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VOA News: África

segunda-feira, 8 de julho de 2013

MDN AVANÇA COM PROJECTO DE REQUALIFICAÇÃO

O Ministério da Defesa Nacional (MDN) confirmou hoje que a zona militar de Maputo, na capital moçambicana, será requalificada de forma a responder as exigências impostas pelo actual nível de desenvolvimento sócio-economica do país. 


Trata-se de uma zona localizada no centro da cidade de Maputo, com uma área de cerca de 48 hectares, dos quais 17 ocupados pelo bairro militar (zona residencial), com pouco mais de 200 famílias.


Falando hoje, em Maputo, durante uma conferência de imprensa, o Secretário Permanente de MDN, o Major-General na reserva, Teófilo João, garantiu que o projecto de requalificação já se encontra numa fase avançada, tendo sido identificado um potencial parceiro de origem asiática.

Sem especificar a identidade do referido parceiro, o Secretário Permanente explicou que este parceiro encarregar-se-á do processo de redimensionamento das infra-estruturas militares existentes na zona, como quarteis, moradias, centros de diversão entre outras.

Este processo, segundo aquele quadro, inclui a construção das casas condignas para o reassentamento das famílias a serem transferidas, tendo em conta as especificidades de cada ocupante.

Actualmente, residem no bairro militar antigos combatentes de luta de libertação nacional, alguns dos quais no activo, outros na reserva ou desmobilizados, e ainda alguns civis.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

DHLAKAMA CONDICIONA ENCONTRO COM PR A RETIRADA DE MILITARES DE GORONGOSA

Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, revelou hoje em Sathungira, na província central de Sofala, que o diálogo com o Presidente da República (PR), Armando Guebuza, depende da retirada das forças de defesa e segurança que cercam a sua base naquela região. 

Dhlakama que manteve um encontro com o Observatório Eleitoral, afirma que se o governo rejeitar a retirada das forças de defesa e segurança então o Presidente da República deverá deslocar-se ao distrito de Gorongosa.
O líder da Renamo, que falava em conferência de imprensa no término de um encontro com o Observatório Eleitoral, argumentou que impõe a retirada das forças de segurança estacionadas em Gorongosa, porque teme uma possível ocupação da sua base durante a sua deslocação à capital do país para o encontro com Guebuza.

Na ocasião, o líder da Renamo assumiu ter ordenado os ataques armados em Muxúnguè, distrito de Chibabava, cujo saldo são dois óbitos e cinco feridos, e asseverou que os alvos não eram cidadãos civis, mas sim forças de segurança que eram transportadas em viaturas civis para o distrito de Gorongosa.
Questionado se tencionava lançar mais ataques no troço Muxúnguè-Save, Afonso Dhlakama afirmou que esta pergunta deveria ser colocada ao Presidente da República por se tratar da única pessoa capaz de explicar as razões dos disparos.
“Nunca foi intenção nossa de atacar civis, porque estes atacaríamos aqui em Gorongosa. As tropas que vêem a Gorongosa não são transportadas em carros militares, mas sim viaturas civis, daí que alguns civis foram atacados, porque se encontravam em viaturas que se julgavam transportar militares’’ – disse Afonso Dhlakama, afirmando não constituir verdade as declarações de que ele é quem tem estado a esquivar o Presidente da República.
‘’Isso é uma publicidade barata, pois os dois encontros que aconteceram em Nampula foram da minha iniciativa’’, disse.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

"E creio que uma solução teria de passar pela demissão de Armando Guebuza dos cargos que ocupa e sua substituição por alguém mais dialogante"

