 2010, face ao tri­mestre homólogo, com as exportações a aumentarem 18,4% e as importações, 12,9%. Os preços do gás e do açúcar não são enco­rajadores

Mercados

Contudo, nos diferentes mercados das principais cidades moçambicanas o pânico tomou conta dos vendedores e compradores. Nesta quarta-feira, o SAVANA escalou alguns mer­cados da cidade de Maputo e arredores onde constatou uma subida dos preços dos principais produtos básicos.

Os preços do arroz, fa­rinha de milho, óleo ali­mentar, detergentes, açúcar, gás, carvão e energia eléc­trica são os que mais preo­cupam, sobretudo quando para o caso concreto do arroz, farinha de milho e gás foi posta a possibilidade de o preço baixar face ao aumento de produção interna que o governo supostamente está a fomentar e apoiar.  

Américo Pedro, vendedor do mercado Janeth, explicou, quando abordado pela nossa reportagem, que os preços estão sempre em constantes subidas.

"É uma situação que depende dos armazenistas que, por seu turno, são comandados pelo mercado internacional".

Soubemos deste que, a alteração dos preços é diária, visto que os fornecedores também actualizam os custos diariamente.

Exemplificando, Américo referiu que da terça para quarta-feira desta semana, um saco de farinha de milho de 12.5 quilos passou de 260 para 275 meticais.

Porém, mesmo com este cenário, garantiu-nos que a procura destes produtos continua, por serem a prin­cipal base de alimentação da maioria da população.

 "As pessoas compram, mas devo confessar que houve tempos em que o negócio era lucrativo. Hoje as coisas são caras e a margem de lucro é pequena", disse para depois acres­centar que a única razão que lhe faz levar o seu negócio avante é apenas por medo de ficar sem fazer nada.

Para Atália Combule, também vendedor do mer­cado Janeth, vender já não é assim tão rentável, porque os produtos são bastante caros.

Esta contou-nos que a justificação dos fornecedores é de que a constante des­valorização da moeda nacio­nal em relação ao rand sul-africano e ao dólar americano é que está na origem do encarecimento dos produtos. O dólar norte-americano é vendido a 38 meticais e o rand ultrapassou a barreira dos cinco meticais.

"Eles dizem que o metical não tem nenhum valor, todos dias o rand e o dólar estão a subir e estes, para com­prarem os seus produtos usam as duas moedas e vendem os mesmos em meticais. Na tentativa de ajuizar a compra e a venda acabam aumentado os pre­ços", disse Combule.

Avançou referindo que os grossistas dizem que os preços continuarão elevados uma vez que os produtos que comercializam são impor­tados. Sendo assim, eles não podem, por si só, baixar os preços. Tal depende do mercado internacional.

Carlos Sebastião é outro vendedor com que o SAVANA conversou. Este dedi­ca-se à venda de bebidas alcoólicas. Contou-nos que o cenário que se vive na venda de produtos alimen­tares é o mesmo nas bebidas.

Todas bebidas impor­tadas dos países vizinhos aumentaram os preços por­que, a moeda usada para a compra é o rand que neste momento está em alta.

Mais do que os comer­ciantes, os consumidores é que são mais lesados com a situação.

Todas pessoas que con­versaram com o SAVANA consideram que o custo de vida está a aumentar no país, situação que levanta uma série de situações desa­gradáveis na sociedade.

Santos Manhiça, vive no bairro Nkobe, município da Matola. No seu entender, a carestia de vida é provocada por falta de políticas de produção ajustadas à rea­lidade moçambicana. Na sua opinião, o Governo devia repensar na forma como as estratégias de combate à pobreza são concebidas, pois, caso contrário, a crise vai atingir picos desumanos.

Para ele, se o Governo estimulasse a produção em larga quantidade e qualidade, o cenário não seria alar­mante. "Veja que hoje não temos uma dezena de produ­tores de renome, daí que as importações continuam. Pen­so que é preciso mudar alguma coisa", opinou o nosso interlocutor.

A opinião de Manhiça é compartilhada por Marcos Titosse, residente no bairro Jorge Dimitrov, que disse que esta situação vem mostrar que estamos perante uma situação em que estamos com um Governo sem plano de governação.

Entende o nosso interlo­cutor que há mais de três anos que Armando Guebuza e o seu elenco vêm falando de produção interna de alimentos.

O pior ainda está por vir

A constante desvalo­rização do metical em relação as principais moedas de referência mundial e o au­mento dos preços dos com­bustíveis são até ao mo­mento as razões apontadas como estando por detrás da subida dos preços dos pro­dutos básicos no país.

Para o presidente da Associação Comercial de Moçambique (ACM), Adelino Buque, o grande problema do país é que importa tudo o que se consome. "Esses produtos são adquiridos por moedas que neste momento estão muito acima do metical. Logo é obvio que para os comerciantes conseguirem sobreviver têm que conciliar o preço da compra e da venda e automaticamente encare­cem os produtos", frisou.

Segundo Buque, a situa­ção é bastante penosa so­bretudo quando se olha para o lado social das coisas.

"São milhares de irmãos nossos que não têm posses mas que precisam de se alimentar. A continuarem nesta linha a situação torna-se muita complicada", disse.

O presidente da ACM vaticina um cenário muito mais complexo, num futuro breve, na medida em que a principal fonte de abas­tecimento do mercado na­cional, África do Sul, também está a começar a se ressentir da falta de alguns produtos como é o caso da batata e cebola.

"Isso vai se repercutir no mercado mo­çam­bicano", sentenciou.

A problemática dos preços de produtos básicos alastra-se ao sector de construção civil.

A Cimentos de Moçam­bique anunciou, semana passada, o agravamento do preço do seu produto devido à desvalorização do metical. Este incremento está já a ter consequências drásticas no sector de construção civil.

Segundo Justino Che­mane, um dos responsáveis pelo pelouro de construção na Confederação das As­socia­ções Económicas de Moçambique (CTA), o au­mento do cimento está a complicar os planos de muitos construtores, sobre­tudo, aqueles que já tinham os seus orçamentos defini­dos.

Entende que urge a ne­ces­sidade de uniformizar o comportamento da economia moçambicana em relação aos seus principais depen­dentes. A taxa de inflação anual (de 1 de Julho de 2009 a 30 de Junho de 2010) foi de 14,52 por cento. O valor equivalente em 2009 foi de apenas 2.65 por cento. No primeiro semestre de 2009, os preços estavam pratica­mente estacionários. A infla­ção, medida pelo Índice de Preço ao Consumidor da cidade de Maputo, foi de apenas 0,33%.

SAVANA – 06.08.2010

Filosofias à venda, nódoas e beirenses – Governo de Guebuza em seis meses de serviço

Sumário

Os primeiros seis meses de governação de Armando Gue­buza foram manchados por fenómenos político-diplomáticos que desafiaram o seu normal desempenho. Pontificam dentre trantos, o escândalo das sms envolvendo a Ministra do Tra­balho, Helena Taipo e a conde­nação de António Munguambe (ex-ministro dos Transportes e Comunicação), para além da greve dos doadores que condi­cionaram sobremaneira o finan­cia­mento às actividades do executivo.

Do lado positivo, parece ter havido avanços significativos no cômputo da Governação, com início do debate sobre a extinção das células do Partido Frelimo nos locais de trabalho, a alteração do regimento da Assembleia da República que permitiu a for­mação da Bancada do MDM bem como sinais encorajadores no combate à corrupção.

Porém, a acusação de Barão de Droga ao Momade Bachir Sulemane e a "guerra" opondo o Partido Frelimo e o Conselho Municipal da Beira vêm pôr a nú a fragilidade do nosso sistema de Justiça, que teima em reagir aos impulsos do poder político na­cional.

Nunca em momento algum Armando Guebuza viu o seu discurso tão contestado como os últimos momentos. Foi um erro de comunicação política crasso, o facto de ter tentado dividir a sociedade moçambicana em três gerações e ter estabelecido um nexus entre o legado de cada um e as responsabilidades que lhe cabe; uma proposta filosófica que caiu ao olho público como sendo a "política de pão e circo", para distrair a população dos reais problemas do país. O mesmo pode dizer-se em relação à chama de unidade nacional e do anun­ciado mas nunca iniciado combate à pobreza urbana.

INTRODUÇÃO

Em apenas seis meses, de Janeiro a Junho de 2010 foi possível registar-se uma greve de doadores que implicou o congelamento dos desembolsos, uma negociação, implicando cedências entre as partes, uma avaliação do desempenho dos doadores onde o Governo mo­çam­bicano teceu duras críticas à forma como estes se comportam bem como uma emenda ao regimento da Assembleia da República que abriu a pos­sibilidade para que o MDM se constituisse em Bancada.

Se por um lado deve reco­nhecer-se o facto de o Governo de Moçambique ter podido ga­rantir que os fundos dos doadores fossem desembol­sados, faci­litando assim o normal funcio­namento da máquina do estado, devemos por outro, reconhecer que o mesmo saiu deste imbróglio com uma imagem pública man­chada como conse­quência da sua dificuldade de gerir uma multi­plicidade de aspectos político-diplomáticos estratégicos na comunicação social e em todo processo da cadeia de co­municação estratégica.

Do Nó Gordio ao efeito boomerang: dos problemas à solução possível.

Logo no início do seu man­dato, o governo de Armando Guebuza enfrentou um problema opondo o grupo de Parceiros do Apoio Programático – PAP - e o então Governo e a CNE, pela forma como este teria conduzido o processo eleitoral, implicando a desqualificação da maioria dos partidos políticos de oposição. Aliado a esse facto, os PAP já tinham manifestado a sua preocu­pação relativa à falta de progres­sos nas áreas de governação. O resto foi o que se viu: um a um e depois em uníssono, os PAP acabaram por condicionar o desembolso de fundos ao Orça­mento do Estado ao esclare­cimento e explicação compre­ensíveis por parte do Governo sobre os seus pontos de insis­tência.