MARCO DO CORREIO, por Machado da Graça
Olá Julião
Estás bem, amigo? Do meu lado está tudo normal, felizmente.
Mas estou-te a escrever por causa de uma coisa que me perturbou bastante no recente aniversário da Independência.
Estou a falar das declarações que o cidadão Armando Guebuza, que, cada vez o lamento mais, é o nosso Chefe de Estado, fez na Praça dos Heróis.
Talvez para fugir à responsabilidade de o Governo que dirige ter conduzido o país à guerra, Armando Guebuza escolheu a solução mais simples mas, ao mesmo tempo, a mais absurda: declarar que a paz em Moçambique não está em causa.
Para ele o assalto a um paiol militar com roubo de armas e munições, os ataques na principal estrada do país, que levaram a que, numa distância significativa, só se circule agora em coluna militar (e mesmo assim os ataques continuam...), o facto de a mais importante linha férrea do país, em termos económicos, estar fechada ao tráfico de passageiros e ao de carga de uma das principais mineradoras de carvão de Moatize e o facto de já terem morrido umas dezenas de pessoas, entre polícias, militares e civis, são “um incidente aqui e acolá”.
Grave atitude de irresponsabilidade da parte de alguém que, quanto a mim, é um dos principais responsáveis pela tragédia que está a começar no país.
Mas onde senti a total insensibilidade daquele dirigente foi quando declarou que as negociações são sempre coisas demoradas, e deu como exemplo o facto de ele ter estado dois anos em Roma até o Governo ter conseguido assinar o Acordo de Paz com a Renamo.
Quererá Armando Guebuza dizer-nos que vamos ter que esperar dois anos, com gente a morrer na estrada, enquanto as duas delegações fingem que negoceiam? Enquanto o Governo faz um bicho de sete cabeças para aceitar uma mudança na composição da Comissão Nacional de Eleições para evitar que o partido Frelimo faça e desfaça nos próximos processos eleitorais?
E não me venham com a fantochada de que há divisão de poderes entre o Executivo e o Parlamento e um não pode interferir no outro. Sendo o Governo dirigido pelo partido Frelimo e o mesmo acontecendo com a bancada maioritária da Assembleia da República, isso é uma mera presunção legal sem quaisquer efeitos práticos, no nosso caso.
Por tudo isto estou cada vez mais preocupado. O Governo, dirigido por Armando Guebuza, é um duro penedo, sem qualquer flexibilidade, incapaz de qualquer negociação séria, seja com quem for. A recente greve dos médicos e pessoal da Saúde foi mais uma prova cabal disso. Morra quem morrer o Governo não arreda pé, nem um centímetro. E isso só pode levar ao crescer do desastre, nunca ao final dos conflitos. E, ao não aceitarem facilitadores do diálogo nem mediadores, Guebuza e os seus estão a reafirmar que são apenas eles que querem, podem e mandam.
A continuarmos assim creio que o sangue que já correu vai ser apenas uma pequena gota em relação ao que ainda vai correr.
Espero que quem tiver força para travar esta loucura o faça. E creio que uma solução teria de passar pela demissão de Armando Guebuza dos cargos que ocupa e sua substituição por alguém mais dialogante. Estou em crer que, em caso de saída do Chefe de Estado nesta altura do mandato, deverá ser substituído pela Presidente da Assembleia da República. Talvez não fosse uma má solução...
Um abraço para ti do
Machado da Graça
CORREIO DA MANHÃ – 28.06.2013

Governo de Moçambique envia tropas para combater ameaças da Renamo nas provincias

Cerca de meio milhar de tropas chegaram na manhã de hoje a cidade da Beira, onde os residentes queixam-se de insegurança que a presença militar está colocar a região.

Ouça aqui:

Na cidade da Beira no centro de Moçambique a população diz preocupada com pânico gerado com a presença de centenas de homens armados que chegaram hoje aquela cidade.
Movimentos de tropas foram confirmados hoje na cidade da Beira com a chegada de cerca de meio milhar de homens fortemente armados, como nos descreve o jornalista Constantino André da emissora católica, Rádio Pax.
O governo moçambicano nos seus esforços para conter alegados ataques da Renamo enviou centenas de efectivos militares e de armamento para a região centro do país.
Além das fontes da Voz da América, esta situação pôde igualmente ser confirmada em relatos de alguns jornais na internet.

O Jornal Verdade, na sua edição de ontem descrevia que as forças armadas teriam enviado efectivos e armamento para as províncias centrais de Manica e Sofala, e que tropas governamentais cercaram o aeródromo de Gorongosa estando cada vez mais próximas da região de Satunjira onde se encontra baseado o líder da Renamo.
VOA – 27.06.2013

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Paulino Macaringue exonerado do cargo de Chefe do Estado-Maior General das FADM

O Presidente da República, Armando Guebuza, exonerou esta quarta-feira (26) Paulino Macaringue do cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), que ocupava desde 2008, e no seu lugar nomeou Graça Chongo, também promovido a patente de General do exército.