E o que se viu foi simples­mente confrangedor: três minis­tros, nomeadamente dos Negó­cios Estrangeiros, das Finanças e de Planificação e Desenvol­vimento não puderam coordenar uma estratégia de comunicação sólida e coerente, consentânea com o momento [que era de crise]. Cada um desdobrou-se em dar explicações à imprensa de acordo com o que achava naquele mo­mento conve­niente, sem ter em conta uma perspectiva de conjunto. Foi assim que uns confirmavam a demora do pagamento como resultado dos desentendimentos com os PAP em determinados pontos e outros negavam tal demora alegando se tratar de alguns pormenores técnicos entre as chancelarias e respectivas metrópoles. No fundo, o Governo estava a tentar "con­trolar"a si­tuação, lançando uma imagem de um país policiamente estável e de um Governo que estava a trabalhar a contento.

Contrariamente aos PAP, que usaram menos a imprensa e insistiram nos seus pontos e na sua posição, de congelar os desembolsos até que uma resposta satisfatória tivesse chegado, o que acabou por acontecer.

Num texto por mim publicado no meu blog, em falhou.html" 10 de Março de 2010, teci algumas críticas a ambas partes sobre a forma como teriam conduzido o processo.

 O fim da greve significou a retoma dos desembolsos por parte dos doadores, à custa de uma série de medidas que satisfizeram em parte os donos do dinheiro.

Assim, o MDM viu a sua bancada constituída, fruto da revisão do regimento da AR. A condenação dos réus do Caso Aeroportos de Moçambique foi apresentada como um sinal claro do cometimento do Governo no combate contra a corrupção. A recente reunião da Frelimo na Beira, em que se discutiu a eliminação das células do Partido Frelimo nos locais de trabalho, afigura-se como o follow-up aos compromissos assumidos pelo Governo na despartidarização do estado. A par disto, o debate sobre a revisão do pacote eleitoral parece ganhar novo fôlego. A sindicalização dos funcionários do aparelho do Estado ganhou novo ímpeto pelo que a reforma do sector público está desse modo de parabéns.

O contexto político que o país viveu nos últimos seis meses confere-nos uma ra­zoável mas confortável posição para afirmarmos que:

a) Foi marcado por desin­teligências entre os PAP e o Governo, que implicou consi­deravelmente para a palidez da imagem do Governo perante a opinião pública.

b) A inflação, o aumento do custo de vida e a incidência da pobreza urbana dilui quase que significativamente o discur­so político que prega a paulatina vitória contra a pobreza.

c) Mas do lado positivo, verificaram-se mudanças brus­cas mas encorajadoras no cômputo da Governação, ten­dentes a livrar o Estado do controlo do partido: discussão [pela Frelimo] sobre a eliminação das células do partido Frelimo, formação da Bancada Parla­mentar do MDM, sindicalização dos funcionários do aparelho do estado e ainda a reflexão sobre a situação prisional e dos direitos humanos em Moçambique.

Do boomerang: o contra-ataque do GOVERNO aos PAP

A avaliação do desempenho dos PAP feita pelo Instituto de Estudos Sociais e Económicos – IESE - constituiu uma oportu­nidade para o governo de Moçambique denunciar as más práticas dos doadores – a maioria dos quais violam os princípios da Declaração de PARIS sobre a eficácia da ajuda - mormente na sua exagerada ingerência no dia-a-dia da gover­nação do país, na falta do cumprimento aprazado dos com­pro­missos assumidos, mostrando desta forma que eles têm também uma quota-parte de respon­sabilidade no fraco desempenho do Governo em determinadas áreas. 

Animou-me constatar a desi­lu­são por si expressa quanto ao informalismo dos doadores ao exigir aspectos não constantes do Memorando de Entendimento dos PAP; ao contestar o excessivo número de missões de avaliação, em média uma por dia; ao contestar que "qualquer repre­sentante de cada país doador" se sentisse no direito de conversar ou reunir directamente com cada ministro ou altos quadros minis­teriais e daí tecer recomendações políticas para efectiva aplicação, entre outras sandices.

Pior que isso, a constatação de que os doadores também não acatam as recomendações e as lições aprendidas de avaliações anteriores muito menos das relações entre estes e o Governo moçambicano merece da nossa parte uma profunda reflexão.

Este comportamento repu­gnan­te demonstra a falta de respeito e desconhecimento total sobre os limites da capacidade de se operar mudanças tão bruscas, apesar de possíveis, dada a multiplicidade de factores internos e externos que con­dicionam a efectivação das actividades acordadas.

Porém, se por um lado o Governo conseguiu "resolver" os seus problemas com os PAP, muito pouco ou o pouco que se fez nos últimos meses foi ofuscado por uma série de acontecimentos protagonizados pelos membros do próprio Governo.

Filosofias à venda

Desde que o Presidente da República tomou posse, o seu discurso foi sempre o de encorajar os moçambicanos ao trabalho abnegado com vista a sair da pobreza e livrar-nos da depen­dência externa, bem como a construção de um futuro melhor para todos.

A par disso, e resultante da expressão popular saída das eleições de 2009, a Frelimo reconheceu que o crescente custo de vida urbana tinha o potencial de não só ressuscitar os levantamentos populares à semelhança do 05 de Fevereiro de 2008, como também e como se provara, diminuir consideravelmente o apoio deste à Frelimo. Pelo que o combate à pobreza urbana foi um dos inimigos comuns identificados e denun­ciados pelo PR logo na sua tomada de posse. De seguida, e na senda da "chamada à unidade e ao trabalho", apelou aos jovens que se inspirassem nas gerações anteriores para no tempo em que vivemos, vencermos a pobreza. Para tal, identificou a pobreza mental, como das primeiras a ser combatida antes da material. E no final, acendeu a Chama de Unida­de, que percorreu o país a partir de Nangade, até chegar à Maputo, no dia 25 de Junho de 2010.

Tudo isso, não passou de uma tentativa de Armando Guebuza, vender a sua filosofia, que na prática poucos a apreciaram devido às deficiências que o pacote do próprio produto [a filosofia entenda-se] apresentava.

A Pobreza Urbana

O fraco desempenho da eco­nomia; a inflação, os recentes aumentos – e que prometem continuar ao longo do ano – dos preços de combsutíveis e produtos de primeira necessidade agra­varam ainda mais a situação da pobreza urbana. Excusado seria dizer que a nível rural ela não diminui, apesar dos significativos fundos que para lá são destinados. O recente documento de trabalho de Joseph Hanlon e Benedito Cunguara entitulado "o fracasso no combate a pobreza em Mo­çambique", indicam claramente que os progressos no combate à pobreza são insignificantes: a produção regrediu, menos pessoas tiveram acesso ao dinheiro e pouparam quase nada, a incidência da pobreza anual cresceu e de forma estonteante; a revolução verde não funciona; é um total fracasso.

Segundo o relatório do Chr. Michelsen Institute – CMI - 30% da população moçambicana vive nas cidades. E em Maputo, 53% dos cerca de 1.3 milhões de habi­tantes são pobres. O estudo também revela a " importância primária do emprego e do rendimento para fazer face a um ambiente urbano onde o dinheiro faz parte da maioria das relações. São escassas as oportunidades de emprego formal e a maior parte das pessoas está dependente de uma frágil economia informal com baixos retornos. A mobi­lidade social a um nível mais elevado é também coibida pelo elevado custo da terra, da habitação, dos serviços públicos e dos transportes. Apesar dos relativamente mais elevados níveis de educação, compa­rados com Moçambique rural, a economia política urbana torna difícil para os pobres converter tais níveis de educação em emprego e mais rendimento e consumo."

Por outras palavras, não é pelo facto de os moçambicanos serem incapazes de pensar que continuam na pobreza; pelo contrário, é exactamente devido à sua incapacidade de ultrapas­sar diversas barreiras e arma­dilhas da pobreza que desafiam diariamente a sua imaginação e competência; não é porque os moçambicanos não querem ir à escola ou não sabem que o trabalho gratifica; pelo contrário, é porque a economia política urbana torna difícil para "que os pobres por si só sejam capazes de converter tal POTENCIAL em reais possibilidades de se livrarem da pobreza – estava a parafrasear o relatório do Chr. Michelsen Institute. É inexorável a intervenção do Estado. E até ontem, tal política não se afigurava clara. É inexorável refundar as bases para a política de ajuda e da visão desenvol­vementista dos doadores, que já se provou incapaz de produzir resultados positivos, tal como o Hanlon e Cunguara constatam no seu relatório.

Por isso, vender a filosofia de que a pobreza mental é o grilhão que perpetua a nossa condição material de pobres parece uma injustiça à inteli­gência e ao esforço individual e colectivo dos pobres moçam­bicanos. Se é para trabalhar, que sejamos todos. E que ninguém seja individualmente culpado pela sua condição de pobre. Aliás, não é por acaso que o PR chama a este povo, de maravilhoso, este país de pérola do índico; e está pátria, de pátria de heróis. Não existe nenhum herói que não se lhe conhece a obra; a maravilha de um povo que não trabalha ou uma pérola sem sabedoria.

A chama

A Chama da Unidade Nacio­nal lançada pelo PR no seu primeiro mandato e repetido neste segundo foi das mais criativas invenções do Presi­dente Armando Guebuza como líder de um povo martirizado por problemas sociais e conómicos. Juntamente com a política dos sete milhões e do conceito da geração de viragem, estas três figuras lembram a Política de Pão e Circo da Roma Antiga.

Para entendermos como as três figuras funcionam como Política de Pão e Circo, importa lembrar um pouco o que acontecia na Roma Antiga:

Na Roma antiga, a escravidão na zona rural fez com que vários camponeses perdessem o em­prego e migrassem. O cresci­mento urbano acabou por gerar problemas sociais e o imperador, com medo que a população se revoltasse com a falta de emprego e exigisse melhores condições de vida, acabou criando a política "panem et circenses", a política do pão e circo. Este método era muito simples: todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu) e durante os eventos eram distri­buídos alimentos (trigo, pão). O objectivo era alcançado, já que ao mesmo tempo em que a popu­lação se distraia e se alimentava também esquecia os problemas e não pensava em rebelar-se. Foram feitas tantas festas para manter a população sob controlo, que o calendário romano chegou a ter 175 feriados por ano.

Esta situação ocorrida na Roma antiga é muito parecida com o Moçambique actual. O crescente índice da pobreza continuará a merecer atenção dos políticos e do poder político em particular.