Nos últimos três meses, o general Macarigue ocupava ilegalmente aquele cargo visto que o seu mandato havia expirado em Março passado. Entretanto, o Presidente da República, Armando Guebuza, a quem compete nomear e exonerar as figuras que devem ocupar aquele posto, permaneceu distraído até esta quarta-feira.
Aliás esta não foi a primeira vez que o Chefe do Estado moçambicano se distraiu deixando, por conseguinte, de cumprir as suas tarefas em tempo útil. Em Maio passado, a Assembleia da República (AR) foi obrigada a fazer uma alteração pontual da lei que regula as eleições gerais, no que se refere a marcação da data destes pleitos, com o objectivo de acomodar a distracção de Guebuza.
É que o presidente da República não o havia marcado a data com a antecedência mínima de 18 meses como estabelecia a lei.
Entretanto, um comunicado de imprensa recebido pelo jornal @Verdade aponta ainda que o presidente da República prorrogou o mandato de Olímpio Cambona como  Vice-Chefe do Estado-Maior das FADM.
Cambona foi um dos guerrilheiros da Resistência Nacional de Moçambique, hoje transformado em partido Renamo, a maior organização política da oposição em Moçambique.
@VERDADE – 26.06.2013

Renamo intensifica ataques a colunas de viaturas entre Muxúnguè e Rio Save

A circulação na Estrada Nacional número Um está longe de ser segura, apesar da escolta que a Força de Intervenção Rápida e as Forças Armadas de Defesa de Moçambique fazem às viaturas organizadas em colunas.

É que, durante a tarde e a noite da última segunda-feira, os homens Armados da Renamo atacaram a coluna de viaturas, sem, no entanto, causar vítimas humanas.
O primeiro ataque aconteceu por volta das 16h00, quando uma coluna composta por aproximadamente cinquenta viaturas fazia o percurso Muxúnguè-Rio Save. O segundo ataque aconteceu por volta das 21h00, quando a escolta regressava de Rio-Save para Muxúnguè, com viaturas que seguiam viagem da zona sul do país para centro e norte.
Devido ao pânico que os disparos causaram, alguns automobilistas perderam controlo das viaturas - que circulavam à alta velocidade - as quais despistaram, tendo outras sido atingidas nos pneus pelas balas disparadas pelos atacantes.

FIR é vigilante da Frelimo

Por Edwin Hounnou

Tomás Vieira Mário, comentador do programa televisivo da stv, Pontos de Vista, disse, na noite de domingo, 23 de Junho, que a Força de Intervenção Rápida, FIR, portou-se bem por não ter distribuído chicotadas e por não ter efectuado prisões aos manifestantes de repúdio aos ataques de supostos homens da Renamo, no troço Muxúnguè/Rio Save, no sábado, dia 22 de Junho. Constitui uma tentativa de enganar a opinião pública porque a FIR não teria permitido se essas manifestações tivessem sido convocadas pela oposição. Embora tivessem participado das manifestações líderes religiosos, elas foram convocadas, organizadas e dirigidas pelo partido governamental, por isso mesmo, a FIR não iria ferrar a mão em quem lhe dá salários. 
Se essas manifestações tivessem sido convocadas pela oposição, a FIR teria usado bastões e jactos para dispersar os participantes e alguns teriam sido presos, como tem sido sua prática habitual. Até agora, não se conhece nenhuma manifestação da oposição foi autorizada, apesar de a manifestação não carecer da autorização de quem quer que seja. Qualquer administrador distrital, um presidente municipal pode proibir ou inviabilizar uma manifestação de um partido da oposição, alegando qualquer coisa como a sua ausência na autarquia ou não ter visto uma delegação desse partido defronte do seu nariz. Esta intolerância política extrema de governantes do partido no poder acontece um pouco por todo o país, com toda a impunidade.  

"Dhlakama vai ser assassinado" - General do Exército, no activo

Um General do Exercito, no activo e não na reserva, confidenciou-me estar em "fase muito avançada" a preparação do "ultimo golpe a [Afonso] Dhlakama", com o que "ele será assassinado".

"Está-se, neste momento, a ver qual é a via mais eficiente. Se for necessario contratar mercenarios, essa será a saida. Está-se tambem a equacionar o reforço, as FADM, por parte de tropas zimbabweanas, sul-africanas e malawianas".
O General que connosco privou, com mais de 30 anos de experiência, e formado em paises como EUA, ex-URSS, Cuba e Inglaterra, diz que, em apenas um mês, "Dhlakama causou, com os seus actos, danos incalculaveis à economia zimbabweana, que já se estava a erguer dos escombros".
Ajuntou que quase todo o nucleo duro do ANC tem interesses empresariais em Moçambique, dai que os mesmos manifestaram, deste o princípio, que estão disponiveis a se associar ao Governo, para se "resolver de vez este clima de instabilidade".