E relativamente à última figura, a Chama da Unidade Nacional e os Sete Milhões constituem políticas que visam manter a população calma por um lado e distraída por outro, retirando dos ombros do Governo as respon­sabilidades pelo menos mo­mentânea, pela pobreza em que a maioria da população vive. O discurso político actual confirma tão claramente como o Governo tem sacudido dos seus ombros, as suas responsabilidades.

O motivo de dar colocar dinheiro nas administrações do distrito para por sua vez ser redistribuído através o finan­ciamento às "iniciativas locais"; fazer andar a chama de unidade do Rovuma ao Maputo - ocupando desta forma milhares de popu­lares, funcionários do Estado e do Partido, e criando conceitos ambíguos como Geração da Viragem - é o mesmo dos impe­radores, ao darem pão aos romanos. E o efeito político também é o mesmo nas duas épocas: fazer esquecer, mesmo que momentaneamente, os pro­ble­mas enquanto se potenciam os ganhos eleitorais.

Geração da viragem

Muito foi dito em torno desta palavra. Eu mesmo fui dos primeiros a tentar explicar o apócrifo envolto deste termo.

O discurso da divisão da sociedade moçambicana em três gerações está longe de unir o povo. Pelo contrário, atiça cada vez mais o debate desorganizado sobre a primazia de uma geração sobre a outra; o discurso gera­cional não mobiliza a sociedade para o trabalho conjunto, e sim divide as tarefas, obedecendo critérios gerontocráticos. Ao dividir a sociedade moçambicana em três gerações, o Presidente da República subestimou o alcance distorcedor da sua mensagem na medida em que declarou uma guerra inter­gera­cional pelo controlo do poder e recursos do poder. Se o que digo não corresponde ao pensamento do PR, a minha opinião ganha coerência uma vez que a ambi­guidade do seu discurso deu azo a múltiplas interpretações, o que já é mau, para um discurso do Presidente da República que se pretende do alcance de todos e com o mesmo sentido apelativo. O ruído é em comunicação sinal inequívoco da não clareza da mensagem. 

Conclusão

A subida dos preços de combustíveis, a crescente infla­ção e consequente subida de preços de produtos alimentares de primeira necessidade e não só, a crise dos doadores, a descoberta de vários rombos financeiros em diversas direcções do aparelho do Estado, a morte a tiro do Director das Alfândegas Orlando José, a acusação de Barão de Droga ao Momade Bachir Sulemane pelo Estado Norte-americano para além dos vários relatórios internacionais desabonando o país em várias vertentes, mormente na gover­nação, respeito pelos direitos humanos e luta contra o tráfico de pessoas, órgãos humanos e droga, contribuíram em grande medida para a subida da tensão do actual Governo. E já no fim do Mundial, os resultados da estra­tégia traçada para tirar o máximo do proveito deste evento não mais podiam ser tão descalabrosos do que os que se nos apresentaram.

Seis meses depois, não se vislumbra nenhuma esperança sobre o anunciado combate à pobreza urbana, que merecera destaque no discurso de tomada de posse de Armando Guebuza. Já na zona rural, se bem a situação aponte para alguma melhoria, o ritmo parece quase paralisante.

As visitas de Estado efectua­das aos vários distritos poucos resultados têm trazido em termos de mudança de atitude por parte dos colaboradores do estado e do governo em diferentes níveis de administração da República. Em algumas partes deste país, o Presidente da República já visitou pelo menos, duas vezes em 5 anos. Porém a tónica popular é a mesma: o povo denuncia o nepotismo na atribui­ção dos fundos de investimento de ini­ciativa local vulgo 7 milhões, o PR constata o fraco ritmo de recu­peração do crédito conce­dido, verifica a mais abjecta incom­petência dos servidores do povo no cumprimento das metas por si próprios estabelecidas, entre outras constatações experi­mentadas pelo próprio timoneiro da nação.

O discurso do Presidente da República apesar de arrojado, não é materializado nas práticas concretas e hodiernas. O que se pensava potencial discurso mobi­lizador, está cada vez a criar problemas de percepção à vários níveis.

Se aduzirmos o acima escrito aos actuais acontecimentos políticos na Beira e ao escândalo das sms da Ministra de Trabalho, podemos de certeza dizer que o Governo fecha o semestre em baixa.

O turbilhão da Beira vem provar como as instituições de justiça moçambicana ainda pre­cisam de aprimorar a sua inde­pendência na sua actuação ante as instituições e ao poder político por um lado, e por outro, de­monstram até que ponto as pessoas estão predispostas a cometer um sem-número de irregularidades em benefício de um poder político invisível. O que está a acontecer na Beira vem pôr água sobre os esforços e os ganhos já garantidos no sector de administração da justiça.

A nódoa que a Helena Taípo detonou sobre o Conselho de Ministros/Governo sugere um mal-estar generalizado entre ela e os quadros do seu ministério. Não é a primeira vez que os telemóveis usados pela Helena Taípo são violados no seu conteúdo. Mas, este é outro assunto.

Porém, o que é de estranhar é a posição [a ausência dela, diga-se] do Conselho de Ministros que, sabendo-se já que o Gabinete Central de Combate à Corrupção tenciona investigar a gestão do INSS e por essa via a Helena Taipo, não se pronuncia de forma esclarecedora sobre o que está a acontecer com o seu membro. As transcrições que nos são dadas a ler na imprensa sugerem estar­mos perante um caso interessante de falta de gestão criteriosa dos fundos do Estado, pelo que o seu esclarecimento ajudaria a oxi­genar e capitalizar o pouco do que se produziu nos últimos seis meses.

O resto do semestre que falta, o PR terá a oportunidade de oferecer aos moçambicanos o que lhes faltou ao longo dos últimos cinco anos do seu primeiro mandato: coragem de chamar a membros da sua máquina gover­nativa pelas qualidades que cada um deles demonstrar e agir de acordo com o nível da sua desilusão. Deverá esquecer por enquanto as suas reflexões poético-filosóficas; do ensaio ao debate sobre a revisão cons­titucional; das estratégias do próximo Congresso para voltar ao documento que o levou à vitória, e daí, retomar às acti­vidades governativas que impac­tem na vida social e económica do país e dos moçambicanos.

Por outro lado, o PR deverá tornar o seu discurso menos exotérico para assim chegar à todos com a mesma clareza possível. É que há muitos que ainda estão perplexos, na es­perança de um dia virem entender o sentido prático e implicações para a política de termos que ele já pronunciou, tais sejam "geração de viragem", "pobreza mental", "auto superação", "autofla­ge­lação" entre outros.

Por: Egidio G. Vaz Raposo**Historiador e Consultor em Comunicação

SAVANA – 06.08.2010

Fundações de partidos políticos com sucesso são raras em África

A convicção é de Luísa Diogo

A antiga primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo, declarou, sexta-feira pas­sada, em Luanda, que na região Austral de África e noutras partes do Mundo é cada vez mais raro encontrar fundações de partidos polí­ticos com sucesso.
Falando à imprensa, no final de uma visita à Fundação Sagrada Esperança, a tam­bém deputada da As­sem­bleia da República pela bancada da Frelimo, país afirmou que a fundação angolana tem muito para ensinar à congénere do seu país."A Fundação Sagrada Esperança tem muito para nos ensinar, porque estamos a começar", expressou Luísa Diogo, segundo a qual a Fundação 25 de Junho, da qual é presidente, tem o nome da data da criação do Partido Frelimo.

Explicou que a mesma tem por objectivo conservar todo o património histórico, material e imaterial do par­tido, dentro e fora do país.

Tem ainda a missão de preservar a unidade nacional, recolher todos os aspectos da luta de libertação nacional, a consolidação da Nação moçambicana e o combate à pobreza, precisou.

"É uma fundação que procura encontrar um espaço próprio para poder contribuir em todo o processo que Moçambique está a desen­volver na luta contra a pobreza", disse.

Recordou que o MPLA e a Frelimo são partidos irmãos que foram criados com os mesmos objectivos de liber­tação nacional e desen­volvimento de ambos os estados e povos.

Por sua vez, o presidente da Fundação Sagrada Es­perança, Afonso Van-Dúnem "Mbinda", disse que as duas fundações têm carac­te­rísticas especiais por serem de partidos, daí a razão de aproveitarem a deslocação a Angola para trocarem impressões muito profundas quanto a esta questão.

"A Fundação Sagrada Esperança existe há dez anos e poderá transmitir alguma experiência à depu­tada Luísa Diogo, disse Afonso Van-Dúnem "Mbin­da".

SAVANA – 06.08.2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Liga da juventude do MDM formaliza seu funcionamento

Com efeito, esta organização juvenil reúne-se, nos próximos dias 8 e 9 do presente mês, na cidade de Chimoio, em conferência nacional,

A Liga da Juventude do Movimento Democrático de Moçambique, partido de Daviz Simango,  inicia oficialmente, esta semana , as suas actividades.

Com efeito, esta organização juvenil reúne-se, nos próximos dias 8 e 9 do presente mês, na cidade de Chimoio, em conferência nacional, um evento que contará com mais de 200 participantes, de onde sairá o primeiro presidente da Liga da Juventude do MDM.

De acordo com Moisés Chenene, porta-voz do encontro, que falava, ontem, à imprensa, na conferência, para além da eleição do presidente, deverão ser indicados o Conselho directivo e o Secretariado Geral, a respectiva comissão política, e serão  aprovados os estatutos da agremiação.OPais/(MiradourOnline)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Mudar a Constituição para Guebuza continuar?