"Olha que, sem se aperceber, Dhlakama está a unir uma Frelimo que já se achava muito dividida. Apesar de existirem descontentes internos, sobretudo com a forma como o 'bolo' é dividido nos ultimos oito anos, todos os nossos chefes no partido tem muitos interesses por proteger".
Ao nivel das Forcas de Defesa e Seguranca, o General em causa diz que o SISE não tem conseguido se antecipar "às ocorrências", apegadamente "por estar infestada de incompetentes, bebados, fofoqueiros e corruptos".

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Governo reúne hoje em sessão extraordinária do Conselho de Ministros


- ataques militares da província de Sofala no topo da agenda

Maputo (Canalmoz) – Com o País a viver momentos conturbados devido aos ataques a alvos militares na província de Sofala, o Conselho de Ministros vai reunir-se hoje em sessão extraordinário convocada pelo presidente da República, Armando Guebuza, confirmou ao Canalmoz o porta-voz do Conselho de Ministros, o vice-ministro da Justiça, Alberto Nkutumula.
 O porta-voz do Conselho de Ministros não avançou a agenda da reunião, mas de outras fontes apurámos que em cima da mesa vai estar a análise dos últimos acontecimentos político-militares ocorridos no País. 
A sétima sessão de diálogo e a reunião do Conselho de Ministros decorrem numa altura em que a tensão político-militar entre as partes subiu com os últimos acontecimentos que resultaram no ataque a três viaturas, uma delas de passageiros, fazendo três vítimas mortais e vários feridos, no troço rio Save-Muxúnguè, bem como a captura do brigadeiro Jerónimo Malagueta, da Renamo. (Bernardo Álvaro)

sábado, 22 de junho de 2013

Paz depende apenas de Guebuza

Por Edwin Hounnou
É preciso que a Frelimo afaste este cálice de sangue da boca do povo. A experiência da guerra dos 16 anos, que opunha o partido Frelimo às forças da RENAMO, recomenda que os dirigentes do Estado tenham bom senso na gestão da paz. Cabe ao governo a responsabilizar de manter a paz. O povo não vai perdoar a quem deixar o país resvalar para uma nova guerra. Nada justifica que o país volte a ser regado de sangue de pobres. O povo quer paz e desenvolvimento. Quer fazer a sua machamba e vender a sua mandioca, mapira, feijão ao longo das estradas sem medo. Espera ver o seu menino sorrir, crescer e a jogar a cabra-cega. 
A Renamo não está a exigir nada de extraordinário. Quer ver paridade nos órgãos eleitorais para que todos partam das mesmas circunstâncias. A Renamo exige que todos os cidadãos moçambicanos tenham as mesmas oportunidades de acesso à riqueza nacional, até agora reservada só a dirigentes superiores do partido Frelimo e dos governantes. Em democracia, é justo que o Estado seja despartidarizado, diferente do nosso Estado que se encontra aprisionado pelo partido governamental. O Estado não pode ser um comité do partido Frelimo. É justo que se exija acabar com isso. Todos nós queremos um estado que serve os interesses de todos os moçambicanos. 
O partido Frelimo e o seu governo não podem recusar uma exigência constitucional, sob pena de ser descartado nestas eleições, se elas forem, de facto, justas e transparentes. Mas, pelo curso do recenseamento, conclui-se que elas não serão justas nem transparentes e, como sempre, a subserviente Polícia de Intervenção Rápida será chamada para garantir a vitória da Frelimo, sob o olhar cúmplice dos representantes da comunidade internacional que enganam os seus povos com falsos relatórios. A Frelimo tem que entender que o país pertence aos moçambicanos e não é uma coutada de um grupo de indivíduos privilegiados que abocanham os seus recursos naturais.     
O Presidente Armando Guebuza ao recusar a paridade nos órgãos eleitorais, está a jogar gasolina para a fogueira que consume a paz. Ao ignorar os apelos para despartidarizar o Estado, o Presidente está a discriminar milhares de moçambicanos que trabalham nos serviços públicos e têm uma visão política diferente da do seu partido. O Estado não é da Frelimo. Os funcionários públicos trabalharem no Estado, mas isso não implica que sejam da Frelimo. A Frelimo e o Estado são entidades diferentes. A Frelimo é uma organização de um grupo de pessoas enquanto o Estado pertence a toda a comunidade.     
O Presidente ao persistir na sua arrogância, os empobrecidos pelas políticas incorrectas do governo poderão subir para o ringue por acharem que já não têm nada a perder porque o pouco que esperavam não o terão nunca mais. A instabilidade por que o país passa, agora, se deve à arrogância do governo que confia mais nas armas que na sabedoria do povo que grita pela paz. A paz depende muito mais de Guebuza que de Dhlakama.