Editorial

É preciso travar a geração do escangalhamento

Maputo (Canalmoz) - A Constituição da República refere que "todas as camadas patrióticas da sociedade moçambicana num mesmo ideal de liberdade, unidade, justiça e progresso, cujo escopo era libertar a terra e o Homem, engajaram-se na luta por princípios que devolveram ao povo moçambicano os direitos e as liberdades fundamentais". No preâmbulo lê-se ainda que "a Constituição de 1990 introduziu o Estado de Direito Democrático, alicerçado na separação e interdependência dos poderes e no pluralismo, lançando os parâmetros estruturais da modernização, contribuindo de forma decisiva para a instauração de um clima democrático que levou o país à realização das primeiras eleições multipartidárias", diferentemente da inicial que suscitou uma guerra sangrenta de que não se pode dissociar como causa a veleidade e livre arbítrio de um punhado de cidadãos ambiciosos de poder e pitosgas quanto às consequências que a sua medíocre visão histórica poderia suscitar.
Esses cidadãos auto-proclamaram-se força dirigente da Sociedade e do Estado. Deu no que deu: sangue por todo o lado, miséria generalizada, refugiados em todo o lado, dentro e fora do país. Desgraça.
Os traços desse regime – destruição da sociedade velha, criação do homem novo, evacuação dos improdutivos para campos de trabalhos forçados, reeducação dos reaccionários e execução sumária dos inimigos do povo – foram obras de quem não teve dúvidas de decisões que tomou. Deu numa guerra tremenda.
Hoje estamos na mesma. Um punhado de indivíduos vencedores de eleições promovidas num ambiente de total baralhada, de leis eleitorais contraditórias, suscitadas por esse mesmo grupinho que as manobrou com o intuito de assegurar legalidade aos actos eleitorais, prepara-se para mudar a lei fundamental a fim manter no poder o seu actual líder e consequentemente fazer do Estado a sua machamba.
Esse grupinho imagina que ninguém mais, entre os mais de vinte milhões de cidadãos, está capaz de exercer os cargos que exercem. Esquecem-se que em qualquer país realmente empenhado em construir uma genuína democracia, os mandatos são limitados a prazos determinados.
É o grupinho de sempre. O tal das certezas que depois acabam em pancadaria sangrenta.
Se o grupo for avante com os seus propósitos, estamos no peugada de um autêntico golpe de Estado em que o homem que ainda pode estar sujeito a procedimentos judiciais internacionais por actos que, ainda que sendo do passado, não prescrevem, pode estar a engendrar formas de se perpetuar no poder.
A presente Constituição "reafirma, desenvolve e aprofunda os princípios fundamentais do Estado moçambicano (…) e assegura que a ampla participação dos cidadãos na feitura da Lei Fundamental traduz o consenso resultante da sabedoria de todos no reforço da democracia e da unidade nacional". Mas a maioria parlamentar prepara-se para decidir entre quatro paredes, ignorando o povo.
A Constituição estabelece que Moçambique é um estado democrático em que a Soberania reside no povo, mas esse grupo prepara-se para ignorar o povo.
A defesa e a promoção dos direitos humanos e da igualdade dos cidadãos perante a lei; o reforço da democracia, da liberdade, da estabilidade social e da harmonia social e individual; a promoção de uma sociedade de pluralismo, tolerância e cultura de paz, são objectivos fundamentais.
Os actos contrários à unidade nacional visando atentar contra a unidade nacional, prejudicar a harmonia social, criar divisionismo, situações de privilégio ou discriminação com base em vários pressupostos, entre eles a "opção política", "são punidos nos termos da lei".
Mas há, mesmo assim, quem quer voltar a fazer do País uma "cotada" de alguns.
O presidente da República "só pode ser reeleito uma vez" e foi esta a Constituição que o Senhor Guebuza jurou cumprir. Se for para além disso, estará a desonrar-se a si próprio, tanto mais que já disse, publicamente, que não se recandidatará. Quer tudo: as propriedades privadas e o poder político num país em que a constituição prescreve direitos do Estado e direitos privados.
Só tem de seguir o exemplo do seu antecessor, mas parece que está a querer ir com o chinelo para além da sua perna. Há fortes suspeitas disso.
Na qualidade de PR é também chefe do Governo. Pressupõe-se, então, que o mesmo condicionalismo que o abrange no que respeita à recandidatura a PR no fim do segundo mandato, se aplica a todas as funções que nesta Constituição são inerentes ao cargo de chefe de Estado.
Mesmo que se preparem agora mais poderes para o primeiro-ministro, como já houve quem lançasse essa hipótese, Guebuza estaria em condições morais para ocupar tal cargo com outro presidente? Será que Moçambique é um parque de diversões de políticos irresponsáveis? Quererá ele ser um desses comuns politiqueiros só porque, na Russia, Putin fez uma dessas?
Na Constituição vigente há "limites materiais". Não se revê a Constituição porque um grupo de senhores entendeu que a oportunidade deles voltarem a excluir os outros, está de novo ao seu alcance.
As leis de revisão constitucional têm de respeitar a independência, a soberania e a unidade do Estado; a forma republicana de Governo (…); o sufrágio universal, directo, secreto, pessoal, igual e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania das províncias e do poder local; o pluralismo de expressão; (…); o direito de oposição democrática".
A Constituição vigente impõe que as alterações destas matérias são obrigatoriamente sujeitas a referendo. A forma republicana de governo pressupõe que se deve respeitar os mandatos e a alternância.
O problema a certa altura deixa de ser jurídico e passa a ser político.
Quer isto dizer que poder-se-á entender como TRAIÇÃO e USURPAÇÃO DE PODER qualquer alteração que não seja com a exclusiva intenção de melhor servir o Povo. Neste caso as alterações de que se fala serão para que um punhado não largue o poder político.
Condições formais, legais, para se promoverem alterações à Constituição em termos de poderes extraordinários pode haver, mas quando o legislador introduz certas cláusulas pétrias, fixas, está a ter em conta a necessidade de passarmos a ter um Estado moderno, em que, com os princípios sagrados, que mexem com as mais diversas sensibilidades humanas, não se brinca. Foi uma das condições para a Guerra Civil terminar.
Mesmo que se admita (ainda que para muitos seja forçado) que a Frelimo ganhou as últimas eleições legislativas com margens confortáveis que lhe dão legitimidade para alterar a Constituição a seu bel-prazer, é preciso ter-se em conta que sob a sua batuta encapuçada foram excluídas candidaturas e candidatos para poder chegar a ter a posição de alterar a constituição. Pode-se falar em golpe premeditado.
Mesmo assim ganhou com menos de um quarto de votos da totalidade dos moçambicanos com capacidade eleitoral.
Há mais de três quartos dos moçambicanos que não votaram ou votaram noutros. Isto é preciso ter-se em conta.
Esse cenário mostra bem que há mais legitimidade fora do Parlamento para se exigir que não se mexa nos pontos sagrados da democracia e se respeite os prazos dos mandatos e outros princípios constitucionais, do que a maioria qualificada da Frelimo na Assembleia da República, possa ter.
A Frelimo e o seu presidente têm de ter presente que se chamarem a si "poderes extraordinários" para alterar a Constituição, para acomodar a sua apetência pela ditadura ou continuidade no poder de uns certos "brazonados", o povo pode também vir a chamar a si "poderes extraordinários" para impedir isso; para impedir a Frelimo e o seu presidente de ter veleidades semelhantes às que já tiveram antes do país entrar pela via da violência.
O mesmo tipo de ambição hegemónica já transformou o País num vale de lágrimas.
O Presidente da República não pode recusar a promulgação da lei de revisão, consta da Constituição. O senhor Guebuza terá sempre essa desculpa, para 'sacudir a água do capote'. Mas a Constituição vigente prevê também "Limites circunstanciais" que impediriam que a Assembleia da República avance com uma revisão contrária à vontade dos que se reviram nesta Constituição e não foram votar porque não imaginavam que fosse intenção dos vencedores do pleito empreender tamanha rasteira ao Povo.
Pode ser que o Povo aí chame a si "Poderes especiais" e se subleve de tal forma que seja declarado o Estado de Sítio. "Na vigência do estado de sítio ou do estado de emergência não pode ser aprovada qualquer alteração da Constituição", prevê a Lei Fundamental. Será que a irresponsabilidade vai deixar as coisas ir ao extremo de nos levar ao princípio da história da geração do escangalhamento?
Quando a Guerra Civil começou, o Partido Frelimo sonhava que não tinha oposição. Depois foi o que se viu.
Aconselhamos moderação e, acima de tudo, juízo. Temos todos de evitar repetir os mesmos erros. O tempo é para andarmos para a frente. Não para os que já puseram as vidas dos moçambicanos em risco uma vez, voltem a brincar aos cowboys.
(Canalmoz / Canal de Moçambique)