Frelimo convoca manifestação em Maputo de repúdio pelos ataques da Renamo

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, convocou para sábado uma manifestação em Maputo, "de repúdio pelos ataques da Renamo", maior partido da oposição, que esta semana ameaçou impedir a circulação no centro do país.
Hoje, um ataque atribuído a ex-guerrilheiros da Renamo, mas ainda não reivindicado pelo maior partido da oposição em Moçambique, alvejou um autocarro e um camião, tendo ficado ferida uma passageira.
A manifestação, que percorrerá alguma das principais artérias da capital moçambicana, foi convocada por mensagem telefónica pelo dirigente da Frelimo que habitualmente divulga junto dos jornalistas as iniciativas do partido.
LAS // VM
Lusa – 21.06.2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

  Se o Governo não olhar para o factor motivacional na “Saúde”  
Médicos admitem voltar à greve

-“... se for o último recurso legal para fazer valer a nossa causa poderá acontecer”,  afirma o presidente da Associação Médica de Moçambique (AMM), Jorge Arroz.

Maputo (Canalmoz) – Poucos dias depois do retorno ao trabalho em decorrência da greve que durou 27 dias, a Associação Médica de Moçambique (AMM)  pondera voltar a paralisar as actividades, caso o Governo não satisfaça o caderno reivindicativo da classe.  Neste momento, os médicos  confessam estar com  baixo índice motivacional.
Arroz falava ontem em Maputo depois de o Governo não olhar para o factor motivacional na “Saúde”.
Os índices motivacionais dos  médicos e outros  profissionais de saúde  baixaram, depois que o “Governo ignorou as exigências da classe” e “continua a intimidar e a cortar injustamente salários aos profissionais de saúde”, disse Arroz.
Segundo Jorge Arroz, o País poderá assistir a uma terceira greve, caso se esgotem as manobras de diálogo, com todos os intervenientes, conducentes à resolução dos problemas da classe.
“Agora não se pensa na greve, mas se for o último recurso legal para fazer valer a nossa causa poderá acontecer”.
A suspensão da greve e o retorno às actividades foi, segundo AMM, um acto deliberado, tudo a pensar nos moçambicanos e neste momento “estamos à espera de uma  reflexão por parte do Governo”, afirmou o líder sindical dos médicos.

Greve silenciosa

Sobre a propalada greve silenciosa, Arroz disse tratar-se de especulações estranhas à AMM, “não haverá greve silenciosa, as interpretações não são da associação”. Mas explica que  “a saúde não é ausência de saúde física,  é um conjunto de bem-estar social e psicológico”. “As intimidações do Governo poderão perturbar os médicos”.

Continuam descontos salariais  e intimidações

Arroz disse ter informação de intimidações e descontos salariais em Nampula e na Beira.
Na chamada “capital do norte” profissionais estão a sofrer sem explicação plausível  descontos na ordem de dois mil meticais, situação similar vive-se na Beira.
Sem especificar, avançou que em Maputo há mesmas tendências, mesmo que de forma tímida. Sobre a situação, garantiu que a instituição que preside “de tudo fará para defender os seus associados”.

CNDH promete analisar as queixas da AMM


Depois do encontro  com a AMM à porta fechada, a CNDH disse, através da porta-voz do encontro, Farida Momade, que “Vamos analisar a relevância das reivindicações e ver se estão dentro das nossas competências”.
A comissão diz que não tem resposta imediata para as queixas da AMM. “É um processo, temos ainda que ouvir todos os envolvidos no mesmo”. (André Mulungo)

Transportadores ignoram ameaças da Renamo

Partindo do terminal da Junta  

- e cruzam a zona de risco entre Rio Save e Muxúnguè

Maputo (Canalmoz) – Depois do aviso da Renamo sobre a sua decisão de interditar a circulação na Estrada Nacional Número 1 (EN1), concretamente entre a zona do Rio Save e Muxúnguè, os operadores de transportadores do Terminal Rodoviário Internacional da Junta e os respectivos passageiros – cuja carreira de transporte passa pelo perímetro que a Renamo revindica o controlo de circulação – decidiram ariscar tudo e seguir viagem.
O Canalmoz deslocou-se na manhã e no fim da tarde de ontem ao terminal da Junta para ouvir a sensibilidade das pessoas sobre as declarações da Renamo em relação à interdição de circulação, particularmente na EN1.
No local, a nossa equipa de Reportagem constatou e soube de fontes que todos os autocarros de passageiros, cujo trajecto passa pela zona interdita pela Renamo, prosseguiram viagem com os respectivos passageiros a bordo, ignorando, desse modo, o ultimato feito pelo maior partido da oposição no País.
Falando ao Canalmoz no terminal da Junta, Paulo Muthisse, fiscal sénior da Associação dos Transportadores de Carreiras Interurbanas e Internacionais (AMOSTRANS),  disse que a direcção da Junta e os operadores decidiram continuar a operar, mesmo com as ameaças da Renamo, porque o Governo teria garantido protecção aos transportadores.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Renamo está coberta de razão

Por Edwin Hounnou

As conversas tanto nos chapas, mercados, barracas quanto em menos restritos, as pessoas sempre deram razão à Renamo na sua disputa com o governo do partido Renamo. Aliás, é assim se explica o longo tempo que a guerra civil que varreu país entre 1976 a 1992, pois, sem o apoio do povo, esse conflito não poderia durar o tempo que levou. Nenhum movimento de guerrilha sobrevive se não estiver mergulhado no povo e a Renamo combateu, com sucesso, as forças governamentais. Isto demonstra que ela teve a simpatia popular. Nas eleições gerais de 1994 e 1999, a escolha da Renamo pelo povo para alternar a Frelimo ficou evidente, apesar de toda a gama de fraudes para impedir que a Renamo fosse poder.   
As pseudo-negociações/diálogo que ocorrem entre o governo e a Renamo há muito que deveriam parar por serem um entretimento de gente adulta e aparentemente civilizada. O governo está a queimar tempo enquanto as eleições se vão aproximando sem que tenha sido produzido nenhum resultado palpável. Se, como dizem os ideólogos da Frelimo, as eleições não se ganham na Comissão Nacional de Eleições, CNE, o que impede a Frelimo aceitar que os demais concorrentes tenham os seus representantes em igual número ao da Frelimo? Se a Frelimo recusa a paridade, é por que a CNE e os demais órgãos eleitorais são uma verdadeira lavandaria das vitórias retumbantes que a Frelimo averba de eleição em eleição. 
A situação perigosa a que o país chegou se deve à arrogância do governo que teima em não ouvir a voz da razão. A postura de desprezo que o executivo teve em relação à greve dos médicos é, no mínimo, arrepiante. O Presidente da República ao invés de se concentrar na resolução do problema da reivindicação dos médicos, pôs-se a passear pelo Japão, China e Coreia do Sul, limitando-se a mandar recadinhos, e com a sua esposa a fazer compras pelo mundo fora e a hospedar em hotéis de luxo. Mal chegou das passeatas, foi à Niassa homenagear mais herói, na esteira das suas dispendiosas e supostas presidências abertas.
A Renamo tem razão e tudo deve fazer para manter a simpatia popular do seu lado que o povo, à excepção dos puxa-saco do regime, anda cansado de um governo arrogante, mais ocupado com negócios empresariais privados dos seus membros que dos interesses do povo.
A Renamo deve abster-se de toda a iniciativa de violência e de atacar objectos militares porque as Forças Armadas não têm aparecido a violentar o povo pra não dar razão aos belicistas e belicosos do regime. Violentar a Força de Intervenção Rápida, sim, porque é um instrumento de violência do governo contra os madgermane, desmobilizados, partidos políticos da oposição, potenciais eleitores e os médicos, etc. Ninguém tem pena que seja respondida com a mesma violência que usa contra o povo. 
As justas e legítimas reivindicações da Renamo não devem, em nenhum momento, tornar mais difícil a vida a vida do povo, tal como impedir a transitabilidade de pessoas e bens pelo país.  
(Recebido por email)

Moçambique importa equipamento militar

Chegou ao país, através do porto de Maputo, na semana passada, uma quantidade considerável de equipamento bélico importado pelo Ministério da Defesa Nacional. A caravana militar agitou sobremaneira os populares da cidade de Maputo, mormente os da baixa da cidade que puderam testemunhar um autêntico desfile da nova capacidade de combate do país.