2010-08-06 09:34:00

JULGAMENTO DE CHARLES TAYLOR

Graça Machel citada durante acareação da modelo britânica

Pretória (Canalmoz) - Prossegui ontem no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra em Haia o julgamento do antigo presidente liberiano, Charles Taylor. O ex-chefe de Estado da Libéria é acusado de 11 crimes, incluindo a instigação de assassínio, violação, mutilação e de transformação de crianças em soldados. Pesa ainda sobre Taylor a acusação de ter utilizado diamantes para financiar a guerra na Libéria.
Na sessão de ontem, a modelo britânica, Noami Campbell, admitiu perante o tribunal ter recebido diamantes entregues por dois agentes do ex-chefe de Estado liberiano. O caso passou-se em Setembro de 1997, quando Campbell encontrava-se de visita à África do Sul a convite do Presidente Nelson Mandela.
Depondo perante o tribunal, Campbell disse que após um jantar na residência oficial de Mandela, dois homens bateram à porta do quarto da modelo, tendo-lhe entregue um saco contendo diamantes, oferta de Charles Taylor. O então presidente liberiano era um dos convidados presentes ao jantar oferecido por Nelson Mandela. Da lista de convidados constavam individualidades como a viúva do primeiro presidente moçambicano, Graça Machel, o compositor americano, Quincy Jones, a estrela de cinema Mia Farrow, entre outros.
Nas declarações perante o colectivo de juízes que está a julgar Taylor, Noami Campbell negou que Graça Machel tivesse levantado objecções pelo facto de Charles Taylor contar-se entre os convidados ao jantar. Campbell desmentiu versões que haviam circulado de que Graça Machel, em protesto contra a presença de Charles Taylor, teria alegadamente abandonado o local onde decorria o jantar.
Fotografias tiradas por ocasião do jantar na residência oficial do presidente sul-africano mostram o Mandela e Graça Machel ladeados de Charles Taylor e Quincy Jones.
(Redacção)/CanalMoz

Angola24Horas

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