A passada sexta-feira (14 de Junho), na cidade de Maputo, com grande enfoque para a baixa da cidade, terminou com um movimento desusado de militares que, ao que parecia à primeira vista, se preparavam para escoltar uma caravana militar. E, quanto mais o sol “ se escondia” na noite que “ganhava espaço”, mais homens devidamente fardados se fizeram às ruas, substituindo os polícias de trânsito que estavam ao longo da avenida Guerra Popular na baixa da cidade até ao entrosamento com a 24 de Julho.
Ninguém percebia o que realmente se estava a passar. Quando eram por volta das 21 horas, o trânsito a partir da Praça dos Trabalhadores até à avenida 24 de Julho, através da Guerra Popular, ficou condicionado no sentido sul - norte. De repente viu-se um total de 25 camiões militares novos saindo do porto que transportavam, entre armamento bélico e de grande porte à vista de todos, outros 25 veículos de marca Land Rover com um feitio militar, todos escoltados por duas viaturas da Polícia Militar (PM) das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
A caravana, em marcha lenta, desviou pela 24 de Julho e seguiu em direcção à avenida Julius Nyerere não se sabendo, porém, que destino terão tomado adiante. Contudo, segundo relatos de algumas testemunhas nas redes sociais, as mesmas deslocaram-se para o Ministério da Defesa Nacional na avenida Julius Nyerere, antes de seguirem destino para um local até aqui incerto.
Os veículos agitaram os populares ao longo da rota que tomaram, que ficaram divididos entre o medo e a curiosidade. De referir que esta acção do Governo moçambicano acontece num momento em que o país, sobretudo na zona centro, vive momentos de pânico, designadamente confrontos entre os homens armados da Renamo e as forças de defesa e segurança do país.
@VERDADE – 19.06.2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Governo reitera que ataque foi da autoria da Renamo

Assalto a Paiol de Savane  

“Não há outra forma de reagir senão perseguir e responsabilizar autores do ataque”, ministro do Interior, Alberto Mondlane
Maputo (Canalmoz) – O Governo continua, mesmo sem apresentar provas, a indicar os homens armados da Renamo como os autores do ataque da última segunda-feira a um Paiol das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) na estrada de Inhaminga, na província de Sofala, para se apoderarem de armamento ligeiro e pesado ali armazenado.

O executivo reunido na sua XIX sessão apreciou o ataque.
O ministro do Interior, Alberto Mondlane, disse a jornalistas que “não pode haver outra forma de reagir senão perseguir as pessoas que cometeram o acto e responsabilizá-los”.
Mondlane disse, mesmo sem provar, haver indícios do envolvimento de homens de Afonso Dhlakama no ataque. “Há indícios e eles disseram que iam atacar”, sustentou o governante.
O vice-ministro das Pescas, Gabriel Mutisse, que substituiu o porta-voz habitual do Conselho de Ministros, disse que houve cinco mortes de elementos das FADM, e garantiu que as Forças de Defesa e Segurança “já estão no encalço dos malfeitores, no sentido de capturá-los e responsabilizá-los juntos das instituições competentes.
Mutisse disse que mesmo com os sucessivos ataques o Governo ainda continua aberto ao diálogo com a Renamo.
Recorde-se que em todos os ataques que o Governo sofreu este ano houve baixas, o que cria uma situação de preocupação sobre a capacidade de resposta por parte do executivo. (André Mulungo)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Médicos suspendem greve em nome do povo

“E assim, sem que tenhamos alcançado nenhum acordo, estando deveras insatisfeitos, a AMM e a CPSU, em respeito pela dor e sofrimento do povo solidário, declaram, hoje, dia 15 de Junho de 2013, a suspensão da greve geral dos profissionais de saúde!”

Maputo (Canalmoz) – Ao fim de 27 dias consecutivos de greve, os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e outros técnicos) anunciaram a “suspensão” da paralisação no Sistema Nacional de Saúde, sem que tenham chegado ao consenso com o Governo. No documento enviado ao Canalmoz pela Associação Moçambicana dos Médicos (AMM) não se especifica se as negociações que vinham decorrendo com o Governo continuam ou não com a suspensão da greve. Alega-se “respeito pela dor e sofrimento do povo solidário” para a suspensão da greve.
Eis o documento na íntegra
A Associação Médica de Moçambique (AMM) e a Comissão dos Profissionais de Saúde Unidos (CPSU) convocaram no dia 20 de Maio uma greve geral dos funcionários de saúde, como último recurso legalmente consagrado na Constituição da República (CR) para fazer valer os seus direitos e resgatar a dignidade dos profissionais de saúde. Respeitando todos os dispositivos legais, incluindo um pré-aviso de 7 dias, a AMM e CPSU, pautaram sempre pela transparência, legalidade e abertura total e completa a um diálogo franco, aberto e concreto, que foi traduzido num diálogo infrutífero por parte do Governo.
Garantindo sempre os serviços mínimos, os profissionais de saúde souberam agir de forma solidária a esta causa que tinha, tem e terá sempre interesses colectivos, lícitos e legítimos como prioridade. Cedo, nos apercebemos que a causa transcendia as fronteiras do sector saúde, abarcando todas as outras classes de profissionais do sector público. Percebíamos, a cada dia que passava, que, de uma forma ou de outra, a dignidade era e é um horizonte nosso que pretendemos alcançar.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Médicos dizem que não vão suspender a greve sem antes haver solução

Os médicos denunciam a onda de desinformação levada a cabo não só pelos órgãos de informação públicos, mas também por alguns privados
A Associação Médica de Moçambique disse, ontem, à entrada de mais uma ronda negocial, que não vai suspender a greve que estão a levar a cabo há três semanas, até que os problemas da classe sejam resolvidos. “Acreditamos que nesta fase de negociações o Governo reconheça as nossas preocupações.
E, como decidimos na nossa assembleia, não iremos recuar da decisão da greve, enquanto não forem resolvidos os nossos problemas. Sentimos que há uma abertura da parte do Governo em nos sentarmos para negociar, mas teremos que aguardar pelo desfecho do encontro”, disse Paulo Samo Gudo, representante da classe médica.
Sobre o regresso dos profissionais da saúde ao trabalho, a Associação Médica de Moçambique disse que se tratava de uma informação infundada, uma vez que a greve preconiza a presença dos profissionais nos seus locais de trabalho, mas sem exercerem nenhum trabalho.
O PAÍS – 14.06.2013

Frelimo diz que está à procura de fórmulas para levar a Renamo às eleições


- Mas o processo de recenseamento, segundo a própria Frelimo, está abalado pela fraca aderência 

 Mateus Kathupa, vice-chefe da Brigada Central do partido Frelimo  

Maputo (Canalmoz) – O partido Frelimo diz ter recomendado o Governo a encontrar fórmulas que permitam a Renamo a participar nas próximas eleições autárquicas e gerais de 2013.
Numa conferência de Imprensa convocada na manhã da última quinta-feira em Maputo, o vice-chefe da Brigada Central do partido Frelimo para a cidade capital, Mateus Kathupa, disse que o seu partido também está a equacionar a possibilidade de accionar influentes figuras da sociedade moçambicana “para convencer o presidente Afonso Dhlakama e a sua equipa a participarem nas eleições”.
“Não é desejável que a Renamo não participe nas eleições. Não é bom, por isso a Frelimo deu instruções ao seu Governo para encontrar fórmulas que permitam a participação da Renamo. Também vai falando com pessoas influentes para convencerem o presidente Afonso Dhlakama e a sua equipa a participarem nas eleições”, disse Mateus Kathupa.

Reafirma ministro das finanças: Esgotada capacidade para reajustes salariais

O MINISTRO das Finanças, Manuel Chang, esclareceu ontem, em Maputo, que a capacidade financeira do Governo para atender às necessidades de ajustamentos salariais imediatos na Função Pública está completamente esgotada.
Maputo, Sexta-Feira, 14 de Junho de 2013:: Notícias
Segundo o governante, o Orçamento Rectificativo a ser submetido à aprovação pela Assembleia da República visa atender, entre outros, aos aumentos já anunciados para o Aparelho do Estado, incluindo a classe médica.
“A capacidade que encontrámos é esta e mesmo assim vai ser preciso que a Assembleia da República (AR) sancione, durante a revisão orçamental, alguma coisa que esteja para além daquilo que está neste momento aprovado no actual orçamento. Portanto, vai ser preciso que o Parlamento sancione essa decisão, sim”, disse.
Manuel Chang, que falava a jornalistas à margem da 44ª Reunião do Comité das Bolsas de Valores da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), recordou que nas negociações havidas no âmbito da Comissão Consultiva do Trabalho (CCT) a taxa de reajuste acordada foi de 7 por cento.
“Entretanto, o Governo entendeu que deveria atender a situações diferenciadas que foram detectadas na análise da pirâmide salarial e é por isso que tomou a decisão de se aumentar o salário dos médicos em 15 por cento este ano. Os outros trabalhadores e funcionários da Saúde bem como os sectores da Educação e Forças de Defesa e Segurança tiveram um aumento de 9 por cento; enquanto os sectores remanescentes registaram um incremento de 7 por cento”, disse.

Angola24Horas

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